Inflação: A Revanche

5 de maio de 2016

Sem confiança

Certa vez quando eu era responsável pela gestão da carteira de renda fixa da Planibanc, tomamos uma decisão que custou caro. Naquele momento, por razões que não me recordo, as taxas de juros pré fixadas começaram a cair significativamente. Nós acreditávamos nesse movimento e resolvemos comprar títulos com esse indexador, dado que nem existia mercado futuro.

Depois de consultar vários bancos, o único que se dispunha a captar nesta modalidade era o Bamerindus. Existiam alguns rumores na época que ele não estava bem das pernas. Mas nós acreditávamos que ganharíamos com a queda dos juros, e resolvemos apostar.

As taxas realmente caíram, porém passadas algumas semanas, o boato se intensificou, e ficamos preocupados com o crédito. Decidiu-se vender a posição, mas o único comprador era o próprio banco que buscava dar liquidez ao mercado. A taxa oferecida nessa situação foi “salgada” levava o lucro que havíamos feito com a posição e mais um pouco. Vendemos mesmo assim.

A lição foi clara, por falta de opção o melhor a se fazer é nada fazer, ao invés de se envolver em outros tipos de riscos.

Os analistas continuam intrigados com o comportamento dos mercados, hoje foi a vez do Wall Street Journal publicar uma reportagem cujo título é sugestivo: “O mercado de hoje: Um lugar que nada faz sentido”. Extrai alguns pontos desse assunto.

...”Os mercados estão oscilando em grande parte porque a alta recente que testemunhamos foi estranha.

Essa alta reverteu uma onda de vendas do início de ano e retirou as preocupações sobre: a China; condições financeiras mais apertadas; o fraco crescimento econômico; e a queda dos preços das commodities.

No entanto, o processo foi cheio de contradições e confusão. Quantas vezes as ações, títulos do governo e ouro subiram juntos? Como o iene se valorizou mesmo quando a economia japonesa está enfraquecida? Como o petróleo subiu 67%, enquanto os produtores se esforçam para encontrar lugares para armazenar o excesso de oferta?

Culpem os anos de baixo crescimento econômico, por consequência das distorções causadas pelo estímulo do FED. As regras normais de investimento têm sido abaladas, fazendo com que os mercados de títulos preveem lentidão, enquanto as ações esperam por recuperações, e mercado de moedas se movem por conta própria, cada vez mais deslocado de fundamentos econômicos ou da direção do banco central”...


O artigo segue com análises em cada um dos segmentos apontados acima, elencando os riscos das altas se reverterem. Caso tenha interesse em ler, veja o link a seguir markets-a-place-where-nothing-makes-sense.

O meu objetivo não é questionar os motivos destas distorções apontadas pelo WSJ, haja visto que venho expondo seguidamente sobre essas investigações. Na minha avaliação, acredito que o que está acontecendo é uma repulsa aos baixos níveis de remunerações de curto prazo, no qual o sistema mundial encontra se atualmente. Os investidores buscam algum retorno de maneira frenética.

Como no caso do Bamerindus acima, isso pode acabar mal, vai depender do cenário futuro. Se as economias se recuperarem de forma razoável desencadeando uma ação por parte dos bancos centrais para normalizar os juros, o resultado desses ativos será ruim para alguns como os títulos do governo e ouro e incertos para outros como a bolsa. Se por outro lado, as economias continuarem cambaleando o risco de uma deflação se eleva, colocando todos os ativos dentro de um mesmo barco, afundando! Um detalhe, acredito que caso esse último cenário de concretize, podemos aguardar inúmeras alquimias pelas autoridades monetárias, como a que comentei no post helicópteros-sem-limites.

No post elevação-improdutiva-da-populaçãofiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...”se romper o intervalo entre 2.100 – 2.130, deverá subir forte. Vou propor um trade caso aconteça”...

Como vocês podem observar, por enquanto a aproximação do intervalo citado acima ocasionou em mais uma tentativa sem rompimento. Caso a retração dos últimos dias continue, até o nível de 2.000, não vejo grandes preocupações,  uma alta poderá ocorrer logo em seguida. A observação feita no post acima continua válida: ...”opinião dos investidores, encontram-se ou com posição vendida na bolsa, ou menos expostos. Caso o mercado ultrapasse o nível de 2.100, a alta poderá ser expressiva...”

Ainda continuo com uma expectativa de alta, e somente abaixo de 2.000 teria que avaliar novamente.

- David, então se você está tão confiante, por que não compra de uma vez!
Não sei de onde você tirou que eu estou confiante! Só disse que acima de 2.130 o SP500 deveria subir forte, mas antes ele tem que fazer sua lição de casa. Por enquanto estamos só observando quem vai ganhar esta batalha entre os “lógicos” e os “sem juros”! Hahaha... Não sei quem será o vencedor, por isso, respeito os preços.


O SP500 fechou a 2.050, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,5407, com queda de 0,16%; o EURUSD a 1,1401, com queda de 0,73%; e o ouro a US$ 1.276, com queda de 0,15%.
Fique ligado!

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