2020: O risco vai compensar?

16 de outubro de 2019

Gestão não convencional



Acredito que todos já ouviram falar da empresa WeWork, que está revolucionando o mercado de alugueis de escritório. Atendendo a moda de não comprar nada, a WeWork oferece escritórios prontos para usar por períodos variáveis de tempo.

Como são a maioria dos CEO de startups, Adam Neumann, não foge à regra. De uma forma simplista comprou inúmeros imóveis ao redor do mundo através de crédito e participações acionarias, onde se inclui a Soft Bank, especialista em empresas empreendedoras, gerando um fluxo de caixa negativo a perder de vista, e lucro, nem pensar.

Há alguns meses pretendia fazer a abertura de seu capital através de uma operação de IPO, na sequência da Loft e Uber para citar alguns. Acontece que o mercado azedou para essas empresas “sem lucro” gerando um ceticismo enorme sobre novas emissões, e mesmo sobre a sobrevivência dessas empresas. Como consequência, Neumann foi destituído da We Work, o que faz lembrar o caso de Steve Jobs nos anos 80.
Um artigo publicado pelo Wall Street Journal reporta que seu fundador misturou espiritualismo com negócios. Será que funciona?

Os executivos seniores da WeWork se reuniam semanalmente no escritório de Adam Neumann, durante vários anos da empresa, para estudar com um professor do Kabbalah Center, uma organização espiritual que promove uma marca de misticismo judaico.

Na época, Neumann, o co-fundador e ex-executivo-chefe da empresa mãe da WeWork, e sua esposa, Rebekah Neumann, estavam envolvidos no Center. Ao combinar uma espiritualidade infundida em autoajuda com uma tradição mística judaica chamada Kabbalah, a organização atraiu estudantes de celebridades como Madonna e Ashton Kutcher.

O relacionamento de Neumann com o Centro ajudou a construir a empresa desde seus primeiros dias. Os líderes do Centro conectaram Neumann à sua rede de pessoas ricas. Pelo menos dois estudantes foram fontes de financiamento antecipado, enquanto vários funcionários seniores eram estudantes do Centro. Seus princípios influenciaram a filosofia centrada na comunidade da WeWork, e seus professores estavam presentes regularmente nos escritórios e nos retiros da empresa, de acordo com outras pessoas familiarizadas com o assunto.

Mas ele teve uma briga com o Centro, e os Neumann cortaram laços cerca de quatro anos atrás, depois que ele sentiu que os líderes não seguiriam seu conselho sobre como lidar com certas controvérsias que estavam enfrentando.
Uma porta-voz representando Neumann disse: “Muitos ensinamentos se reuniram para fundamentar a filosofia e a missão da WeWork. A Cabala não é proeminente entre eles e não influenciou as decisões de negócios. ”

Uma porta-voz da WeWork disse: "A WeWork está focada em continuar a proporcionar um ótimo dia de trabalho para nossos membros em todo o mundo".

A participação de Neumann em edifícios que ele alugou para a WeWork, para lucro pessoal, estava entre as questões de governança corporativa que incomodaram alguns investidores. Em maio, a empresa disse que Neumann entregaria uma unidade de investimento imobiliário administrada pela WeWork, para eliminar um potencial conflito de interesses.

Um professor do Kabbalah Center vinha ao escritório de Neumann para realizar sessões semanais aos principais executivos. A maioria dos executivos seniores foi pelo menos algumas vezes, mesmo aqueles que tinham pouco interesse na Cabala. As sessões não eram obrigatórias, mas os executivos acreditavam que a participação era incentivada.

O número 18, um número auspicioso no judaísmo e enfatizado nos círculos místicos judaicos, muitas vezes aparecia nas decisões de negócios da WeWork.

Enquanto estava em uma banheira de hidromassagem no seu aniversário de 39 anos em 2018 e conversando em uma teleconferência com os executivos da WeWork, Neumann decidiu que a WeWork venderia US $ 702 milhões em sua primeira oferta de títulos, de acordo com uma pessoa que testemunhou a cena. Neumann chegou a esse ponto multiplicando sua idade por 18 anos.

Neumann disse a equipe que esperava realizar a abertura de capital da WeWork em 18 de setembro, citando o significado espiritual da data, antes que ela fosse adiada.

O registro S-1 na Comissão de Valores Mobiliários, divulgado em agosto, ecoou os princípios centrais do Kabbalah Centre, algo que as pessoas próximas à empresa disseram que não era uma coincidência. A missão da empresa, de acordo com o documento, é "elevar a consciência do mundo". Yehuda Berg, em seu livro sobre Kabbalah, escreveu que o objetivo do Centro é "elevar a consciência de todo o mundo".

Acredito que todo ser humano tem suas místicas, os traders seguramente. Eu por exemplo, durante algum tempo, não usava cuecas pretas, achava que podia dar azar. Nos dias que experimentei perdi dinheiro, confirmando minha suspeita. Essas manias se diversificavam em outros itens, por exemplo, quando estava dirigindo e encontrava um carro com chapa 6666, ou semelhante, era um aviso que estava prestes a perder dinheiro com minhas posições. Já quando era 9999, a previsão era contrária, muitos lucros a frente. Com o tempo, me desvinculei dessas bobagens, e percebi que o que realmente buscava, era uma improvável segurança sobre o futuro. Foi aí que surgiu a análise técnica na minha vida, substituindo o achismo pela evidencia.

Neumann foi buscar no espiritual judaico um conforto em sua ideia revolucionaria de escritório. É indiscutível seu sucesso como empreendedor e provavelmente vinculou isso a espiritualidade. Não tenho como opinar sobre a viabilidade da WeWork, mas pelo que se noticia, vários problemas de governança bem como de sustentabilidade foram apontados pelos investidores, afinal, não querem que seus lucros dependam dos espíritos!

No post nem-o-cambio-impacta-mais-inflação, expus 2 cenários possíveis para o SP 500, sendo que o de alta parece ter ganhando tração: ... “o primeiro objetivo seria ao redor de 3.250 (↑ 10%) ou 3.475 (↑ 18%), onde esse último é mais provável. Na segunda opção o objetivo seria a 3.850 (↑ 31%)” ...

Ontem a bolsa americana tocou no nível psicológico de 3000, a apenas 1% abaixo da máxima histórica. Se esse é o prenuncio de uma recessão, esqueceram de avisar os investidores da bolsa! O gráfico a seguir, com janela diária, é muito parecido ao da bolsa brasileira, veja essa semelhança a seguir. O que muda um pouco é a magnitude.


Já em relação a outros índices da bolsa americana o mesmo não acontece. Para que o leitor entenda a diferença, no gráfico apresentado mais adiante, o SP500 é calculado de uma forma que, as empresas com valor de mercado maiores têm peso superior, enquanto a outra – SP500 Equal Weighted, é calculado tendo todas as ações o mesmo peso. A ilustração a seguir mostra essa diferença de cálculo.


No gráfico a seguir, o primeiro, é relação entre o SP500 e o índice Russell 3000, cujo conteúdo é composto por empresas pequenas e médias; em seguida o SP500 é comparado ao SP500 Equal Weighted.


Uma possível explicação dessa disparidade pode ser o modismo e facilidade de se investir em ETFs, onde o investidor muda de uma posição para outra de forma rápida, o que era diferente no passado quando nem existia essa possibilidade de troca, haja visto que, os veículos de fundos mútuos não tinham tantas opções.

Caso minha desconfiança esteja correta, essa distorção deve deixar os analistas fundamentalistas de cabelo em pé, pois esse fluxo de recursos dirigido pela “moda” distorce os P/E das empresas que compõem esses índices. Assinto a se pensar!

O SP5000 fechou a 2.989, com queda de 0,20%; o USDBRL a R$ 4,1490, com queda de 0,77%; o EURUSD a 1.1073, com alta de 0,38%; e o ouro a U$ 1.489, com alta de 0,57%.

Fique ligado!

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