Inflação: A Revanche

16 de agosto de 2016

Conservador x Arrojado


O post de hoje é um apanhado elaborado por Jeffrey Ptak, analista especializado em finanças comportamentais.

O SP 500 subiu até agora 270% dos pontos mais baixos alcançados em março de 2009, mas quantas pessoas foram realmente capazes de colher esses ganhos? Nos 89 meses desde que o mercado atingiu a mínima, os investidores tiveram uma tonelada de informações lançadas contra eles. Desde a ameaça Fiscal, a desaceleração da China, e o calote da Grécia, inúmeras preocupações parecia apenas desfocar os fatos. E, infelizmente, muitos investidores permitiu que esses medos conduzissem suas decisões. Desde março de 2009, o maior ETF SPY - SP 500, obteve um retorno anualizada de 18,08%. Mas durante esse tempo, os investidores nesse ativo ganharam apenas uma rentabilidade anualizada de 11,82%. A diferença entre 18,08% e 11,82% ao longo de 7,5 anos, resulta em uma diferença gritante de 115%!

A desatenção é potencialmente mais prejudicial para o resultado financeiro. A recessão de duplo mergulho, que chegou assustando pela primeira vez em 2010, e depois retornou em 2011. A seguir, não por coincidência, uma pesquisa no Google para "recessão de duplo mergulho", teve seu ápice depois que as ações já tinham declinado.


Os investidores gastam muito tempo “lutando a última batalha”, por isso é compreensível que depois de uma queda de 58% em ações e a pior contração de negócios desde a Grande Depressão, qualquer declínio do mercado levanta receios de "here we go again".

A possibilidade do duplo mergulho veio pela primeira vez à cena em 2010, quando o SP 500 caiu 17%. E devido à gravidade da grande recessão, não prestar atenção às notícias financeiras, não era uma opção realista. Abaixo estão algumas citações retiradas para mostrar o quão difícil era para ficar investido na bolsa.

Em junho de 2010 a CNN capturou perfeitamente o humor do momento: 
"A crise da dívida da Europa" 
"As empresas ainda não estão contratando"
"O derramamento de petróleo do Golfo"
"Os tempos são incertos para dizer o mínimo".

Um artigo da Forbes de março de 2010 reportou: “Esteja preparado para um duplo mergulho”. Nouriel Roubini, a maior estrela daquele momento disse: "Já em agosto de 2009 expressei minha preocupação num artigo do Financial Times sobre o risco de um duplo mergulho".

Em um artigo do New York Times em maio de 2010 cujo título era: “O medo pode causar uma queda real”, o economista Robert Shiller, ganhador de um prêmio Nobel perguntou: "Será que as pessoas continuam a acreditar no mercado, agora está extremamente caro?"

Acontece que esses medos nunca chegaram a se concretizar, e a bolsa americana subiu 35% no ano seguinte. A cinco anos atrás, esta semana, a Standard and Poors retirou a classificação de AAA para os títulos governamentais americanos pela primeira vez. O SP 500 respondeu com uma queda de mais de 4% três vezes em cinco dias. As previsões para uma recessão de duplo mergulho cresceram ainda mais forte, ocasionando a queda de 21,6 % do SP500.

Este artigo mostra a dificuldade de se posicionar quando o medo prevalece no noticiário, o mais confortável é ficar fora do mercado. Por outro lado, pode-se perder oportunidades importantes de ganhos, como nesse caso que representou uma diferença de 115%. Vocês devem estar se perguntando, mas qual é o correto, comprar e passar um tempo na lua para não ler as notícias? Minha experiência diz que não tem certo ou errado, nem que uma experiência pode ser generalizada. Agora o gráfico acima que relaciona o movimento da bolsa com a pesquisa no Google é de grande valia. Eu digo que, quando um assunto econômico de relevância é noticiado no Jornal Nacional com alarde, está na hora de apostar no contrário, lógico, sempre quando em concordância com os gráficos.

Eu tenho mostrado diversas vezes no Mosca o crescimento do mercado de ETF, que são comumente conhecidos como fundos passivos. O mercado americano é certamente o pioneiro, o volume e a quantidade de fundos já ultrapassa os fundos ativos. Um relatório publicado pela Bloomberg revelou algo surpreendente, veja a seguir.


O maior detentor de quotas desses fundos, pasmem vocês, é o BOJ, banco central japonês. Através das emissões estratosféricas de moeda para reanimar, ou melhor, não deixar morrer a economia japonesa, utilizou esses recursos para investir em mercados de risco, como se fosse um hedge fund. Fico só pensando se com uma dívida acima de 250% do PIB, pagando juros negativos e atolado de ativos de risco, o que aconteceria se a inflação começasse a subir por lá, e por causa disso, tivessem que subir os juros. Sinto calafrios!

O SP500 está subindo a passos de tartaruga, desde que entramos na posição em 01/07, muito pouco foi acrescentado. Mas é principalmente a partir de 01/08 que a volatilidade praticamente inexiste, com níveis nas mínimas históricas.


No post o-Japão-precisa-de-adrenalina-para-sempre, fiz os seguintes comentários: ...”os targets estão anotados no gráfico abaixo, vamos nos atentar ao primeiro ao redor de 2.220. A bolsa americana encontrava-se “encaixotada”, a aproximadamente dois anos, entre 1.850 – 2.130”...

Já fizemos uma atualização do stoploss para 2.140 e como se pode perceber o primeiro objetivo já está bem próximo. Mas nesse ritmo lento poderia demorar algumas semanas. Acredito que a volatilidade deverá atingir níveis mais razoáveis a partir de setembro, término das férias por lá.


- David, não estou entendo, é para liquidar se chegar nesse nível?
Sempre que se estabelece um target, você poderá decidir por dois caminhos, o primeiro é liquidar e embolsar esse lucro, ou seguir em frente com uma atualização do stoploss. Por exemplo, esse ano o Mosca fez um call no bum-bum da mosca, ao indicar um trade do Bovespa a 38.000. Acontece que resolvi liquidar a posição quando atingiu o target, e depois disso a bolsa continuou subindo. Nesse caso, o melhor seria ter optado pelo segundo caso ao invés do primeiro.


Mas se tivesse acontecido o contrário, e a bolsa recuasse depois da liquidação, poderíamos ter entrado de novo e alavancado o lucro em dobro, com a venda e depois com a compra a preços mais baixos. 

Não tem certo e outro errado, são estratégias diferentes de administrar seus resultados, ser mais conservador liquidando, ou mais arrojado continuando no trade. Defina seu estilo e vá em frente, algumas vezes vai dar certo uma, e em outras a outra. O mais importante é proteger o capital e não ficar p&@o de ter perdido uma oportunidade, qualquer que seja, pois existirão infinitas outras à frente.

O SP500 fechou a 2.178, com queda de 0,52%; o USDBRL a R$ 3,2020, com alta de 0,52$; o EURUSD a 1,1272, com alta de 0,80%; e o ouro a US$ 1.6, com alta de 0,58%.
Fique ligado!

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