Inflação: A Revanche

24 de agosto de 2016

Brexit: O mercado estava errado?


Há exatos dois meses foi anunciado o resultado do referendum que chocou o mundo financeiro, isso aconteceu por dois motivos, primeiro as pesquisas não davam conta de tal resultado e segundo que o mercado não queira nem pensar nessa hipótese que considerava péssima. A Gavekal, empresa de renomada competência em assuntos econômicos, publicou um relatório contendo seus motivos para a impressionante repercussão no preço dos ativos, ocorridas nesse período.

1) Os dados econômicos tem sido ainda mais favoráveis aos investimentos em ações e o euro, que era antes de 23 de junho. A China, zona do euro, e a Grã-Bretanha, ela própria, desafiou as previsões econômicas mais pessimistas que prevaleciam nos primeiros meses do ano. Mas a notícia mais importante para os mercados é sempre sobre a economia dos EUA e os dados divulgados desde 23 de junho tem sido especialmente encorajador. 

Não é por acaso que a queda abrupta pós-Brexit da libra reverteu e o SP 500 eclodiu a nova recordes depois do anúncio dos dados de emprego em julho. Também contribuiu os números chineses e da União Europeia desde junho, que foram decentes. Nenhum dado oficial do Reino Unido confirmou até agora, o colapso no consumidor e da confiança empresarial implícitos por pesquisas.


2) Os investidores podem agradecer aos céus a política monetária em vigor. A combinação de um crescimento global decente com a incerteza sobre o futuro sobre o Brexit transformou a política de juros de "quanto mais baixo for" para “baixo para sempre". A combinação de crescimento constante com baixa inflação já não pode ser descartada como um conto de fadas e agora parece como uma forma permanente de vida. 

No mundo pós-Brexit, eventos impensáveis anteriormente, como taxas de juros negativas não parece surpreender, nem tampouco incomum. NIRP – “Negative Interest Rate Policy” aterrorizava os investidores na Europa e no Japão alguns meses antes, agora ela é aceita como uma característica permanente do "New Normal "e os bancos estão ajustando suas estratégias de negócios para lidar com esse cenário.

3) O contexto político do Brexit foi interpretado de uma forma muito diferente do que a maioria das pessoas esperavam. Na Grã-Bretanha, um novo primeiro-ministro tomou rédeas da situação mais rápido do que parecia possível. A capacidade de Theresa May para lidar com o novo trabalho ainda não foi testada. Será desafiada a gerenciar sua maioria parlamentar quando as negociações do Brexit começar. 

Mas no momento, os investidores e a opinião pública estão ignorando tais detalhes, em parte porque o cronograma do Brexit se estende além do horizonte dos investidores, como parece ser possível, que o Reino Unido atrase o início do processo em até dois anos, o final de 2017, após as eleições na Alemanha e França. Se este for o caso, então a Grã-Bretanha permanecerá na UE até o final da década, o que, em termos de normalidade é considerado longo prazo e demasiado distante para que sejam levados em conta nos cálculos. 

Ninguém pode dizer neste momento se esta recém descoberta Indiferença ao Brexit vai passar a ser o realismo bem fundamentado, complacência ou pensamento positivo, mas não é definitivamente a atitude que se esperava nas horas em pânico imediatamente após a votação.

4) Quando o inesperado acontece, os mercados muitas vezes sofrem uma reação de pânico no curto prazo, mas, em seguida, retornam à normalidade a médio prazo. A razão pela qual as estratégias de tendências tendem a serem bem-sucedidas, é que os preços podem levar muitos meses para refletir plenamente grandes mudanças nos fundamentos. Os investidores muitas vezes passam anos em negação sobre histórico, transformações que quase ninguém previu ou ninguém plenamente entende. 

O Brexit ainda poderá vir a ter sido uma mudança tectônica deste tipo, especialmente se ele é seguido por revoltas antielitistas em outros países. Pode ser, em outras palavras, que o comportamento do mercado nesses dois meses é mais um guia para o futuro do que foram os primeiros meses de negociação após o início dos rumores da crise do subprime em 2007 ou o estouro da bolha da internet em 2000.

Em suma, uma continuação do mercado de alta das bolsas, alimentado pela expansão dos EUA e a política monetária super estimulante, é o mais provável cenário para o próximo ano. Mas com a eleição nos EUA e o referendo italiano a apenas dois meses de distância, todas as consequências do Brexit são difíceis de deduzir, com o nível das ações sendo maior do que nunca. Cautela parece mais apropriado do que coragem, pelo menos até que se saiba o nome do próximo presidente dos Estados Unidos.

A análise deste relatório é bem estruturada, mas não permite nenhuma conclusão definitiva. Por outro lado, seu pensamento está de certa forma enviesado pelo fato de o mercado ter reagido de forma totalmente diferente do que esperava.

As posições dos investidores no mercado de ouro e prata atingiram níveis bastante elevados. Normalmente nessas situações o ativo tem dificuldades de seguir em sua trajetória e acabam acontecendo realizações. Se o mercado é realmente de alta (ou baixa), deve se aproveitar esses momentos para entrar, e é isso que venho buscando fazer nesses últimos meses sem sucesso.

No post china-on-side-line, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...”mantenho as mesmas recomendações acima. Aumentou levemente a chance de comprar um pouco mais barato – US$ 1.250/US$ 1.200. Neste mês de férias do hemisfério Norte normalmente não acontece muitas oscilações. Mas nossos parâmetros são técnicos e caso os preços atinjam os estabelecidos vamos agir” ...


Desde essa publicação, o metal ficou contido num intervalo restrito e hoje está sofrendo uma queda, embora pequena. Esse movimento, pode estar dando início a correção tanto almejada pelo Mosca.


Eu anotei em verde o que eu espero, uma queda até US$ 1.250, ou no próximo ponto a US$ 1.210. Em alcançando esses preços, é bem provável que darei sugestões de compra nessa região.

- David, porque você não mete ficha, como está acostumado a dizer, e vende agora!
Parece que você quer me provocar, eu fiz toda uma argumentação que estou esperando uma queda para comprar, e achei que deixei implícito que o ouro vai subir mais frente. Sua sugestão não está errada, mas não é adequada para meus leitores, que precisariam estar acompanhando mais atentamente os mercados. Se for o seu caso, é uma sugestão válida com stop curto, pois é fundamental que o metal negocie abaixo de US$ 1.310, para que eu tenha chance em minha estratégia, caso contrário ainda pode subir acima de US$ 1.375.  


Na próxima sexta-feira, a Presidente do FED, Janet Yellen fará um discurso no encontro anual de política econômica, promovido pelo Federal Reserve Bank de Kansas. Esse dia é bastante esperado pelo mercado e promete tirar todos os traders da piscina para acompanhar.  O motivo dessa ansiedade são as recentes declarações de alguns diretores do FED indicando que não se deve descartar uma alta de juros agora em setembro.

O SP500 fechou a 2.175, com queda de 0,52%; o USDBRL a R$ 3,2246, com queda de 0,24%; o EURUSD a 1,1261, com queda de 0,37%; e o ouro a US$ 1.323, com queda de 1,13%.
Fique ligado!

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