Inflação: A Revanche

18 de agosto de 2016

O lado humano de Finanças


Antes que meu amigo se antecipe e faça suas perguntas azedas já esclareço que, o Mosca não vai se transformar numa ONG. O título de hoje visa enfatizar como o comportamento humano tem influência sobre as decisões em finanças e suas consequências.

Como já mencionei anteriormente, desde de 2015 voltei a Universidade com o objetivo de buscar algumas respostas acadêmicas sobre temas de meu interesse. Na FEA compreendi melhor os conceitos da matéria de comportamento financeiro, nova área dentro da disciplina de finanças que vem ganhando novos adeptos, onde eu me incluo. Além do mais, fica mais intuitivo as considerações da análise técnica se você acredita que os modelos econométricos não funcionam adequadamente.

Esse breve apanhado remete ao tema de hoje sobre a interpretação das minutas do FED publicadas ontem à tarde.  Embora esse assunto já tenha sido divulgado amplamente pelos meios de comunicação, inclusive com a interpretação dos analistas, busco uma visão mais pragmática e comportamental, uma vez que, em um dos cenários o impacto nos mercados pode ser mais expressivo.

Antes de entrar especificamente no assunto, queria relembrar que o FED subiu a taxa de juros em dezembro de 2015, e na melhor das hipóteses se passaram 9 meses sem que nenhum movimento ocorresse nesse período. Posso supor com razoável confiança que, nenhum analista, acertaria que seria tão demorado. Sua resposta tenderia para um prazo mais curto. Assim, a cada dia que passa, os analistas passam a acreditar mais, que os juros não vão subir. Isso é fácil de ser constatado, pela grande divergência entre as estimativas do FED e a do mercado.

Um relatório da Goldman Sachs resume bem o conteúdo da ata. “Marginalmente mais brando, uma vez que, muitos dos participantes expressaram a necessidade de aguardar mais dados de inflação, antes de subir os juros – e um risco limitado, ao se esperar mais tempo. Por outro lado, algumas manifestações recentes de membros do comitê, advogando que não se pode descartar uma alta em setembro, tornam o conteúdo da ata de certa forma um pouco obsoleto”.

Deve ser muito constrangedor expor publicamente essa posição dividida dentro do FED. Se eles não sabem o que fazer, imagine nós! Por outro lado, existem situações na vida que as coisas não são claras e é melhor falar a verdade que fingir estar tudo bem.

Sem saber quantos estão em cada grupo, poderia classificar as posições de cada membro da seguinte forma:

1)      Aperte o botão – Estariam os diretores que acreditam que não se pode esperar mais, pois o risco de não fazer nada é elevado – criação de bolhas de ativos.
2)      De volta a UTI – Agindo precipitadamente, e sem dados convincentes principalmente da inflação, poderia levar o FED em breve a reverter os movimentos de alta, e talvez ter que injetar recursos na economia – medo da deflação.
3)      Toucans” – Não tem uma posição definida mais embarcariam no grupo que tiver mais adeptos – PSBD? Hahaha....

O mercado precifica em 18% a chance de uma alta agora em setembro, e 50% até o final do ano. O Presidente do FED de Nova York, Bill Dudley, reafirmou essa semana que não descarta uma elevação dos juros já agora em setembro. Uma colocação tão clara como essa, bem como a importância desse membro, fez com que o mercado considerasse essa possibilidade, porém só marginalmente. Não precisa dizer que ele está no grupo 1).

Eu tenho a impressão que se o grupo 1) fizer a cabeça do grupo 2), as chances de alta passam a ser mais elevadas, e caso isso ocorra em setembro, poderá desencadear um movimento forte de queda do preço dos ativos e alta do dólar e juros, de uma forma amplificada, pois levará os analistas a acreditarem que agora vai. O mercado não está preparado para isso.

Mas qual a razão da introdução inicial sobre finanças comportamentais? Numa situação de indecisão, não são os fundamentos que prevalecem, e sim as ações motivadas pelo comportamento, e isso torna o cenário ainda mais imprevisível, o que em finanças comportamentais se denomina efeito manada. Agora se não acontecer em setembro, como se diz em linguagem coloquial, vai empurrando com a barriga.

A data da próxima reunião será 21 de setembro, anote no seu calendário.

No post olimpíada-dos-mercados, reforcei minha visão sobre os níveis do euro: ...”Tracei uma linha intermediária que divide os dois intervalos que temos interesse, acima 1,145/1,16 e abaixo 1,055/1,045, e é fácil se perceber que a maioria do tempo o euro operou acima dessa linha”...

 
Nesta semana a moeda única resolveu fazer uma nova tentativa de alta, e hoje atingiu um ponto técnico interessante a 1,1350, conforme apontado no gráfico abaixo.

 
Incialmente note as flechas em verde, que foi entre dezembro até o final de maio. Nesse período, quando o euro ameaçou cair, foi ‘milagrosamente” salvo pela linha de suporte – verde, até que no final de junho rompeu – em rosa. Depois disso veio subindo vagarosamente até que hoje atingiu novamente essa linha milagrosa, só que pela parte de baixo.

- David, isso está mais parecendo uma brincadeira de caça ao tesouro, na busca de onde está a mina! Hahaha...
Só posso te responder com um Hahaha...  Se a moeda única romper esse nível as chances de atacar novamente o intervalo superior entre 1,145/1,16 aumentam bastante, mas não vou propor nenhum trade. Pode tranquilamente reverter e voltar a cair. Ficamos de observadores.

O SP500 fechou a 2.187, com alta de 0,22%; o USDBRL a R$ 3,2383, com alta de 1,10%; o EURUSD a 1,1352, com alta de 0,58%; e o ouro a US$ 1.35, sem variação.

Fique ligado!

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