Inflação: A Revanche

23 de agosto de 2016

Distorções por todos os lados

Uma distorção é causada pela ação de um agente de mercado com suficiente poder de alterar a lógica prevalecente. Um exemplo que me vem à memória é o caso da prata quando a família Hunt, a mais rica da época, tentou deixar o mercado em corner. Seu objetivo era se proteger da emissão desvairada de dólares pelo governo americano. Eu anexei o link hunt-brothers-and-silver-story, caso queriam saber em detalhes esse acontecimento. Em resumo, levaram os preços da prata de US$ 5 para mais de US$ 55, num curto espaço de tempo, distorcendo completamente esse mercado, temporariamente.

Grifei a palavra temporariamente, porque quem quer que seja, que busque distorcer um mercado de forma artificial, ou ilógica, em algum momento os preços voltam a situação de equilíbrio.

Hoje em dia, o que mais observo são distorções ocasionadas pelas ações dos bancos centrais. Cada um agindo em seu território criam aberrações que impactam outros mercados, dado a grande integração financeira. Preparei uma série de fatos para justificar meu ponto de vista. 

Vamos começar com o Japão, que talvez seja o precursor nessa área de intervenções, pela estagnação que reina nesse país por décadas. Vejam o gráfico a seguir.


Vou explicar o que os fundos locais e internacionais estão fazendo para gerar juro superior aos dos títulos em dólares. A linha azul representa a taxa de juros dos títulos japoneses de 3 meses, que atualmente encontra-se em -0,24% a.a. A linha rosa, representando os títulos de 3 meses americanos, estão apontados como comparativo de retorno +0,30% a.a. Assim, é esse o retorno para um investidor que quer investir no curto prazo em dólares.

Porém, existe uma forma desse retorno aumentar significativamente com a seguinte operação: 1) comprar os títulos japoneses que rendem em yen -0,24%; 2) Em seguida vender futuro a moeda japonesa contra a americana, transformando esse rendimento futuro em dólares; 3) A distorção no mercado futuro de moedas é tão elevada que permite se chegar a um rendimento total de 1,25% a.a. em dólares, tamanho é o desconto no mercado de câmbio. Esse mesmo tipo de distorção existe para operações feitas em euros.  

O ECB compra títulos privados em seu programa segundo um critério definido. Para atender essa demanda, algumas empresas que se enquadram nesses critérios emitiram bonds com colocação privada direta à autoridade monetária. O gráfico a seguir mostra a diferença de performance que existe agora entre os títulos elegíveis dos que não são.


E o volume não é pouca coisa, veja abaixo a evolução dos volumes de títulos detidos pelo ECB no tempo.


Outro país de menor importância global que estabeleceu um piso para a cotação de sua moeda contra o euro, foi a Suíça. Algumas vezes o banco central foi obrigado a intervir no mercado, vendendo francos suíços e comprando euros. Para sustentar essas emissões fez injeção de moeda, ocasionado uma elevação de sua base monetária, que já excede a marca de 1,00 trilhão de francos suíços, o equivalente a 80% do seu PIB. Só em termos comparativos a americana é de 21% PIB.

 
O Deutsche Bank publicou um relatório, baseado em um estudo acadêmico, onde concluem que os juros reais americanos podem chegar 1% a.a., vagarosamente, desde que o seu PIB não caia abaixo de 2% a.a. Caso isso não aconteça, e o PIB fiquei abaixo desse patamar, é provável que os juros reais se mantenham no patamar atual de 0%. Em termos nominais acrescenta-se a inflação. Resumindo, se pode esperar juros muito baixos por muito tempo, no máximo 3% a.a.

Mas como chegamos nesse ponto de tamanha letargia? Quem tiver a resposta ganha o prêmio Nobel na moleza, além de faturar uma grana preta. Na opinião do Mosca sem direito a esses prêmios, é uma conjunção dos seguintes pontos: fatores demográficos em diversos países; globalização da mão de obra; tecnologia, e excesso de consumo das últimas décadas através de dívidas.

- Boa David, merece um café! Hahaha...

Enquanto as bolsas americanas estão subindo à passos de tartaruga, vamos manter nossa posição inalterada. Com relação aos juros de 10 anos, vou cancelar a proposta de trade de vender os juros a 1,45% old-r-us e inverter de ponta de forma muito oportunista.

- Hahaha..., só quero ver os motivos!

Como citei acima, é muito oportunista, e não vou ter vergonha nenhuma de mudar de ponta, caso esteja errado.

No post precisão-milimétrica, fiz os seguintes comentários com as razões que me fariam manter a mesma sugestão de trade, ou seja, aposta que os juros iriam cair: ...”Vou manter a mesma orientação, desde que, o nível de 1,63% não seja ultrapassado, onde aí sim, seria cancelada essa ordem” ... ...” Disciplina, espere o mercado te dar motivos técnicos suficientes para entrar num trade. Já é difícil ganhar assim, imagine sem critério! ”...

O real motivo de minha mudança de posição está explicado no gráfico abaixo.


Triângulo! Se vocês lembram, mencionei algumas vezes que formações de triângulos indicam indecisão do mercado e que, em 2/3 dos casos, tendem a romper na direção do movimento anterior, que nesse caso é de alta – em verde.


Tenho consciência que esse é um trade contra a direção de queda que está em curso, e que do mesmo jeito que existe uma probabilidade de alta, existe também 1/3 de queda. Mas decidi arriscar, agora só depende do mercado. Let’s the market speak!

O SP500 fechou a 2.186, com alta de 0,20%; o USDBRL a R$ 2,2325, com alta de 0,99%; o EURUSD a 1,1303, com queda de 0,12%; e o ouro a US$ 1.338, sem alteração.
Fique ligado!

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