Inflação: A Revanche

4 de agosto de 2016

Efeito Manada dos BC's


Depois de ter se afastado do “clube dos helicópteros” – nomenclatura criada pelo Mosca para identificar os países envolvidos em programas de injeção de moeda, a Inglaterra resolveu hoje juntar-se novamente ao clube: USA, Japão, Europa, Suíça e devo estar esquecendo de alguns outros de menor relevância nesse quesito. É verdade que Carney, o presidente do BOE recebeu uma bomba em seu colo, afinal a votação do Brexit deve ser completamente contra seus desejos. Mas é pago para presidir o banco central londrino, então não tem o que reclamar.

O que é interessante hoje em dia, é que qualquer problema na economia de um país, a solução dada pela autoridade monetária é emitir moeda: Caiu o PIB, emite moeda; desemprego aumentou, emite moeda; o futebol está mal, emite moeda! Hahaha... Será que não percebem que não está funcionando? Mas parece que existe certo conforto entre esses BC’s, que é melhor estar junto da maioria que tentar algo diferente, uma reação do tipo que se der errado dará para todos, o que em finanças se denominaria efeito manada, o mesmo efeito quando investidores resolvem comprar freneticamente uma ação por que todo mundo está comprando.

Se fosse aplicado o seguinte teste a um grupo de universitários de qualquer área, qual seria a resposta escolhida?

“Se o banco central de um governo, resolve emitir moeda, qual você acha que seria o impacto na inflação? ”
a) Permanece igual.
b) Cai
c) Sobe

Só não daria 100% de resposta c) para aqueles estudantes mais “espertinhos”, que achariam tão óbvia a resposta que só poderia ser uma pegadinha, razão suficiente para não votar na c).

Voltando a situação da Inglaterra, Carney deixou claro que o BOE não consegue neutralizar impactos estruturais, ou seja, disse em outras palavras que a consequência da decisão absurda feita pela população não poderá ser imputada a ele, vai tentar o melhor possível, vejam a seguir as principais medidas.



Na coletiva com a impressa reforçou que todas essas medidas poderão ser aumentadas, e os juros diminuídos a vontade, caso a economia entre em recessão. As consequências nos mercados foram imediatas, e já conhecidas de todos, moeda para baixo e bolsa para cima. A moeda para baixo até é compreensível, nesse caso pelo menos a lei da oferta e da procura parece ainda funcionar, mas pensem bem se fundamentalmente a bolsa deveria subir, uma vez que, a economia deve piorar. Mas tudo bem, essa é a dança atual, BC injeta, vamos para o risco, mesmo se o risco apontar para resultados piores no futuro.

Hoje estou um pouco ácido, é de certa forma, é o reflexo do que os mercados também estão percebendo, os BC’s estão perdendo sua credibilidade. Antigamente, uma frase muito respeitada pelos investidores “Don´t fight the FED”, que quer dizer não “peite” o FED, era um mantra. Hoje em dia isso está mudando, só como exemplo notem a disparidade entre os juros projetados pelos mercados e pelo FED. E no Japão, que o BOJ tenta a todo custo derrubar o valor do Yen e ele sobe.

Se esse viés de não respeitar os bancos centrais continuar, não antevejo um cenário de calmaria para o futuro, e nem tampouco de muita previsibilidade, pois se o mercado apostar contra os BC’s o que pode acontecer?

No post contas-cambiais-no-limite, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” No momento a tendência permanece de queda e teoricamente poderíamos entrar vendendo novamente o dólar, porém seria uma posição de curto prazo, especulativa. No gráfico acima apontei o nível de R$ 3,18 onde o movimento deve se acelerar. No caso inverso, somente uma alta acima de R$ 3,45, comprometeria a queda”....


Depois de ficar os últimos dias contido num intervalo muito restrito, hoje o dólar resolveu mostrar a que veio, cair, o que está de acordo com a visão do Mosca. Mas todo cuidado é pouco, e não dá para cantar vitória enquanto o limite de R$ 3,18 for rompido. Não podemos esquecer que amanhã é um dia importante, não só pelas Olimpíadas, mas pelo anúncio dos dados de desemprego. Pelos gráficos, os dados não devem ser muito bons para o dólar. Para quem está vendido, dedo no gatilho, mas sem ansiedade, haja como um sniper! 



O SP500 fechou a 2.164, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1935, com queda de 1,37%; o EURUSD a 1,1128, com queda de 0,17%; e o ouro a US$ 1.360, com alta de 0,24%.
Fique ligado!

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