Inflação: A Revanche

23 de maio de 2016

Furo nos números


Quem de vocês gostaria de assumir a Presidência da República? Posso dizer por mim, que nem por todo o dinheiro do mundo, aceitaria esse cargo. Como a condição, absolutamente necessária, é de negociar com o Congresso para que sejam feitas as mudanças necessárias para estancar o déficit público, em quem você poderia confiar naquela casa? Além disso, é inegável que o país está muito dividido, basta ver o estrago que a eliminação do Ministério da Cultura causou. Sem falar em manifestações espalhadas por aí, com demandas das mais diversas.

Obrigado Temer, por assumir este cargo bomba!

A revelação da conversa telefônica de Jucá hoje pela imprensa, será o primeiro teste do governo. Ao verificar os detalhes da mesma, me parece inequívoco que esse Senador tenha cometido um grande deslize ao dizer a Sérgio Machado: ...” “não pode ficar na mão desse [Moro]”... Parece não restarem dúvidas que esse caso deve ter repercussões importantes. No Brasil atual e parafraseando o que Cesar disse para sua mulher, mas que no caso brasileiro merece uma adaptação: ...“precisa parecer honesto por que ser honesto aqui é impossível!  ... Hahaha....

Não vai ser nada fácil, no mínimo para colocar o país na rota certa, pois qual quer que seja o governante, sempre haverá uma boa parcela da população remando contra. Diz a história que em situações como esta é necessário um governante “louco”, de certa forma, o que Collor foi. O grande perigo é que normalmente trata-se de um radical de esquerda ou de direita. Será que vamos passar por isso?

Parece que ao observar os dados de manufatura dos países, os resultados apontam resultados semelhantes. Hoje foi publicado o PMI elaborado pela empresa Markit no Japão, e lá não foi diferente, uma queda abaixo de 50, indicando contração. Além do mais, essa fraqueza é observada na produção, exportação e novos pedidos. E de forma surpreendente, o único componente que mostra estabilidade é o emprego.




O relatório também aponta a contração na demanda externa, onde se observou a maior queda dos últimos três anos. A publicação dos dados da balança comercial japonesa aponta uma queda ainda maior das importações, atingindo a marca de -25% em bases anuais. 



Como consequência, o superávit comercial deu um salto para o terreno positivo.




Se tantos países estão acumulando superávits maiores em sua balança de comércio – Japão, Alemanha, países emergentes, e dado que a americana teve pequena elevação, quem está sofrendo? Só sobra a China! Mas não é o que os números apontam por lá. Hummm...

Eu venho alertando os leitores que o dólar em relação ao real, vem se comportando de maneira perigosa. O perigoso aqui seria uma reversão no movimento de queda que se iniciou à partir de outubro de 2015. Essas reversões não acontecem instantaneamente, de um dia para o outro, o mercado vai dando alguns “avisos”.

Fiquei surpreso ao saber que grandes fundos e investidores estrangeiros que apostavam firmemente contra o real, mudaram de ponta. No post um-dia-apos-o-outro, comentei que o Fundo Verde, um dos maiores do país, está agora vendido no dólar. Além disso, o Banco Central vem firmemente reduzindo os contratos de swap, que agora já se encontram abaixo de US$ 60 bilhões. Se isso não bastasse, e o ‘dólar –dólar’ resolver subir, acredito que esse ciclo de baixa do dólar poderá estar terminando.

No post mencionado acima, fiz as seguintes observações sobre o dólar:...” O jogo está ficando mais claro, marquei dois pontos importantes para se posicionar em relação ao dólar. Num cenário de alta, o nível de R$ 3,68 teria que ser rompido para ser um indicador inicial da reversão de queda. Por outro lado, abaixo de R$ 3,43, o movimento de baixa teria continuidade e o próximo patamar seria o nível de R$ 3,25. No nível atual de R$ 3,50 nada pode ser afirmado, mas a direção de menor “resistência” é a queda”...


Do ponto de vista técnico, o dólar está buscando romper a região que denominei de “perigo”, e caso isso aconteça, vou sugerir um trade de compra de dólar acima de R$ 3,63 no fechamento. Caso aconteça, o stoploss será ao redor de R$ 3,50 - melhor calculado posteriormente.



Pode ser que eu esteja antecipando o fim do movimento, e esse não irá acontecer agora, mas prefiro ser cauteloso, pois sei que boa parte dos leitores tem interesse nesse ativo. Como citei no post da última sexta-feira: ...“Além de entender de jeans, temos que entender de dólar”... Hahaha! Mas atentem bem que, o dólar terá que fechar acima de R$ 3,63.

O SP500 fechou a 2.048, com queda de 0,21%; o USDBRL a R$ 3,5727, com alta de 1,51%; o EURUSD a 1,1213, sem variação; e o ouro a US$ 1.249, com queda de 0,22%.
Fique ligado!

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