Inflação: A Revanche

15 de agosto de 2016

Crescimento anêmico


Sem um crescimento sustentável para o mundo, a situação dos bancos centrais ao injetar quantidade anormais de liquidez nas economias de seus países, pode se tornar irreversível. Quando as autoridades monetárias decidiram por esse caminho, sua intenção era de temporariamente deprimir as taxas de juros a fim de incentivar os investimentos e consumo. Porém não parece ser isso o que acontece, eu classificaria o crescimento mundial de anêmico. Vejamos os últimos dados, incialmente o Japão publicou o seu PIB no 2º trimestre e o resultado foi de 0,2%, que ficou aquém das expectativas de 0,7%.


O governo buscou de maneira frenética manter os resultados recentes que apontavam para um crescimento anual ajustado de 1,7%. Entretanto, nos meses seguintes, a desaceleração na China e o voto do Reino Unido para abandonar a união europeia, pesou em sua economia. Com a implementação de juros negativos a intenção era enfraquecer sua moeda, porém acabou acontecendo o contrário, o que teve impacto em suas exportações.

A Europa por sua vez está mantendo um crescimento do PIB, em níveis insuficientes para incentivar o ECB a estancar seu programa de compra de títulos governamentais e privados. Como pode-se verificar a seguir, o maior impulso veio da economia espanhola, seguido por um crescimento baixo da Alemanha. Porém, ambos foram insuficientes para contrabalançar os resultados decepcionantes da França e principalmente da Itália.


Além disso, mesmo depois de uma desvalorização elevada do euro nos últimos tempos, as exportações não decolaram, sendo a balança comercial um fator negativo.

 

Um resultado surpreendente é apresentado a seguir, se as capitais dos países europeus fossem retiradas da estatística do PIB, todas os países teriam contração, exceção à Alemanha. Uma dependência perigosa numa única cidade.




E por último, a observação da projeção para o PIB americano neste trimestre ainda aponta para um resultado robusto de 3,5%, embora a experiência nos mostre que ainda é cedo para comemorar.


Por outro lado, num cenário de mais longo prazo os economistas apontam um crescimento de 2% a.a. nos próximos trimestres. Além do fato de haver uma indicação de recessão (em vermelho), esse nível ainda não é suficiente para tranquilizar os mercados.



Depois de haver completado oito anos da recessão que se iniciou em 2008, as economias ainda não conseguiram se recuperar aos níveis desejados, quando considerados os elevados níveis de endividamento e crescimento da população. A China por sua vez, que é peça importante também, desacelerou seu ritmo, e vem crescendo aquém do almejado. Os BC’s lutam com as armas que têm e que não têm para evitar um ambiente deflacionário, porém com o passar do tempo, os investidores vêm perdendo a esperança e acabam dirigindo suas apostas nessa direção. As taxas de juros já espelham essa possibilidade e a cada dia que passa, novos títulos negociam com juros negativos.

Juros por princípio não têm uma reação assimétrica entre o positivo e o negativo. No lado positivo, um BC com um mínimo de credibilidade e liberdade consegue estancar uma espiral ascendente, vai subindo os juros até que estanca a alta. Foi assim que aconteceu em diversas ocasiões e em diversos países. Do lado negativo, só é possível aceitar uma taxa negativa de -2% a.a., ou -3% a.a., se esse país passa por numa grave crise econômica, caso contrário, em algum momento uma espiral inflacionária deveria florescer.

Essa é a razão de tanta insegurança observada nos mercados, pois dependo do caso, o prejuízo para quem detêm esses títulos pode ser significativo, caso a inflação comece a subir, e o BC reverter seu curso de política monetária, passando de juros negativos para positivos.

No post ego-x-conhecimento, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” Caso não haja uma reversão de curto prazo e essa queda tenha sido um false break, o nível de R$ 3,10 deve ser atingido nos próximos dias. Entretanto, parece que o nível de R$ 2,80 poderia ser um ótimo nível do ponto de vista técnico, várias confluências”...


Eu enfatizei uma situação que gostaria de reforçar entre meus leitores, a de que não dá para descartar quedas mais profundas, embora não sejam meu cenário básico: ...”Se, o dólar atingir o nível de R$ 2,80 e mesmo assim continuar caindo, coloca-se em cheque minha ideia sobre o futuro do dólar. Abaixo de R$ 2,50 o movimento de alta de longo prazo estará comprometido! ”...


Na semana passada o dólar, depois de atingir a mínima de R$ 3,12, ensaiou uma recuperação fechando na sexta-feira próximo a R$ 3,20. Esse movimento não é suficiente para reverter a tendência. Como anotei no gráfico acima, é necessário ultrapassar a região de R$ 3,30 – 3,35, para considerar essa possibilidade, até lá, novas baixas são mais prováveis.

O BCB vem atuando diariamente na recompra dos contratos de swaps de dólar, inclusive aumentando o volume. Continuado a agir dessa forma, em outubro todo o volume seria zerado. Hoje já se encontra abaixo de US$ 50 bilhões. O Ilan fazia parte da equipe do BC quando Armínio Fraga era seu Presidente, e naquela época, antes da eleição do Lula, o mercado ficou muito inquieto. A autoridade monetária implementou um programa de venda de contratos de swap num volume de US$ 50 milhões/dia, foi denominado de “ração diária” pelo mercado. Eu chamo as colocações atuais como “Armínio elevado a potência -1”, expressão que se usa em matemática para indicar uma função inversa a original. E para ser mais matemático ainda “tudo elevado a décima potência”, uma vez que, está comprando US$ 500 milhões por dia.
- David, e como você quer que os seus leitores, que não conhecem de matemática, entendam essa sua divagação? Hahaha ... 
A atuação é grande e inversa aos tempos de crise.

Para terminar o post de hoje, que admito ficou extenso (desculpe mais tinha assunto), quero frisar que, primeiro o BC pode decidir continuar com os swaps reversos, mesmo que o estoque seja zerado; segundo e mais importante, o mercado agora aposta forte que haverá uma grande entrada de recursos depois do anúncio do impeachment, pois por enquanto, as entradas se observam somente pela balança comercial enqunato os dados financeiros são negativos. Lembram daquela frase “sobe no fato e cai no boato”? Pois bem, ela pode ser aplicada nesse caso a potência -1 também, “cai no boato e sobre no fato”! Hahaha ....


O SP500 fechou a 2.190, com alta de 0,28%; o USDBRL a R$ 3,1843, com queda de 0,23%; o EURUSD a  1,1180, com alta de 0,21%; e o ouro a US$ 1.339, com alta de 0,28%.
Fique ligado!

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