2020: O risco vai compensar?

22 de outubro de 2019

Protestos estão na moda



Em 2019 ocorreram protestos em várias partes do mundo. Foram grandes e muitas vezes manifestações violentas. Aconteceram no Líbano, Chile, Espanha, Haiti, Iraque, Sudão, Rússia, Egito, Uganda, Indonésia, Ucrânia, Peru, Hong Kong, Zimbábue, Colômbia, França, Turquia, Venezuela, Holanda, Etiópia, Brasil, Argélia e Equador, entre outros lugares, sem que exista uma relação quanto o grau de desenvolvimento, riqueza ou nível cultural. Qual seria o motivo? Uma matéria publicada pela Bloomberg aborda sobre esse assunto.

Uma possibilidade é que tudo isso seja uma coincidência aleatória. Outra é que as notícias de tais protestos estão agora muito mais dispersas e, portanto, parecem mais difundidas. Mas também vale a pena considerar que causa ou causas esses protestos podem compartilhar - e mais importante, os meios que eles têm para espalhar sua preocupação.

Um tema frequente são as pessoas que se opõem a um aumento de preço. No Equador, um ponto focal dos protestos tem sido a demanda por restauração dos subsídios aos combustíveis. Os subsídios aos preços do petróleo também foram essenciais para os protestos haitianos. No Líbano, os cidadãos ficaram chateados com um novo imposto cobrado pelo uso do WhatsApp, com um imposto de mídia social também sendo um problema em Uganda. No Sudão, os cortes nos subsídios a alimentos e combustíveis têm sido uma das principais reclamações. No Chile, eles estão protestando contra a alta do metrô.

A tendência é que os aumentos de preços continuem se tornando menos populares. E, crucialmente, a Internet ajudará as pessoas a se organizarem contra essas mudanças.

Considere que um protesto orientado para o trabalho à moda antiga pode ser organizado através do local de trabalho ou da própria fábrica, através de técnicas no local que são anteriores à Internet. Existe um local comum e um conjunto de redes sociais, incluindo talvez um sindicato. Aqueles que sofrem com um aumento de preço, em contraste, normalmente não se conhecem ou têm laços sociais comuns. Quase todo mundo compra gasolina, direta ou indiretamente. A internet, no entanto, possibilita mobilizar essas pessoas para protestos com os preços como tema comum.

Em outras palavras: os protestos dos trabalhadores parecem estar se tornando menos importantes, e os protestos dos consumidores estão se tornando mais importantes.

Você deve se lembrar que uma das demandas originais dos protestos dos "gilets jaunes" na França era de estacionamento gratuito na Disneyland de Paris. Se você acha que isso parece um pouco louco, ainda não internalizou a natureza do novo milênio.

No futuro, mudanças nos preços que aumentem a eficiência ou induzam a austeridade podem ser muito mais difíceis de realizar politicamente. A nova tendência não é o planejamento central nem as reformas liberais do mercado, mas os preços congelados, especialmente quando esses preços são definidos no âmbito político.

Uma lição é que combater as mudanças climáticas será mais difícil. Os subsídios aos combustíveis fósseis são amplamente populares, os cidadãos não parecem excessivamente dispostos a fazer sacrifícios econômicos nos dias de hoje e, na maioria dos países mais pobres. A mudança climática não é uma grande preocupação.

Outra lição é que a redistribuição eficaz pode muito bem se tornar mais difícil. Os economistas tendem a ver as transferências monetárias simples como o meio mais eficaz de redistribuir a riqueza, enquanto manter os preços baixos tende ao longo do tempo a levar à escassez e à menor qualidade. Os protestos não são uma forma especialmente salutar de pressão igualitária; portanto, é improvável que os problemas subjacentes melhorem muito, o que por sua vez poderia agravar as pressões políticas.

Os protestos dos consumidores organizados pela Internet também têm menos probabilidade de serem ideológicos no sentido tradicional de esquerda versus direita. Pessoas com visões políticas muito variadas, incluindo pessoas que não têm muita visão, podem ficar chateadas com os altos preços. A internet também pode estar incentivando um apelo de “denominador menos comum” para gerar os maiores protestos possíveis. A questão é que qualquer pessoa que espere que esses protestos produzam seu conjunto preferido de mudanças de política ficará desapontada.

Em particular, é recomendado não interpretar os protestos como dentro da estrutura progressista americana de combate à desigualdade. Embora a privação econômica seja um tema importante, nem o nível absoluto de privação nem o grau de desigualdade parecem explicar muito. O Haiti, o país mais pobre do hemisfério e com algumas das políticas mais disfuncionais, está passando por protestos porque a situação econômica é muito ruim. Enquanto isso, no Chile, o país mais rico da América Latina e com a queda da desigualdade, as manifestações podem ser mais uma questão de expectativas altas ou crescentes.

Uma coisa é certa: com protestos em massa, como muitas outras coisas, a internet está mudando tudo.

Esse artigo aborda de uma forma genérica os motivos que justificaram as inúmeras manifestações ao redor do mundo. É verdade que nessa amostra não se consegue ter um tema comum, talvez a melhor evidencia seria uma insatisfação generalizada, associada ao poderio da internet em colocar em pratica esses movimentos. Esse último argumento é presente aqui também, pois graças as manifestações, a ex-presidente Dilma sofreu impeachment, além da operação lava-jato, que ganhou sustentação entre a população. Esta semana teremos mais um teste no STF, caso o mesmo considere que um crime condenado em segunda estancia não possa ser cumprido. Vamos todos para a rua.

Foi publicado o IPCA-15 de outubro ficando em 0,09% acima da expectativa da Bloomberg de 0,04%. Foi dessa maneira que foi anunciado esse indicador. Fico perplexo em notar que os economistas deem importância ao índice na segunda casa decimal, como se estivéssemos a busca da perfeição. Se fosse o Mosca publicaria da seguinte forma: O IPCA-15 foi 0% em linha com a expectativa do mercado.

Os indicadores que o Mosca sugere importantes em 12 meses: Preços Livres, queda de 3,18% para 2,80%; e Difusão, de 55,3% para 54,6%, não merecem comentários adicionais.

O IPCA -15 em 12 meses recuou de 3,22% para 2,72%, situando no piso estabelecido pelo Banco Central e distante da meta de 4,25%, abrindo espaço para mais quedas da taxa SELIC. Agora até a torcida do Corinthians sabe que a inflação é baixa e permanente. O que ainda não é assumido dos analistas é que o juro baixo, não é mais baixo, mas sim normal.

A Rosenberg projeta um IPCA de 3,3% em 2019 e 3,5% para 2020, refletido pela elevada ociosidade da economia. Os leitores podem notar que, nos últimos anos, essas projeções começam o ano com um número mais elevado e retrocede conforme o ano transcorre.

Em se mantendo este cenário atual, a taxa SELIC daqui a 6 meses será igual ou menor a 4% a.a. A inflação expressa em papeis de 5 anos se encontra em 3,5% a.a. O grande ganho dos títulos de renda fixa é coisa do passado, daqui em diante, somente níveis de inflação mais baixo poderiam ser interessantes para os títulos pré-fixados.

Falando em juros, quem seria o melhor conselheiro? Um banqueiro, afinal, essa é sua matéria prima. Vejam a seguir duas declarações feitas em momentos distintos, pelo CEO do JPMorgan, o maior banco do mundo.



Uma já errou e é possível que erre o segunoa!

No post insegurança, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “Passados alguns dias, a bolsa brasileira pode estar terminando o triângulo, ou talvez, entrando no movimento de alta. Como eu havia comentado, existem outras alternativas. Nesta última situação deveríamos ter uma posição comprada” .... Hoje a bolsa negocia em alta histórica acima do nível de 106.500. Vale observar nos próximos dois dias para certificar-se que não é um false break. Vou desenvolver meu raciocínio considerando que não ocorra o retrocesso.

Como comentado anteriormente, tenho dificuldade de encontrar a melhor contagem de ondas segundo Elliot Wave. Quando isso acontece, foco no prazo mais curto e aguardo melhores indicações para o longo prazo.

No curto prazo, existe uma primeira barreira no nível de 110 mil que se ultrapassada deveria levar o índice aos 120 mil, conforme aponto no gráfico a seguir.

Supondo que aconteça dessa forma, o Ibovespa deveria atingir esse patamar no 1º trimestre de 2020. Antes que eu possa antever o futuro, depois desse atingimento, é mais prudente observar o andamento nesse período. Será de grande importância, pois a bolsa brasileira poderia entrar numa fase mais árdua daí em diante. Vamos devagar e no curto prazo, o foco será sobre a fase atual.

O SP500 fechou a 2.995, com queda de 0,36%; o USDBRL a R$ 4,0793, com queda de 1,19%; o EURUSD a 1,1125, com queda de 0,20%; e o ouro a U$ 1.487, com alta de 0,24%.

Fique ligado!

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