Inflação: A Revanche

31 de agosto de 2016

Desigualdade


Antes de passar para o assunto de hoje, queria comentar brevemente os dados do ADP anunciados agora pela manhã. Foram criados 177 mil empregos segundo essa fonte, e dentro da expectativa dos analistas. O gráfico a seguir não deixa dúvidas, o emprego encontra-se estável, um pouco inferior a uma média de 200 mil mensais.


Na sexta-feira será anunciado o dado oficial e não deverá apresentar grandes surpresas, a razão dessa suposição é a grande relação que guardam esses dois indicadores, conforme gráfico a seguir.


O fato de que os bancos centrais proporcionaram bem-estar para os ricos, agora entra em foco. Até o The Wall Street Journal publica críticas as políticas executadas, que sugerem que o FED não tem ideia de como a economia EUA realmente funciona, porque as suas políticas não conseguiram ajudar a maior parcela da população.

A admissão relutante de que as políticas dos bancos centrais têm enriquecido os ricos, deixando de beneficiar os 95% da população, é um avanço. Os principais meios de comunicação perceberam dois fatores importantes sobre a imagem do banco central. Não acreditando mais que: 1) ele sabe o que é que está fazendo; e 2) está impulsionando uma "recuperação" que em breve alcançará um nível autossustentável, ou seja, a economia irá gerar seu próprio crescimento e o FED pode retroceder na sua política de taxa de juro zero, e todas as suas outras medidas de flexibilização monetária sem precedentes.

Como um viciado que precisa de injeções cada vez mais fortes de drogas apenas para permanecer vivo, a economia EUA agora é total e completamente dependente de drogas para manter-se em pé.

Aparentemente, os economistas do FED foram incapazes de observar que 3/4 de toda a riqueza financeira é detida pelo top 5% da população, enquanto o top 1% detém 43%.

Porém, esse fenômeno não é particular da economia americana. Globalmente, a parte superior 0,7% possui 45% de toda a riqueza e os 8% detém 85% de toda a riqueza:


 
Enquanto os gastos da última camada, compreende 95% da população está estagnada. Os gastos do topo da pirâmide - 5%, são os que se beneficiaram com o bem-estar.

O banco central só pôde fazer uma coisa, proporcionar bem-estar monetário para os ricos. Agora que o banco central tem enriquecido os mercados obscenamente, distorcendo os preços dos ativos globalmente, e também viciado a economia a crédito barato, os principais meios de comunicação e os “financistas” estão finalmente admitindo que se enganaram, pois tudo não passou de uma forma de beneficiar os ricos.

O gráfico a seguir ilustra como a tão anunciada classe média americana, motor do desenvolvimento americano na segunda metade do século passado, vem encolhendo marcadamente, dando espaço para a “upper middle class”, que mais poderia ser vista como o novo rico.


No post brexit-o-mercado-estava-errado, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Eu anotei em verde o que eu espero, uma queda até US$ 1.250, ou no próximo ponto a US$ 1.210. Em alcançando esses preços, é bem provável que darei sugestões de compra nessa região”

 
Parece que o ouro resolveu se mexer no sentido que o Mosca esperava, hoje pela manhã chegou muito próximo. Na sua cotação mínima, entraria “on sale” a US$ 1.299. Talvez aconteça nos próximos dias.

- David, você está feliz só porque o ouro caiu US$ 35? Isso é menos de 3%!
Você tem toda razão, para um ativo como o ouro, 3% era oscilação que acontecia dento do mesmo dia, em diversas ocasiões. Mas a situação mudou e agora esse tipo de variação não é pequena. Sua pergunta me fez pensar o que é que poderia acontecer para que o mundo ficasse mais “normal”. Imediatamente veio a ideia da inflação, assunto levantado nas reuniões semanais da Wealth Management que participo. Se esse excesso de liquidez gerar um movimento inflacionário mais forte que o desejado pelos bancos centrais, a reação das autoridades monetárias poderia surpreender todo o mercado, fazendo com que a volatilidade subisse significativamente.

Pelo momento prefiro trabalhar sem esse cenário, pois nada aconteceu ainda, para que esse receio se torne mais do que isso, uma hipótese. Por enquanto é um mundo quase sem volatilidade. 

O SP500 fechou a 2.170, com queda de 0,24%; o USDBRL a R$ 3,2268, com queda de 0,44%; o EURUSD a 1,1156, com alta de 0,13%; e o ouro a US$ 1.310, sem variação.
Fique ligado!


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