2020: O risco vai compensar?

30 de outubro de 2019

Qual o argumento!



Pela manhã foi publicado os dados do PIB americano, crescendo a uma taxa anualizada de 1,9% a.a., no 3º trimestre. Este resultado ficou acima da expectativa dos analistas. O interessante é que o Presidente Trump, alguns minutos antes da publicação, tuitou “ The Greatest Economy in American History”. Essa sua insinuação poderia levar a uma especulação que tinha o resultado antes da publicação, e isso não seria impossível, embora seja pouco provável.


A alta do PIB real no terceiro trimestre refletiu aumentos nos gastos do consumidor, gastos do governo, investimentos em moradias e exportações, enquanto o investimento das empresas e os estoques diminuíram. As importações aumentaram, embora o comércio líquido tenha subtraído o PIB pelo segundo trimestre consecutivo.

O aumento nos gastos do consumidor refletiu aumentos nos bens (principalmente bens e veículos recreativos, alimentos e bebidas) e nos serviços (liderados por serviços de saúde, habitação e serviços públicos). No geral, o consumo pessoal aumentou 2,9% no terceiro trimestre, mais uma vez superando as expectativas de um resultado de 2,6%, depois de aumentar 4,6% no trimestre anterior.


Outro resultado publicado, o PCE – índice inflacionário seguido pelo Fed, foi de 2,2%, em linha com a expectativa.

Em resumo, horas antes da decisão do Fed, esse relatório aponta para um cenário de Goldilocks, que não confirma a “maior economia da história”, mas não deixa muita margem de manobra para o Fed. Não se pode esquecer que esse trimestre foi bastante afetado pelas medidas tomadas pelos EUA e China, em relação ao seu embate na área de comércio.

Fico imaginado o que Jerome Powell vai argumentar para justificar uma redução dos juros. Com desemprego na mínima, inflação estabilizada e próxima do seu objetivo, economia crescendo razoável em termos absolutos, porém muito bem em termos relativos, Brexit bem encaminhado, e Trump não querendo arrumar confusão, porque haveria de reduzir os juros?

Um dado curioso diz respeito a performance das bolsas chinesas e americana em 2019. A mídia cobre em extensão a bolsa nos EUA, porém sem tanta frequência a chinesa. O gráfico a seguir coloca esses dois índices frete a frente, e não parece que os investidores estão tão preocupados, ou estiveram, com a batalha entre os dois países.


O Fed como esperado reduziu a taxa de juros em 0,25%. No seu comunicado um detalhe pode significar uma pausa nos juros. Ao invés de usar o termo “ agir apropriadamente para sustentar a expansão”, usou “ o Fed irá acompanhar as informações futuras para definir o nível adequado dos juros”. Essa última frase vale qualquer coisa, parada ou continuidade na redução.

É incrível que um banco central tão poderoso não consiga se posicionar de forma mais explicita, ou seja, prefere ficar no muro!

No post como-terminam-os-monopólios, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “ Nessas últimas semanas o euro deu sinal de vida, impulsionado pela possibilidade de um acordo entre a UE e a Inglaterra no que tange ao Brexit” ... ... “Ainda não, é necessário que o nível de € 1,12 - € 1,125 seja ultrapassado, veja no gráfico a seguir a importância de tal região” ...

Não houve nenhuma grande evolução na moeda única que justifique uma mudança de opinião. Por enquanto, as duas possibilidades se encontram abertas: a do início de um movimento de alta tão esperado pelo Mosca (azul); ou ainda uma última queda até o nível de 1,08 (vermelho).

Qualquer tentativa de operar nessa situação é como jogar no Cassino. Se for para fazer isso, melhor ir direto a um, pelo menos é mais divertido e você vai saber logo qual é o cenário. Aqui como lá, se pode fazer inúmeras apostas, sempre que sua “ficha” é retirada da mesa. O Mosca vai aguardar pacientemente!

O SP500 fechou a 3.046, com alta de 0,33%; o USDBRL a R$ 3,9878, com queda de 0,26%; o EURUSD a 1,1144, com alta de 0,31%; e o ouro a U$ 1.495, com alta de 0,56%.

Fique ligado!

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