2020: O risco vai compensar?

3 de outubro de 2019

Tudo zero!



Acredito que é de conhecimento dos leitores o movimento deflacionário que o mundo vive. A queda dos custos de mão de obra afetando os preços de produtos e serviços são percebidos pelos consumidores. AS principais forças por traz desse movimento se resumem em: globalização e os avanços tecnológicos.

Esse movimento que prevalece com mais força a partir de 2008, vem causando vantagens para os consumidores, mas grandes problemas para as indústrias afetadas, bem como para os bancos centrais que acabam perdendo a eficácia da política monetária.

Quando refletimos nas consequências encontrarmos os setores que estão são afetados, mas confesso que outros acabam surpreendendo, como por exemplo a Corretora Americana Charles Schwab que anunciou uma redução à zero de suas comissões sobre negociações de ações.

Essa ação desencadeou uma diminuição em cadeia de outras corretoras. A E*Trade, seguida da TD Ameritrade e Interactive Brokers Group, para citar algumas, que seguiram no mesmo caminho.

As comissões de negociação são a última frente de uma feroz guerra de preços que vem ocorrendo em todo o setor financeiro. As corretoras e os gestores de recursos estão diminuindo os custos dos ETFs e da consultoria financeira, cortejando clientes novos e mais jovens com produtos e serviços gratuitos. A popularidade de aplicativos de negociação sem comissão, como a Robinhood Markets Inc., aumentou a pressão sobre as empresas que ainda cobram comissões.

Essa onda começa a ter adeptos no Brasil. Recebi hoje um comunicado da XP Investimentos que a partir de agora, dois contratos de mercados futuro (dólar e bolsa), serão isentos de corretagem. O movimento ainda é pequeno, porém é assim que começa.

Não fica claro quais foram os motivos que levaram a tão drástica medida, pois é sabido que os americanos têm uma parcela importante de seus recursos investidos em ações. Além do mais, a proliferação dos aplicativos para negociações de ações resultou numa mudança importante na forma como o fluxo acontece, transformando investimentos de prazo mais longo para especulações de curto prazo.

O resultado foi um declínio dramático no período médio que as ações permanecem no portfólio. Em 1940, o estoque médio era mantido por 7 anos, enquanto hoje é mantido por 1 mês! Suspeito que todas essas informações e "notícias" estão realmente nos tornando piores investidores, pois estão se alimentando de nossos preconceitos comportamentais.

A estatística publicada a seguir me impressiona. Embora contemple um horizonte bastante longo. Fornece a dimensão das consequências de se investir com visões imediatistas. A bolsa americana rendeu a espetacular cifra de 13.898% em aproximadamente 50 anos. Uma análise mais financista leva a um retorno médio de 10, 3% a.a. Isso é o que eu denomino da matemática do dinheiro: capitalizar é o nome do jogo.

Se o melhor dia for extraído da amostra, o retorno total diminui em 10% do total. No resultado capitalizado parece fazer grande diferença, porém, em bases anuais, a queda é pequena pois a média ainda gira em torno de 10% a.a. Agora se os 5 melhores dias forem retirados, a queda é de admiráveis 35%, enquanto a taxa anual média passa para 9,4% a.a. O que esses dados não fornecem é de quanto o retorno seria acrescido se fosse extraído o pior dia, e os 5 piores.


Seguramente a razão que levou essas empresas a fornecer de “graça” é a alta rotação de ações realizadas por seus clientes. Esse é um serviço que tem custos baixos, mas tem custos. Por outro lado, se o prazo de permanecia das ações voltassem aos 7 anos poderiam fechar suas portas! Não sei de onde eles tirarão suas receitas, talvez da já diminuta diferença de preços entre compra e venda das ações. Porém, foi a concorrência os levaram a tomar essa decisão, consequência de um mundo disseminado de deflação.

Estou esperando que os restaurantes, planos de saúde, condôminos, para frisar alguns, baixem a zero seus preços! Assim, poderíamos viver tranquilamente num mundo com juros de 0%, pois tudo seria zero!

No post dois-pesos-duas-medidas, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “Para poder confirmar o que apontei como mais provável e necessário que a bolsa ultrapasse o nível de 106.650” ... ... “é necessário ultrapassar os 106.500, caso contrário, a correção ainda estará em curso” ...

Em conjunto com a queda ocorrida no exterior, a bolsa brasileira também foi afetada, ocasionando uma retração nas cotações. O objetivo traçado acima fica suspenso até que fique mais claro o movimento de curto prazo. No gráfico de mais curto prazo, observo duas possibilidades: a formação de um triângulo ou uma correção flat, conforme gráfico a seguir.

Na opção triângulo a queda deveria ser contida ao redor de 98.000, enquanto na opção flat entre 95.000 a 96.000. Existem ainda outras opções cuja probabilidade é menor, o que não ajudaria a compreensão nem a orientação para um novo trade.

Vou ficar mais preocupado com a opção de continuidade da alta, caso o Ibovespa recue abaixo de 93.000. Contrariamente, ultrapassando o nível de 106.500, o movimento de alta ganha tração.

Vou compartilhar essas últimas 48 horas para que entendam como a análise técnica interage com o analista. Os mercados de ações, ao recuar abaixo das minhas expectativas, me infringiu um certo constrangimento, afinal, ninguém gosta de errar! Nas primeiras horas, existe uma tendência a querer negar os fatos, que fica abrandado conforme o tempo passa. Em seguida, depois de terminada (estopada) a posição, o analista se vê num outro momento. Qual o plano B?

Nesse novo período, e de forma totalmente desprovida de emoção, fiz outras hipóteses, mantendo ainda a opção de alta, uma vez que, as premissas de mais longo prazo não foram atingidas. Depois disso, é um trabalho mecânico, define-se novos parâmetros sem que se passe o desconforto de um prejuízo em andamento. Assim, 95.000 ou 106.000, na orientação acima, tem o mesmo impacto, zero! O que não seria verdade se a posição ainda estivesse em aberto.

Sendo assim, uma boa performance deve ser medida em função do risco assumido, que não é visível nos resultados, bem como das oportunidades aproveitadas. Os erros fazem parte da jornada é devem ser limitados a pequenos valores.

Se o Mosca existisse desde 1970 não saberia dizer se a porção direcionada a bolsa americana teria um retorno superior a 13.898%, mas provavelmente não passaríamos o sufoco dos períodos desatacados em vermelho abaixo.

É importante que o leitor perceba que o resultado expressivo obtido na bolsa americana desde 1970, de forma passiva, só foi possível porque o mercado subiu sempre. Somente em alguns momentos houveram quedas. Encaro o resultado dessa alta somente como estatístico, embora a redução do retorno por conta de perder alguns poucos dias é intrigante.

O SP500 fechou a 2.910, com alta de 0,80%; o USDBRL a R$ 4,0877, com queda de 0,99%; o EURUSD a 1,0970, sem variação; e o ouro a U$ 1.505, com alta de 0,42%.

Fique ligado!

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