Inflação: A Revanche

29 de agosto de 2016

Eu avisei!



Quando éramos adolescentes nossos pais ofereciam conselhos de coisas que deveríamos evitar ou tomar cuidado. Mas nessa fase da vida os jovens acreditam que já sabem de tudo e seus pais são obsoletos. Os tempos mudaram, era nosso mantra. Como pais fazemos o mesmo com nossos filhos, pois queremos evitar riscos desnecessários. A história se repete e nossos filhos agem da mesma forma.

Agora, não tinha nada pior que ter que dar o braço a torcer, algumas das previsões de nossos pais aconteciam e éramos obrigados a ouvir a frase terrível: “eu não avisei”! Assim caminha a humanidade, e Janet Yellen deu o mesmo tipo de recado na última sexta-feira, ao deixar claro que os juros irão subir. Talvez o real motivo por tal movimento, seja um pouco diferente do que se imagina à primeira vista.

O FED percebeu que os juros de curto prazo provavelmente não subirão como no passado, em tempos com baixo crescimento econômico e inflação persistentemente baixa. Em razão desses fatos o FED não poderia reduzir muito os juros no caso de uma recessão. Precisa de novas ferramentas para combater a próxima mudança da economia. Algo que inclua a compra de títulos e aumento de seu balanço.

Ajustes não convencionais seriam necessárias, se essas medidas não funcionassem. Assim, Yellen, ou quem quer que esteja à frente do FED, teria que considerar a quebra de outros tabus, como introduzir os juros negativos, como vêm fazendo os outros bancos centrais. Com esse pensamento, o ideal é que no ponto de partida, quanto mais elevado estiverem os juros, menos teria que invadir o terreno negativo. Uma vez que, esse cenário de juros negativos, é considerado bastante arriscado nos dias atuais.

Pensando nisso, Yellen fez a seguinte declaração: ... “eu acredito que os argumentos para a elevação nas taxas de juros se fortaleceu nos últimos meses”... Em outras palavras, “investidores, não venha lamentar depois, eu avisei”!

O mercado reagiu nesse sentido depois das declarações. No gráfico a seguir é apresentando a probabilidade de aumento dos juros já em setembro. Encontra-se atualmente quase em 50%, o maior nível para esse parâmetro.



As moedas dos países emergentes foram afetadas por essa declaração, e o enfraquecimento do real, que será tratado na análise técnica de hoje, não foi um movimento isolado.


Dentro das moedas o movimento do Yuan, moeda chinesa, encontra-se próximo do nível de 6,70, a maior cotação do dólar desde 2009, e o próximo nível entre 6,80/6,90 é de vital importância.

No post ---saudades--- fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “do ponto de vista técnico, três considerações poderiam indicar que uma reversão do dólar está a caminho, primeiro uma retração de 50% do movimento de alta indicado; segundo a proporção usual nos movimentos internos e terceiro um contorno clássico de uma correção” ... ...”Se minhas análises de longo prazo estiverem corretas, a alta do dólar poderia se concretizar agora, com o rompimento da linha traçada em cinza, e principalmente os níveis de R$ 3,30/ 3,35 – em azul claro; ou ainda uma continuidade da queda até atingir o nível de R$ 2,80 – em preto” ...

O gráfico abaixo tem uma cobertura de prazo mais curto, e anotei no gráfico a região apontada acima.




- David, você está com uma mão boa no dólar, vamos comprar!
Em análise técnica não existe essa de “mão boa”, ou os preços confirmam sua hipótese ou não, só isso. Ficar achando que virou o az, só irá tirar o foco. Bem, coloquei claro que, até o nível de R$ 3,30/3,35 seja rompido, o mercado é de baixa. Se romper, aí podermos ter uma visão se é uma reversão mais importante com mudança de rumo, alta do dólar, ou uma correção mais complexa. Aguarde firme, pode até ser que ainda haja uma oportunidade de venda de dólar.

O que eu quis enfatizar no post acima, é que naqueles preços não valia nenhuma posição, talvez a R$ 3,30/3,35. Let’s the matket speak!

 O SP500 fechou a 2.180, com alta de 0,52%; o USDBRL a R$ 3,2321, com baixa de 0,98%; o EURUSD a 1,1186, sem alteração; e o ouro a US$ 1.322, com alta de 0,13%.
Fique ligado!

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