Inflação: A Revanche

8 de agosto de 2016

Ego X Conhecimento

Depois do anúncio dos dados desemprego muito animadores, as probabilidades de elevação dos juros pelo mercado subiram, situando-se em 50%, veja no gráfico a seguir.


Outro acompanhamento que vem animando os investidores é a estimativa do PIB, feita pelo FED de Atlanta, que mesmo com o erro do mês passado, ainda é uma fonte que o mercado segue atentamente.

Como se pode observar na ilustração acima, encontra-se muito acima das previsões dos economistas e num nível animador 3,5%.

Para quem acompanha os títulos de empresas e bancos brasileiros no exterior, devem estar impressionados com a alta desses títulos – queda dos juros, nos últimos meses. O gráfico a seguir não deixa dúvida, um fluxo enorme tem sido canalizado para os mercados emergentes. Certamente os juros negativos de vários países desenvolvidos estão “empurrando” os investidores na busca de algum juro, e nesse caso, os juros dos emergentes estavam excessivamente elevados. E o risco? Bem, eles nem querem pensar nisso agora.


Hoje vou transcrever parte de um artigo publicado por Brett Steenbarger, Ph.D em psicologia e com foco em mercados financeiros.

Uma visão comumente encontrada nos livros sobre a psicologia de negócios, é que boas decisões exigem controlar nossas emoções através da disciplina e autocontrole. Muitos desses mesmos trabalhos falam sobre confiar em seu instinto e não pensar demais nas decisões.

Nossa tarefa como investidores eficazes é domar o ego e não atenuar as nossas emoções. Na verdade, quando nós agimos sem o ego, é mais provável de captarmos o que os mercados estão nos dizendo – Let´s the market speak, como costumo frisar em alguns momentos.

É muito importante fazer a distinção entre a compreensão e previsão. Os gestores buscam entender o comportamento do mercado a partir do zero, ouvindo os mercados, da mesma forma que ouvimos as pessoas, quando procuramos entendê-las. Quando se tornam desconfortáveis com a incerteza do mercado, buscam a falsa segurança nas previsões. Eles se focam em análises de longo prazo, e param de ouvir o que os mercados estão tentando nos dizer.

Por que os gestores se tornam tão enamorados com a previsão? Talvez seja porque a previsão é toda sobre nós. Nós somos os únicos que projetamos os movimentos dos mercados.

Quando se obtém um acerto de previsão, sempre se ouve elogios de outros sobre a "boa dica." Quando se é um psicólogo que ouve seus clientes, ajudando-os a fazer mudanças em suas vidas, acessando pontos fortes que eles não perceberam que tinham, ninguém os elogia. Como psicólogo, não é sobre ele, o ego é colocado tão longe quanto possível. Trata-se de ouvir os outros e descobrir essas forças ocultas.

Emoções tornam-se problemas nos investimentos quando seguem o envolvimento do ego nas decisões. Se estiver fazendo um call do mercado, a procura de autovalidação por ter antecipado um movimento de mercado, será particularmente frustrante quando esse movimento não se materializar.

Se uma decisão é o resultado da percepção do que o mercado está te dizendo e não é sobre nós, se estiver errado, não se sentirá como sendo estúpido. Estar errado se torna informação. Ela nos diz que temos que ouvir melhor, de uma forma diferente.

Como é irônico quando um mercado nos diz para operar numa direção e dobrar a aposta, quando temos uma convicção contrária. Ouvindo os mercados e seguir a sua liderança requer a máxima de humildade e mente aberta. O investidor com convicção suprema é o mais provável de ficar cego quando os mercados viram.

Talvez a melhor estratégia de negociação de todos é viver uma vida plena fora dos mercados. Se você não precisa dos mercados para sua autovalidação, será menos propenso a procurar essas "boas dicas" com o intuito de receber elogios, e não será compelido a fazer sua indicação da cotação do dólar de acordo com seu desejo pessoal. E quando insistimos em querer liderar as previsões dos mercados, estaremos mais propensos a tropeçar quando a “música” muda.

No post efeito-manada-dos-BCs, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...”No momento a tendência permanece de queda e teoricamente poderíamos entrar vendendo novamente o dólar, porém seria uma posição de curto prazo, especulativa... ...”o nível de R$ 3,18 onde o movimento deve se acelerar”... Na sexta-feira, rompeu esse limite, expondo os próximos pontos a R$ 3,10 e após R$ 2,80..."


Caso não haja uma reversão de curto prazo e essa queda tenha sido um false break, o nível de R$ 3,10 deve ser atingido nos próximos dias. Entretanto, parece que o nível de R$ 2,80 poderia ser um ótimo nível do ponto de vista técnico, várias confluências.

- David, boa dica, já vou deixar minha ordem de compra de dólar, afinal, depois do sufoco no final do ano passado, não quero perder esta grande oportunidade.

Olha, eu publiquei parte do artigo acima, para alguns amigos, mas não pensava que se encaixava no seu caso também! Pode parar por aí, não ponha ordem nenhuma! Observe o que o mercado estará te dizendo, e não importa seus desejos ou opiniões. Só para adiantar algumas possibilidades que existem: Se, o dólar atingir o nível de R$ 2,80 e mesmo assim continuar caindo, coloca-se em cheque minha ideia sobre o futuro do dólar. Abaixo de R$ 2,50 o movimento de alta de longo prazo estará comprometido!

- Você está louco, acredita que o BC deixaria isso acontecer?

Se você tem lido as declarações do Ilan não deveria apostar que o BC vai estabelecer um piso para o dólar.

- Mas o que poderia derrubar tanto assim o dólar.


Eu não costumo fazer esse raciocínio inverso, ou seja, tentar adivinhar um fato para justificar os preços. Mas só para lembrá-lo, existem duas possibilidades de enfraquecimento do dólar uma externa e outra interna, a externa pode ser um fiasco do FED na elevação dos juros e interna a repatriação de recursos por parte dos brasileiros. Eu estimo um valor entre US$ 25 a 30 bilhões, e se o BC não comprar esses dólares, sai de baixo!

O SP500 fechou a 2.180, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1683, com alta de 0,16%; o EURUSD a 1,1077, sem variação; e o ouro a US$ 1.355, sem variação. Todos os ativos sem variação, que tédio!
Fique ligado!

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