Inflação: A Revanche

12 de agosto de 2016

Old 'R' us


Quem já foi aos Estados Unidos e tem filhos pequenos, conhece sem dúvidas a cadeia de brinquedos Toys ‘R’ Us. É verdade que no passado antes do advento da Amazon, uma visita a loja era um divertimento e as crianças ficavam radiantes. Agora tem que se contentar com a imaginação vendo seu brinquedo na tela.

Além da ameaça atual das vendas on-line, essa rede devia se preocupar com uma ameaça ainda maior, que está acontecendo e tende a se agravar no futuro. Em 1995 a Itália foi o primeiro país onde o número de idosos ultrapassou o número de crianças, esse fenômeno se espalhou pelo mundo em economias diversas como a Nova Zelândia e Geórgia, que em 2030 estarão na mesma situação. Nesse ano, 56 países terão mais pessoas com idades acima de 65 anos que crianças abaixo de 15. A tabela a seguir mostra essa sequência.



Em 2075 a projeção é que população global passará a marca histórica, que foi denominada do cruzamento mortal demográfico.


Embora a perspectiva de viver mais seja positiva, problemas surgem com o encolhimento da força de trabalho, comprometendo todo o sistema de aposentadoria. Algumas décadas atrás a proporção era de 10 trabalhadores ativos para cada aposentado, entretanto poderá encolher para proporções como na Itália onde atualmente é de 3 na ativa para cada 1 aposentado. Embora as opções políticas sejam desagradáveis – aumentar taxas ou cortar benefícios – os governos serão pressionados a agir. A cadeia de lojas mencionada acima também deve se preparar, sugiro de imediato a troca de nome para Old ‘R’ US! Hahaha...

Alguns dados publicados hoje pela manhã não foram de agrado do mercado. O núcleo das vendas ao varejo, que exclui gasolina e automóveis, foi de -0,1%, quando o esperado era de +0,3%. Esse dado observado isoladamente poderia representar um ponto fora da curva, entretanto, a análise em bases anuais é de meros 2,3% de crescimento, um nível que no passado apontou condições recessivas.



Para terminar, foi publicado também o índice de inflação ao atacado, que teve deflação de 0,4%, quando o esperado era uma alta de 0,1%. Em bases anuais encontra-se em -0,2%. De acordo com o departamento BLS o declínio deve-se pela queda dos preços de serviços e produtos. Parece que inflação é coisa do passado nos países desenvolvidos, poderíamos exportar essa tecnologia, somos muito bons nessa área!

No post mercado-leva-olé, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” desde a última publicação os juros começaram a se afastar da ideia do last Kiss, rumando para novas quedas, porém com a informação de hoje a possibilidade de termos esse último beijo apaixonado aumenta”... ... ” O Mosca não tem a menor intenção de desafiar o mercado, pelo contrário, respeitamos mesmo quando vai contra nossa lógica ou crença. No caso específico dos juros, enquanto o nível de 1,75% a.a. não for ultrapassado, o mercado é para baixo e o patamar de 0,5% a.a. ainda é o mais provável”...

 
A reação do mercado hoje torna mais distante a possibilidade aventada acima, o máximo foi um beijinho na testa! Vamos entrar em ação, um trade de venda de juros, com um fechamento de NY abaixo de 1,45% a.a. e um stop a 1,60%, o objetivo inicial é de 1,1% a.a.


- David, não é muito arriscado?
Tudo é arriscado, “no free lunch! ” Mas considere que a maioria dos países desenvolvidos ou estão com juros negativos, ou caminham para a própria situação.  Mesmo a Austrália e Nova Zelândia que eram países com juros bem superiores dentro do G7, os juros longos não param de cair. Nesta semana a Nova Zelândia juntou-se ao grupo ao anunciar queda de seu juro básico em 0,25%, deixando a porta aberta pata novas quedas. Veja a reação em seu título mais longo a seguir.


Nessa batalha interminável de quem será a nova bola da vez, só os USA estão sendo protegidos pela expectativa dos economistas que o FED subirá os juros, se é que vai subir. Numa base relativa os juros americanos ainda estão elevados. Convenci?

Já que estamos em época de Olimpíadas a figura abaixo compara as melhores marcas dos atletas com animais. 



O SP500 fechou a 2.84, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1847, com alta de 1,27%; o EURUSD a 1,1163, com alta de 0,25%; e o ouro a US$ 1.337, sem variação.
Fique ligado!

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