Inflação: A Revanche

20 de maio de 2016

Jeans ou dólar?


Para quem vive no Brasil, principalmente quem já tem certa idade, é obrigatório entender de câmbio. Lembro certa vez no BFB quando um fabricante de jeans veio conversar comigo, pois tinha uma dívida cambial e estava preocupado com uma possível maxidesvalorização.

O mercado não era tão sofisticado e não existiam mecanismos de hedge, como hoje em dia. No banco implementamos o que talvez foi o primeiro contrato de swap. Tinha uma diferença importante em relação aos contratos atuais uma vez que, não existia mercados futuros e era proibido ficar vendido em dólares no mercado a vista. A solução foi indexar as NTN’s cambias, títulos esses que eram atrelados ao dólar.

Comecei explicando a esse empresário como funcionava essa operação e quais os riscos envolvidos, haja visto que não era um hedge perfeito. Depois de ouvir atentamente minha explanação, ele disse: ...“além de entender de jeans eu tenho que entender disso também?”... Entendi sua angústia, mas minha resposta foi um sim!

Nos anos 2000 comecei a me envolver com o mercado de câmbio internacional, e por sorte ou não, tive um resultado muito positivo ao ficar comprado no euro e seus derivados a 0,87. Daí em diante, não existe nenhum dia onde não acompanho as principais moedas, e tenho que confessar que, é esse o ativo de minha preferência. Com um movimento diário de US$ 5 trilhões, é disparado o de maior liquidez mundial.

Acontece que, depois da crise de 2008, com a interferência financeira de vários BC’s, esses mercados mudaram. Quem usa fundamentos para análise está sujeito a grandes erros, não por sua análise, mas que agora o movimento do câmbio é movido por outras variáveis. Assim, a análise técnica passa a ser mais útil.

Hoje quero comentar uma correlação, que imagino espúria mas que acabou acontecendo com as moedas dos países emergentes. Mas antes disso, queria apresentar o gráfico a seguir mostrando a evolução do PIB dos países emergentes.


Se um país tivesse um critério de seleção como numa empresa, alguém contrataria a Dilma?

As moedas dos países emergentes normalmente são movimentadas pela expectativa de crescimento e sua balança de pagamentos. Quando a primeira está bem e a segunda ruim, o mercado tem certa complacência, mas se a primeira está mal e a segunda também, sai da frente, os estrangeiros vêm babando para ficarem vendidos até as tampas no câmbio desse país.

O gráfico a seguir mostra algo que realmente é surpreendente, embora hoje em dia, mais e mais isso venha acontecendo, é a correlação entre uma cesta de moedas de emergentes contra a bolsa de valores.



Ao invés de ser conduzido por dados econômicos ou a política monetária, as taxas de câmbio dos mercados emergentes são os mais intimamente ligados aos movimentos das ações e commodities, desde pelo menos 2013. Quando caem, é quase certo que o iene irá subir, e vice-versa.

A razão é o FED, me explico, se ele sobe os juros, o dólar deve subir e a atratividade das bolsas piorar, mesmo que seja porque a economia está dando sinais de melhora. Eu pessoalmente fico espantado com esse racional, e o motivo é que não estamos falando que os juros estão a 5% e terão que subir para 8%. Aqui é se vai subir míseros 0,25% e devagarzinho, como tudo pode ser tão sensível a esse movimento?

Acredito que o receio do mercado não seja esse que é usado como racional, mas a possibilidade de elevações muito maiores se a inflação sair de controle.

Como dizia meu ex-sócio “contra o fluxo não há argumentos” e essa correlação deverá existir por um tempo. A teoria de diversificação fica completamente comprometida e não adianta lutar contra, deve-se incorporar por enquanto essa tendência. Assim recomendo usar ativos líquidos em qualquer investimento que se faça, uma mudança de ideia deve poder ser executada rapidamente.

 Não podemos esquecer o tema do Mosca para 2016 “US$ The return?”, pois uma nova alta da moeda americana vai influenciar o real. No post as-aparências-enganam, tinha definido dois níveis para uma possível reversão da queda recente: ...” Podemos esperar uma queda até o nível de 93 (1), ou até 90 (2), para que a partir daí retorne o movimento de alta”...


Do ponto de vista técnico está tudo pronto para que o DXY reinicie seu movimento de alta. Respeitou o nível de 93 e reverteu, está buscando ultrapassar o canal de baixa (1). Só é possível afirmar com certeza acima de 100,5, mas uma aposta com um stop a 94 pode ser bem-vinda, embora seja mais prudente aguardar o rompimento em (1), com um fechamento semanal acima de 95,5.


A reunião de junho do FED pode ser um triger para acelerar esse movimento, se houver o aumento de juros que foi aventado na ata publicada essa semana. Mas como todo bom analista técnico, o que importa o que o FED vai fazer ou não? Observa os preços e pronto!


O SP500 fechou a 2.052, com alta de 0,60%; o USDBRL a R$ 3,5195, sem variação; o EURUSD a 1,1222, com alta de 0,20%; e o ouro a US$ 1.251, com queda de 0,19%.
Fique ligado!

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