2020: O risco vai compensar?

28 de outubro de 2019

O Penúltimo Tango em Buenos Aires



A America Latina sempre foi uma região sem muita credibilidade junto a comunidade internacional. Motivos não faltaram para tamanha desconfiança e generalização dessa imagem. O Brasil ficou quase duas décadas sob o comando da esquerda. No início de seu mandato, Lula conseguiu enganar o fraco Presidente americano Barak Obama. Certa ocasião, Obama apontando seu dedo para o Lula disse “esse é o cara”. Talvez o que tenha faltado era completar “ esse é o cara mais corrupto da face da terra”.

Nós conseguimos nos livrar desse mal na última eleição quando Jair Bolsonaro assumiu o país. Não morro de amores por ele, tenho diversas divergências, mas sou fã da equipe econômica que vem fazendo um excelente trabalho. Estamos no caminho certo, basta ter um pouco mais de paciência e torcer para o cenário externo não estragar a festa. Mesmo com essas ressalvas em relação ao presidente, ao ver o que acontece ao redor de nós, fico muito feliz!

Além do Chile, com manifestações violentas nos últimos dias, o assalto as urnas na Bolívia, e os problemas recentes no Peru e Equador, ontem foi a vez dos Hermanos colocarem de volta O peronismo, com a eleição de Alberto Fernández em conjunto com Cristina Kirchner, a ex-presidente responsável pela situação catastrófica em que vivem. É verdade que Mauricio Macri não teve o guts para efetuar as mudanças que eram necessárias, o que acabou somente empurrando o problema para frente.

O novo governo peronista herdará uma economia em crise, à beira de sua nona inadimplência, em recessão e com inflação em torno de 55%. Embora Macri também tenha enfrentado uma situação econômica desastrosa quando assumiu o poder há quatro anos, a maioria das principais estatísticas macroeconômicas agora é consideravelmente pior depois de uma crise cambial contundente que obrigou a Argentina a buscar um resgate recorde de US $ 57 bilhões do FMI.

Ironicamente, foi outro governo peronista que explodiu o FMI em 2001, quando a Argentina, durante o que mais tarde seria conhecida como Grande Depressão, deixou de pagar cerca de US $ 130 bilhões em dívidas.

E como o mercado de capitais da Argentina já havia entrado na fronteira de um possível default em agosto, quando seus títulos e moedas implodiram, os formuladores de políticas monetárias sabiam o que esperar. Hoje baixou uma nova regulamentação limitando as compras em dólares a apenas US $ 200/mês por pessoa, abaixo dos US $ 10.000.

Como mencionado, essa situação é semelhante a do primeiro mandato do Lula, onde os mercados com receio do que o PT poderia fazer entrou em parafuso antes da eleições. A nova dupla de área Al-Crhis tem um problema sério pela frente. Se decidir desafiar os credores externos, incluindo o FMI, vai levar a Argentina a uma grande depressão, pois com a fama de mal pagador mor internacional, vai ficar sem um tostão furado, e suas reservas se esgotariam em pouco tempo.

A ilustração a seguir mostra o fluxo de vencimento de sua dívida em moeda local e internacional.


O novo governo assume em dezembro, porém, a escolha de seu Ministério poderá nos dar uma ideia de qual modelo irá utilizar. Se resolver ir para lado de confrontação será o “Penúltimo Tango em Buenos Aires”, referência do Mosca a um filme antigo estrelado por Marlon Brando e Maria Schneider.

- David, por que penúltimo?
Pelo histórico da Argentina, sempre terá mais um! Hahaha ...

No post dependemos-da-sorte, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... “Conforme se pode notar, o dólar ficaria mais algum tempo contido pelas bordas do triângulo para depois subir aos níveis de R$ 4,40 ou R$ 4,60. Ambos cenários apontam para alta do dólar” ...

O abandono da opção de um triângulo abre a possibilidade para alguns cenários possíveis para o dólar. Em todos tem algo em comum, que um novo movimento de alta deveria ocorrer mais à frente. Ao invés de expor cada um deles, que deixaria o leitor confuso, vou estabelecer níveis onde a reversão dessa queda deveria ocorrer.

O primeiro nível seria ao redor de R$ 3,95, seguido de perto por R$ 3,90. Esses dois parâmetros indicariam um determinado cenário técnico. Se a queda não for contida nesses níveis, surge R$ 3,80 e em seguida R$ 3,65/3,68, com outro panorama.

O último informe sobre a posição dos estrangeiros em relação ao real mostra um volume bastante elevado de apostas contra nossa moeda, conforme anotado a seguir. Acredito que, os leilões que devem ocorrer na próxima semana, trarão uma parcela importante de recursos dos investidores internacionais. Talvez o gráfico a seguir não capturou esse movimento. A conferir no próximo.

O SP500 fechou a 3.039, com alta de 0,56%; o USDBRL a R$ 3,9939, com queda de 0,22%; o EURUSD a U$ 1,1099, com alta de 0,19%; e o ouro a U$ 1.492, com queda de 0,76%.

Fique ligado!

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