Inflação: A Revanche

16 de maio de 2016

Um dia após o outro


Enquanto os analistas fazem projeções de quanto irá melhorar a economia brasileira, os últimos dados publicados no mercado americano mostram evolução. Voltando ao tema brasileiro, o otimismo mostrado deve ser seguido com certa cautela. Para que possamos sair do buraco em que nos encontramos, muitas mudanças dolorosas serão necessárias, e não sei se a sociedade brasileira tem consciência do que isto pode significar.

Por exemplo, qual será a reação dos empresários se o governo implementar a CPMF? Como o Congresso vai se portar com uma reforma profunda da previdência? Estas e muitas outras questões terão que ser colocadas na mesa, caso Temer queira realmente colocar o país nos trilhos. Amanhã participo da reunião da Rosenberg e comentarei melhor essas questões.

As vendas ao varejo da economia americana cresceram com a taxa mais elevada do último ano, ultrapassando as estimativas dos economistas.


Interessante notar que, essa evolução deveu-se ao crescimento das vendas on line, em detrimento das lojas de varejo.


Outro índice relativo ao consumo, U.S. Michigan Consumer Sentiment, também se aproximou dos níveis máximos, indicando uma melhora de humor para as compras.



Em relação às expectativas sobre o PIB, fui verificar como anda a projeção feita pelo FED de Atlanta, o guru nesta área. Uallll... Neste momento indica um crescimento de 3% do PIB, e está no topo das projeções dos analistas.


O interessante com tudo isso, é que a taxa de juros aponta somente um aumento de juros para esse ano. O Deutsche Bank vê outros motivos para os níveis tão baixos dos juros de 10 anos. A falta de emissão de títulos novos, como o gráfico a seguir aponta.

No post polarização-uma-tendência-global estava desconfiado que a queda do dólar poderia estar chegando ao fim: ...” Hoje foi muito importante saber que o mercado está fechando próximo das mínimas. Como os gráficos não se preocupam com nada, a não ser os preços, vou manter a recomendação (compra de dólar), ajustando um pouco o preço de entrada a R$ 3,68 e o stoploss mantido por enquanto”... ...” Por enquanto o movimento ainda é de queda do dólar, e indica uma continuidade da correção iniciada em outubro passado”...


O jogo está ficando mais claro, marquei dois pontos importantes para se posicionar em relação ao dólar. Num cenário de alta, o nível de R$ 3,68 teria que ser rompido para ser um indicador inicial da reversão de queda. Por outro lado, abaixo de R$ 3,43, o movimento de baixa teria continuidade e o próximo patamar seria o nível de R$ 3,25. No nível atual de R$ 3,50 nada pode ser afirmado, mas a direção de menor “resistência” é a queda.

Eu tive acesso ao relatório do fundo verde, administrado por Luis Sthulberger. Fiquei até, de certa forma, surpreso ao saber que agora mantém uma posição vendida em dólares. Esse fundo foi um grande player no ano passado a fazer posições contrárias. Aliado a isso, a posição de hedge pelo Banco Central está abaixo de US$ 70 bilhões, uma sensível redução.

Com tudo isso, me parece que o câmbio será movido agora pelo fluxo cambial. Embora eu reconheça que o Banco Central ainda tem muito trabalho para eliminar toda a posição de swaps, o fato de já existirem posições vendidas em dólar, tornam o mercado menos enviesado.

Uma última observação é que, foi na gestão de Henrique Meirelles no BC que a grande posição cambial foi construída. Além disso, em 2008, quando houve o stress no exterior, ele não vendeu nenhum dólar para tentar segurar o câmbio. Como consequência, as cotações subiram como um foguete, como pode-se ver no gráfico abaixo.



O SP500 fechou a 2.066, com alta de 0,98%; o USDBRL a R$ 3,5067, com queda de 0,77%; o EURUSD a 1,1315, com alta de 0,11%; e o ouro a US$ 1.273, sem variação.
Fique ligado!

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