Inflação: A Revanche

31 de maio de 2016

Pulando o muro


Tentar segurar a cotação do câmbio num nível artificial sempre termina em problema. Vários são os motivos que fazem os bancos centrais dificultarem o envio de recursos para o exterior das pessoas físicas. Um exemplo dramático atual é o caso da Venezuela, onde a diferença entre a taxa oficial e a do paralelo é enorme. Como venho dizendo, seu Presidente já está totalmente podre!

Já no caso da China os motivos podem ser outros, imagino que o maior receio seria uma debandada geral ocasionada por uma desvalorização mais forte da moeda. O câmbio naquele país é restrito a seus habitantes somente para viagens e pequenos valores.

Em 2013 o bitcoin, moeda eletrônica teve seu ápice em dezembro daquele ano quando sua cotação atingiu US$ 1.151 bolha-de-sabão. Os motivos que levaram a esse nível, foi a desconfiança no dólar que pairava naquela ocasião. Esse momento coincidia com as mínimas atingidas pelo “dólar-dólar’.

No início de 2014 o dólar - DXY iniciou uma recuperação subindo da mínima de 78,90 até 100,25 em dezembro último, uma alta nada desprezível de 27%. O bitcoin nesse período fez o caminho inverso, chegando a mínima de U$ 200, uma queda espetacular de 80%. As cotações em ambos andavam relacionadas até o evento ocorrido em agosto de 2015, quando o banco central Chinês atuou de forma desastrosa no câmbio. Como pode-se ver no gráfico a seguir, a partir daí o bitcoin se desvencilhou do dólar, ganhando caminho próprio.


Nestes últimos dias os chineses mergulharam novamente na compra da moeda eletrônica, e impulsionaram as cotações em 16% atingindo US$ 525. As bolsas chinesas de bitcoin’s estão operando normalmente, mesmo com o esforço de Beijing em conter o comércio da moeda, que não está sujeita a qualquer autoridade central, e que podem ser negociadas quase que instantaneamente através da fronteira.

Para se ter uma ideia de como essa moeda é transacionada na China, a Huobi e OKCoin, duas bolsas desse país, são responsáveis por aproximadamente 92% de todas as transações globais.

O aumento na procura por bitcoin neste fim de semana, poderia ser o mais recente sinal de como os investidores chineses estão movimentando seu dinheiro rapidamente entre classes de ativos, em busca de retornos elevados. Mas além desse objetivo aparente de retorno de curto prazo, a rede de bitcoin, composta por comerciantes em todo mundo com acesso a plataformas virtuais através de seus computadores e da internet, permite também, de uma forma discreta, a transferência de recursos dos chineses para fora do país, fugindo dos controles rígidos impostos pelo governo.

Isso já é visível pelo fato do bitcoin ser negociado com um ágio de 7,2% quando a moeda de troca é o yuan, o que não acontece com outras moedas. Esse prêmio persistiu durante esse ano, sugerindo que a demanda da China é responsável pelos recentes ganhos. Segundo consultores desse país, o motivo é a busca de uma proteção.

Um outro motivo que não deve ser expresso por quem é pesquiusado, pode ser uma forma de estacionar recursos não declarados. Com a quebra geral dos sigilos bancários vividos ultimamente, além dos acordos de troca de informações entre os países, dentro de pouco tempo, esse tipo de recurso não será aceito pela comunidade bancária, e o bitcoin pode ser uma solução. O grande problema dessa moeda é se ela também não seria uma solução para os recursos provenientes de droga e corrupção.

No post furo-nos-números, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “Do ponto de vista técnico, o dólar está buscando romper a região que denominei de “perigo”, e caso isso aconteça, vou sugerir um trade de compra de dólar acima de R$ 3,63 no fechamento. Caso aconteça, o stoploss será ao redor de R$ 3,50 - melhor calculado posteriormente”... Esse momento ainda não aconteceu, mas o dólar está buscando romper esse nível.


Existe uma formação em análise técnica que se denomina “cup of tea”, e o nome já diz tudo, parece uma xícara de chá – desenhada em verde. 

Permanece minha recomendação de compra acima. Acho melhor para quem está vendido em dólares não ficar relaxado tomando sua xícara de chá, e ao invés disso, preparar o energético! Hahaha....

Caso a compra se concretize nos próximos dias, o nível de R$ 3,75 tem que ser rompido para que o movimento de alta seja mais firme. Na verdade, a compra a R$ 3,63 é de certa forma especulativa, mas parece valer o risco.

Na semana passada, em conversa com um leitor, frisei essa minha intenção de compra, ele arregalou os olhos, principalmente quando disse que poderia romper os R$ 4,25. ...“como assim, o Temer vai cair? ”... Foi a sua indagação. Minha resposta foi lacônica “os gráficos não tem inside information!” Hahaha...

O SP500 fechou a 2.096, com queda de 0,10%; o USDBRL a R$ 3,6105, com alta de 0,95%; oEURUSD a 1,1129, com queda de 0,12%; e o ouro a US$ 1.214, com alta de 0,75%.
Fique ligado!

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