2020: O risco vai compensar?

17 de outubro de 2019

Como terminam os monopólios



Na década de 80, ter uma linha de telefônica era coisa de rico. Naquele momento, para possuir uma linha era necessária uma solicitação com pagamento, a companhia telefônica, sem data para instalação, demorava anos. Alguns investidores (ou melhor, especuladores!), observando essa anomalia, resolveram comprar linhas para aluguel. Cada linha valia ao redor de U$ 5.000 (cotação essa expressa no Black que tinha ágio de pelo menos 30% acima da cotação oficial). O custo do aluguel era da ordem de 12% a.a.

Era um mercado tão organizado que, toda a parte legal, era feita com boas garantias para que o proprietário não amargasse prejuízos da conta telefônica. Um negócio da China! Com uma taxa de retorno de 12% a.a. em dólar, com um ativo que só poderia se valorizar, como seria possível perder dinheiro?

A aposta naquele momento era que esses proprietários de linha tinham um produto que era “protegido” pelo monopólio da TELESP, dado que, por ser uma empresa estatal sem capital, não tinha recursos para fazer investimentos.

No governo Fernando Henrique, a telefonia no país foi privatizada e com a entrada de novos investimentos e concorrência, a entrega de linhas foi tendendo a normalidade, até atingir o ponto que uma nova linha era instalada em poucos dias. Nem preciso dizer o que aconteceu com aqueles que detinham linha para aluguel. Virou pó!

Uma situação semelhante está acontecendo nos EUA com os táxis, conhecidos como Yellow Cabs, desde que empresas como a Uber, começaram a oferecer serviços de locomoção. Vejam como se iniciou esse monopólio.

A Comissão de Táxi e Limusines da cidade de Nova York foi criada em 1971 em resposta à corrupta supervisão policial do setor de táxi. Mas não demorou muito para que o próprio TLC fosse sujeito a captura regulatória e parou de advogar em nome de taxistas, e da cidade dos moradores. Em vez disso, tornou-se uma fachada para os proprietários de medallion (*), limitando intencionalmente o número de medallions e, portanto, os táxis disponíveis.
(*) – Licença obrigatória para os táxis

Por quê? Porque os medallions se tornaram muito valiosos. O TLC se comportou como se o seu custo fosse maximizar a riqueza dos proprietários de táxi, mesmo que isso funcionasse em detrimento dos passageiros.

Isso alterou fundamentalmente as propriedades dos medallions: eles deveriam ser uma licença para dirigir um táxi, mas evoluíram para um ativo de investimento. Por quase quatro décadas, os medallions de táxi foram "o melhor investimento da América". De 1975 a 2013, geraram retornos de 2.706%, superando o ganho do Dow Jones de 1.675%, ou a alta de 846% do ouro. Em 2013, o valor de todos os medallions de táxi de Nova York valia US $ 16,6 bilhões.

Essa riqueza incrível distorceu o mandato do TLC. Sua missão era supervisionar um setor que é parte essencial da rede de transporte da cidade de Nova York. Seu círculo eleitoral deveria incluir passageiros, motoristas, proprietários de veículos, contribuintes e empresas locais. O TLC perdeu de vista, trabalhando para proteger os interesses dos proprietários de medallions, limitando a oferta - agindo, em suma, como monopolistas.

Considerem o crescimento da cidade em população e medallions. Em 1937, havia cerca de 16.900 táxis licenciados para captar os elogios dos passageiros na calçada. Nos 82 anos seguintes, a população da cidade cresceu mais de 1 milhão de pessoas. Adicione passageiros e turistas e, em qualquer dia, a população de Manhattan pode dobrar. Embora o TLC tenha permitido a emissão de 1.800 novos medalhões desde 1996, ainda há menos medalhões hoje do que em 1937!


Os serviços baseados em aplicativos simplesmente reconheceram essa distorção do mercado, correndo para atender a toda a demanda reprimida. O resultado: até 2017, o Uber tinha em média 289.000 viagens diárias contra 277.000 para os táxis amarelos, e este ano a Lyft está prestes a passar também pelos táxis amarelos. Juntos, Uber e Lyft capturaram 65% mais viagens em 2017 do que táxis, e esse número certamente é maior hoje.

É de surpreender que as forças do mercado acabem quebrando o monopólio?

Logo depois que a Uber quebrou a limitação de oferta em Nova York, o preço do medallion começou a cair. A Bloomberg informou que os preços atingiram o pico em 2013 em US $ 1,3 milhão por medallion. Em 2015, os preços haviam caído mais de 40% e, em 2016, o menor preço reportado era de US $ 250.000. Algumas transações foram responsáveis ​​por apenas 8% do valor máximo. Não é apenas Nova York - outras cidades, como Chicago, tiveram declínios semelhantes.

Algumas pessoas podem não gostar, mas é assim que os mercados funcionam, sempre há vencedores e perdedores.

Como todos os bons locatários, os proprietários de TLC e medallions revidaram - com novos regulamentos ante mercado para limitar o crescimento da Uber, Lyft e serviços de carros baseados em aplicativos.

Ao invés de pedir à cidade que assuma empréstimos de pessoas físicas ou jurídicas contratados para comprar medallions, esse deve ser um espaço para fundos de investimento em participações privadas. Eles têm o capital e a experiência necessária para adquirir esses ativos danificados e extrair algo deles. A alternativa - um resgate da cidade - custaria aos contribuintes locais pelo menos US $ 1 bilhão, socializando as perdas de 6.000 proprietários de medalhões e uma dívida média de US $ 600.000 cada.

Alguns alegaram que os credores predadores “enganaram” os compradores de medallions com financiamento abusivo. Nesse caso, os tribunais seria o local adequado para resolver essas reclamações. Mas resgatar maus investimentos em medallions criaria um terrível precedente. Não é papel da cidade garantir a superação das más decisões de negócios.

Todos ficaríamos felizes em lançar seus piores negócios no P&L de outra pessoa; mas perdas socializadas e ganhos privatizados não é como o capitalismo deve funcionar.

Essa é uma outra situação semelhante as linhas telefônicas aqui no Brasil. Depois que o monopólio é quebrado, quem se sente prejudicado busca alternativas “políticas” para minimizar suas perdas, enquanto a compra de uma ativo malfeita no mercado não tem para quem chorar.

A lição que fica nesses casos é que se tenha muito cuidado em adquirir um ativo (ou licença) cujo faturamento esteja relacionado a um monopólio. Mais dia, menos dia, esse monopólio termina e quando isso acontece o preço de venda, que permite sua exclusividade, tende a virar pó.

No post o-prejuízo-que-da-lucro fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “A configuração destacada em amarelo se denomina em análise técnica de exaustão, ou seja, os preços de movem de forma lenta e gradual com uma leve tendência” ... ... “Quando se chega em situações como essa, existe uma boa relação de risco x retorno com a compra o euro, adotando-se um stoploss curto” ...

Nessas últimas semanas o euro deu sinal de vida, impulsionado pela possibilidade de um acordo entre a UE e a Inglaterra no que tange ao Brexit. Hoje ocorreu um anuncio conjunto entre ambos sobre um rascunho a ser formalizado. Esse assunto ainda terá desdobramentos pois tem que ser aprovado pelo Parlamento inglês onde parece existir ainda muita discórdia, mas sem dúvida foi um alívio.

David, gostei! Vamos as compras então?
Ainda não, é necessário que o nível de 1,12 - 1,125 seja ultrapassado, veja no gráfico a seguir a importância de tal região.

É inegável que a Europa está numa situação horrível. Dado que a Alemanha lidera a queda na Indústria nessa região, fica difícil de enxergar coisas positivas. Mas quem não sabe disso? O que o mercado estava nos dizendo é que não faltava quase mais ninguém para apostar contra a moeda única, ou como se diz no jargão de mercado “já estava no preço”.

Agora com essas poucas notícias positivas deve ter feito alguns traders que estavam vendidos, se questionar se, um movimento de melhora estaria a caminho. Qual será esse grau de convicção, nos será dito pelos preços, a melhor indicação para se tomar posições. Let’s the market speak!

O SP500 fechou a 2.997, com alta de 0,28%; o USDBRL a R$ 4,1685, com alta de 0,43%; o EURUSD a 1,1126, com alta de 0,50%; e o ouro a U$ 1.492, com alta de 0,20%.

Fique ligado!

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