Inflação: A Revanche

25 de agosto de 2016

Dólares embaixo do colchão


O termo usado no post de hoje é muito conhecido por todos. O seu uso literal remete ao passado, quando em situações de ameaças as pessoas guardavam suas poupanças embaixo de seus colchões. É dessa forma que podemos ver a situação brasileira nesses dois últimos anos, onde nossas reservas se mantiveram intactas mesmo com graves riscos internos e externos. Isto permitiu que, embora o real sofresse uma desvalorização significativa ao final do ano passado, as cotações voltaram aos níveis condizentes com seus pares.

Vocês devem lembrar que o tema do Mosca para o ano de 2015 foi se o real seria afetado pelo efeito que denominei de “Dilma” ou “dólar-dólar”, em outras palavras, a dúvida seria se as cotações do real seriam afetadas pela situação interna ou externa.

Para que vocês percebam claramente como o efeito “Dilma” predominou naquele ano, a seguir encontra-se a comparação do real em relação ao peso mexicano e o ringt sul africano.



A linha verde indica a cotação relativa entre essas moedas e o real, quando em queda, significa uma queda do real relativamente a essa moeda. É nítido a deterioração durante 2015. Somente a partir da possibilidade mais concreta do impeachment da Presidente Dilma, houve uma reversão. Notem também, que ambas se encontram em termos relativos nos níveis de 2013, quando o “dólar-dólar” passa a subir mais forte. As cotações em preto são as cotações dessas moedas em relação ao dólar - uma alta sginifica uma desvalorização da moeda.

O déficit em transações correntes brasileiro iniciou um movimento de reversão um pouco mais atrasado, no início de 2015, porém de forma expressiva como se pode verificar no gráfico a seguir. Levou um tombo!


A última publicação dos dados cambias, referente ao mês de julho, aponta um déficit de US$ 27,9 bilhões (1,57% do PIB) em 12 meses, uma fração do pico de US$ 105 bilhões. Outro fator que venho apresentando mensalmente, é a estabilidade dos investimentos diretos, cujo volume é de US$ 72 bilhões (4,1% do PIB) em 12 meses, embora pontualmente o resultado mensal foi de apenas US$ 78 milhões em virtude do pagamento de US$ 4,5 bilhões do Bradesco pela compra do HSBC.

Acredito que a forte reversão ocorrida no real foi consequência de dois fatores, o primeiro e fundamental foi o processo de impeachment, que deve terminar em poucos dias, e segundo a política do BCB de colocar os dólares embaixo do colchão e não permitir que nos momentos mais críticos fosse levado por reações emocionais de “segurar” o câmbio através da venda de reservas. Essa instituição pode ser criticada pela colocação do volume expressivo de swaps cambias, eu não concordo, pois se assim não tivesse agido, as cotações do real iriam para lua e ocasionariam prejuízos e quebras de empresas desnecessárias.

No post biticoin-é-confiável, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” o Bovespa encontra-se agora próximo a um ponto muito importante, com uma visão de longo prazo”... ...” só resta saber se o Bovespa vai seguir em frente e buscar níveis mais elevados e porque não, acima de 73.000, ou retorna ao movimento de baixa que perdura desde 2010. Vamos acompanhar as próximas semanas, mas tenho a impressão que não será fácil esse rompimento”...


Esse é um caso interessante onde é importante analisar o gráfico de longo prazo, mas também o de prazo mais curto. No de longo prazo houve o rompimento da linha, o que poderia indicar que o movimento de alta iria continuar.


Mas no de prazo mais curto havia uma zona de confluência, que indicava uma forte resistência a ser superada – em azul claro. Nesses últimos dias a bolsa sofreu uma pequena reversão, consequência do exposto acima.


Os dados de momentum são fortes, aconselham continuidade da alta, isso indicaria que, o que estamos assistindo agora, é uma pequena correção, e em seguida o Bovespa deveria continuar subindo. Calculo que esse nível seria entre 56.000/55.500, vale uma compra com stop a 53.000. Se o stop for executado, a correção deverá ser mais extensa e demorada. Neste caso vamos ficar observando.

Vou complicar a vida de vocês, pois existe ainda outra possibilidade, a de uma alta sem que o nível acima – 56.000/55.500 - seja atingido, nesse caso a compra deveria ser feita a 60.000, com stoploss a 57.000, desde que, o índice feche acima desse nível.


É compra para todo lado! Hahaha...

O SP500 fechou a 2.172, com queda de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,2361, com alta de 0,36%; o EURUSD a 1,1279, com alta de 0,16%; e o ouro a US$ 1.321, com queda de 0,15%.
Fique ligado!

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