Inflação: A Revanche

10 de maio de 2016

Suicídio Político


Talvez todos sentimos vergonha pela atitude intempestiva do Presidente interino da Câmera de deputados, Waldir Maranhão, afinal foi notícia em todo o mundo. Mas honestamente consigo entender sua atitude, lógico isso não significa que faria o mesmo.

A primeira pergunta a ser feita é, como ele pode se eleger? Um Congresso é o espelho da população do país. Assim, a resposta à essa pergunta pode ser porque o eleitor brasileiro é despreparado na escolha seus representantes, ou eu que penso de forma muito diferente da maioria da população. Acho que ambas são corretas.

O outro é um fator emocional, se vocês lembrarem quando Eduardo Cunha foi removido de seu cargo, a grande maioria dos deputados disse que Maranhão não tinha condições nem competência para assumir a Presidência da Câmera. “Magoei! ” deve ter pensado. Numa atitude emocional, quis mostrar para todos que ele não era tão incompetente assim e por outro lado, sabia que tinha muito poder nas mãos.

O JEC, José Eduardo Cardozo como é conhecido, Advogado Geral da Dilma, pois com a União não está nem um pouco preocupado, forneceu o elemento para que Maranhão pudesse causar um estrago enorme, com repercussão internacional. Ele foi em frente!

Uma atitude do Maranhão deve ser reconhecida. Assumiu seu erro e, ao final da noite de ontem, revogou sua decisão. Poderia ter teimado em sua loucura!

Agora, é só no Brasil que estas coisas absurdas acontecem com os políticos? Certamente não, como exemplo basta ver as declarações de Trump sobre a dívida americana. Para quem não sabe, ele na sua vida profissional deu quatro calotes nos bancos. Seu pensamento é simplista: “Se um investidor resolve emprestar dinheiro para que eu desenvolva um negócio, e as coisas derem certo paga-se a dívida, caso não dê, o credor terá que aceitar um desconto”.

Sabemos que os títulos americanos são considerados como “safe Haven”, assim toda vez que existe alguma turbulência nos mercados, os investidores correm para colocar seus recursos nesses papéis. Não passa na cabeça de ninguém que o governo americano não irá honrar esses títulos. Além do mais, se ele pode emitir moeda, porque não deveria pagar!

Os grandes detentores de títulos do governo americano atualmente são: a China com US$ 1,7 trilhões; o Japão com US$ 1,2 trilhões; e os outros bancos centrais e afiliados com US$ 7,0 trilhões. Seria o objetivo de Trump ao fazer essa ameaça, semelhante a uma dívida corporativa quando existe uma concentração em algum(s) credor(es)? No caso empresarial, quando a situação fica ruim para a empresa, a solução do problema passa a ser de seus credores também.

Para completar, Trump disse que quer substituir a Presidente do FED, Janet Yellen, por ela não ser republicana. Isso parece tão absurdo que ninguém esperaria ouvir de um candidato a Presidência dos USA, mas ele disse! Não contaram para ele que o FED é uma entidade independente?

No post de ontem comentei o relatório elaborado por Matt King, sobre a polarização que se observa em vários países, e esses casos acima, são amostras dessa tendência. Outro assunto que pode ter consequências importantes nos mercados deve acontecer no próximo mês. A população inglesa vai participar de um referendum para decidir se continua ou não na Unidade Europeia.



Segundo a pesquisa acima, os ingleses preferem abandonar. As consequências serão muito grandes, caso isso aconteça, porém não existira um stress financeiro, uma vez que, sua moeda não é o euro. No dia seguinte os bancos funcionam. Já no caso da França, que também tem uma pequena maioria a favor, se resolvesse sair, seria algo muitíssimo complicado.

Então quem é pior, Walter Maranhão que teve algumas horas de glória ao ser manchete em todos os jornais, Trump um sério candidato a primeira economia do mundo com ideias malucas, ou os ingleses que podem abandonar seus vizinhos, mesmo que isso seja ruim para a sua economia?

No post slow-grrrrowth, externei minha dúvida sobre a posição comprada no euro: ...” confesso que aventei a hipótese de apertar o nosso stoploss para algo próximo ao preço de entrada, mas resolvi manter o original. A perda de 1,2% ou 0% tem um caráter puramente psicológico, uma vez que o primeiro não significa um grande prejuízo. Mas confesso que minha confiança sobre esse trade caiu”.... Apresentei dois cenários com uma visão de mais longo prazo.


Mas como o longo prazo é a somatória dos movimentos de curto prazo, o gráfico a seguir contempla essa visão mais curta.


Como pode-se observar, as cotações entraram “dentro” do retângulo verde, indicando que não houve força suficiente para romper o nível aproximado de 1,15. Por outro lado, a queda foi pequena, e também não ser pode descartar uma nova tentativa. Um queda abaixo de 1,12 poderá dar novo impeto para a queda do euro.

Vamos manter nossa posição, porém este é mais um caso de indefinição que perdura desde o início de 2015.

O SP500 fechou a 2.084, com alta de 1,25%; o USDBRL a R$ 3,4672, com queda de 1,37%; o EURUSD a 1,1368, com queda de 0,11%; e o ouro a US$ 1.266, com lata de 0,22%.
Fique ligado!


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