Inflação: A Revanche

19 de agosto de 2016

Europa de férias


Mario Draghi, o Presidente do BCE que ficou conhecido como Super Mario, ultimamente está fora de cena. Isso me fez lembrar o meu colaborador que era responsável da área administrativa, quando eu trabalhava no BFB. Coincidentemente também se chamava Mario. Naquela época, para executar seu trabalho tinha um batalhão de pessoas, pois o computador só processava à distância. Somente de datilógrafas eram 20, para bater a máquina 800 notas fiscais das operações de overnight. Ele trabalhava em um andar distinto da mesa de operações, onde era meu escritório.

Certa vez vejo ele na porta da minha sala, queria conversar comigo. Incialmente fiquei preocupado, qual seria o pepino? Mas depois de alguns segundos me perguntou se havia algum problema com seu trabalho, haja visto que, fazia um mês que nem pelo telefone falamos. Me acalmei, pois percebi que faltava um “afago”. Minhas palavras foram; “Mario, o trabalho de um administrativo é avaliado exatamente desta forma, a não te chamar indica está tudo indo bem, se passou um mês, é porque está ótimo! ”

Talvez possamos concluir o mesmo de Draghi, o fato de não estar sendo lembrado pode ser que a situação na Europa está melhorando, será?

Resolvi analisar os últimos dados, começando pela Grã-Bretanha, que passou recentemente pelos efeitos do Brexit. Na análise técnica de hoje vou comentar sobre a libra, que sofreu uma queda 15% desde esse anúncio. Mas no lado real da economia parece que ainda não se pode notar um impacto tão negativo. Os últimos resultados das vendas no varejo, apontaram alta no consumo, próximas das máximas, quando vista em bases anuais.


No próximo gráfico pode-se notar que a partir de 2013, esse indicador iniciou um movimento de alta que se mantém intacto.

Já a bolsa de valores é só alta, nem se importou com as eventuais consequências de uma retração da economia por causa do Brexit. Os investidores preferiram considerar que com a queda de juros, os ativos de bolsa seriam mais demandados.

 
No caso dos países europeus, meu foco hoje é sobre dois países com perspectivas distintas, primeiro Portugal que enfrenta um temor de rebaixamento de sua dívida, o que vem afetando as taxas de juros nos títulos do governo, que sobem em contraste com a dos outros países da Europa.


Já a Espanha, os investidores estão preferindo apostar nesse país, mesmo com alguns indicadores de endividamento mais preocupantes. No gráfico abaixo, notem a elevação expressiva da dívida sobre o PIB que, depois de atingir uma mínima de 8% nos anos 70, está beirando os 100% atualmente.


Por outro lado, as taxas de juros dessa mesma dívida, está cursando o caminho inverso, situando se abaixo de 1% a.a., movimento que desafia a lógica de qualquer teoria econômica.


É logico que, do ponto de vista de financiamento, é ótimo para aquele país, pois seu custo diminui. Porém, se o estoque aumenta, o valor pago pode não cair. O país com uma situação mais extrema nesse sentido é o Japão, onde sua dívida é de 250% do PIB. Imagino a dificuldade de um professor de economia explicar a seus alunos que um país, com dívida acima de 100%, consegue não entrar numa crise profunda. Acredito que o seu argumento deva ser que é uma questão de tempo para isso acontecer, caso contrário, é melhor ser professor de filosofia!

Antes de comentar sobre a libra, quero compartilhar o volume de apostas contra essa moeda, que se acelerou depois da decisão sobre o Brexit. A figura abaixo é a posição total vendida da moeda inglesa na bolsa de moedas.


Do ponto de vista técnico a queda da libra parece não ter terminado, um primeiro objetivo seria 1,25 e depois 1,13, sendo que o mais crítico é 1,05, a mínima histórica atingida em 1984.


Portanto é um mercado em queda, mas no curto prazo poderá surpreender a turma dos vendidos, pois quando até a torcida do Chelsea está vendida, é melhor ficar de olho. Também não vá esperando grandes ganhos, do nível atual de 1,303, algo em torno de 1,36 ou 1,39. Isso é válido desde que, não caia abaixo de 1, 28. Mas não tenho nenhuma convicção dessa recuperação, motivo de não sugerir nada no momento.


O SP500 fechou a 2.813, com queda de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,2063, com queda de 0,99%; o EURUSD a 1,1321, com queda de 0,27%; e o ouro a US$ 1.339, com qeuda de 0,91%.
Fique ligado!

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