Inflação: A Revanche

6 de maio de 2016

Choque de Cultura

É verdade que a criação de empregos nos USA vem registrando resultados positivos, com 200 mil vagas mensais é suficiente para não criar um problema de desemprego. Por outro lado, uma grande proporção dos americanos saiu do mercado de trabalho, ocasionando uma queda no participation rate. O que estão fazendo estes americanos, ainda é um mistério.

Mas se tem algo que não se pode ter dúvidas, é a crescente substituição de postos de trabalho humanos por robôs.

O Bank of América elaborou um relatório onde aponta que a evolução tecnológica é negativa para os trabalhadores: Tentativas em resolver a desigualdade via aumento do salário mínimo, fará com que, provavelmente, acelere a automação. Vejam no gráfico a seguir, o elevado crescimento do uso de robôs na indústria esta década, e a estagnação no emprego das fábricas; o aumento do uso de robôs e AI – inteligência artificial, pode também estar reduzindo as expectativas de salários, ajudando a explicar porque a taxa de poupança continua a subir.


Estamos vivendo um choque de Cultura, como Bill Gross, o guru de Wall Street na renda fixa, titulou seu relatório mensal. Não querer enxergar, significa mais sofrimento para o futuro. Essa tendência pode-se observar no próximo gráfico, cujo movimento aponta mudanças desde o início dos anos 2000. A cada crise a recuperação dos empregos nunca volta aos níveis anteriores. Ele calcula que, a queda de 82% de empregos elegíveis sobre a população total, para 78% atualmente, significa 6 milhões a menos de emprego. Isso até agora, onde a substituição nem era tão grande assim.

O autor Andy Stern, em seu livro Rising the Floor, comenta: ...”Um futuro Presidente ou Primeiro Ministro – Precisa reconhecer que a política atual do governo construiu uma imensa infra estrutura, baseada no conceito de geração de empregos, e este conceito não funciona mais. Em outras palavras, se o salário vai para a os robôs ou qualquer outra forma, ao invés de seres humanos, nossa cultura irá mudar, e assim, as políticas terão que se adaptar para essas mudanças”...

Bill Gross sugere que deva-se gastar mais recursos onde será necessário: infraestrutura, saúde, e uma ideia revolucionária que chama de UBI – Uinversal Basic Income: ...”Se mais pessoas serão substituídas por robôs, eles precisarão dinheiro para viver, ou não?”...

Ele está sugerindo uma bolsa família? Não exatamente, mas coloca essa realidade na mesa e comenta como poderia ser financiada. Não vou me estender nessas ideias, pois ainda são apenas ideias, no link a seguir, você pode acessar esse relatório bill-gross-investment-outlook.

Suas conclusões são que o FED irá retornar com os QE - lembram? os helicópteros que estão guardados no hangar! Os juros ficarão baixos por muito tempo, e os ativos permanecerão artificialmente elevados. Em algum ponto a política monetária vai criar inflação e os mercados ficarão em risco. Não ainda, mas tome cuidado neste meio tempo. Fique feliz com retornos “magrinhos”!

Foram criados 160 mil postos de trabalho em abril, abaixo das expectativas do mercado, que esperava 200 mil. Por outro lado, os salários subiram 2,5% em bases anuais, o que poderá dar mais confiança ao FED que a inflação irá convergir para sua meta de 2%.

O impacto nos mercados foi mínimo, o que se pode concluir é que a queda observada não significa uma mudança de tendência, do ponto de vista do mercado. Por enquanto, quero ver na segunda-feira depois de terem acesso a esse post! Hahaha...

No post nocaute-próximo, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” Desde de 2012, o juro americano vem se movendo dentro de um triângulo, conforme anotado no gráfico acima. Como via de regra, em 2/3 dos casos, o triângulo tende a romper na direção que antecede, e neste caso seria para baixo. Porém, nada impede que seja para cima, contemplando os outros 1/3, somente é menos provável”...



Ao ser anunciado os números de emprego hoje pela manhã, os juros se aproximaram do nível de 1,70%. No mesmo post acima, indiquei alguns níveis importantes: ...”Numa tendência de alta, acima de 2% a.a., daria a primeira indicação, porém é acima de 2,20% - 2,30%, onde ficará mais forte o sinal. Caso contrário, na queda, o nível de 1,65% a.a. rompido, oferecerá o sinal para novas quedas. Entre esses intervalos, é pouco recomendado qualquer trade”... Observem o gráfico a seguir com indicações de mais curto prazo.


De outubro de 2014 até hoje, passados 18 meses, os juros estão contidos entre 2,35% - 1,70%. 65 Bips -baisis points, como o mercado gosta de designar. Esta diferença de juros, equivale a uma oscilação de 5% no preço desses títulos, o que se pode considerar bem pequeno. Assim, pode-se concluir que a volatilidade é muito baixa. Lembro diversas vezes, observar variações de 2% num único dia.

Observem no gráfico, 3 momentos distintos: primeiro a queda observada de outubro de 2014 até janeiro de 2015, indo de um extremo para o outro. Os juros permaneceram por pouco tempo; em seguida subiu para atingir o intervalo superior em junho de 2015. Nos 6 meses seguintes buscou atingir novamente a parte superior, porém em dezembro último caiu de forma mais rápida para atingir o intervalo inferior novamente, onde se encontra atualmente.

A indecisão do mercado fica bastante clara neste ativo, uma vez que, ele logicamente é impactado pelas ações do FED. Sob qualquer métrica que se queira avaliar, é notório que esses juros são muito baixos para um título tão longo. Só o não seria num cenário letárgico ou pior, deflacionário.


Quem resolveu apostar com trades nesse período - 18 meses, não deve ter ganho muito, se não perdeu. Essa é a razão do Mosca ter se envolvido esporadicamente, e com stops curtos, acho que estava certo. Ficam as orientações acima por enquanto.


O SP500 fechou a 2.057, com alta de 0,32%; o USDBRL a R$ 3,5008, com queda de 1,13%; o EURUSD a 1,1402, sem alteração; e o ouro a US$ 1.288, com alta de 0,83%.
Fique ligado!

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