2020: O risco vai compensar?

2 de outubro de 2019

É um fantasma ou uma sombra?



Ontem o mercado foi inundado de más notícias sobre o setor de manufatura. Embora fosse de certa forma esperado, seu impacto foi imediato, levantando os receios tão latentes de uma recessão. Começou pela lanterninha do grupo a Europa que continua ladeira abaixo.

Só fosse somente essa região acredito que não haveria um impacto maior, porém inesperadamente o PMI dos EUA, onde se esperava um nível de 50, foi publicado em 47.5. Vale lembrar o leitor que resultados abaixo de 50 significam contração.


As informações detalhadas contidas nesse relatório, são bastante ruins. Por outro lado, os dados relativos ao crescimento global não são tão ruins como o dos países desenvolvidos, o que pode levar a um raciocínio que esses últimos são reflexo do embate comercial entre EUA e China.


O mercado acionário reverteu imediatamente após sua publicação estendendo suas perdas no pregão de hoje. Todos sabem que a indústria é parcela pequena da economia americana, menos de 10%. Mas quando o assunto recessão é o mais procurado no Google, qualquer fantasma é real.


E para terminar o deck de dados apresentados hoje, o desemprego na Europa atinge os menores níveis desde a recessão de 2008, o que parece inconsistente com as outras informações. Uma explanação pode ser a de que o mesmo é defasado de 6 meses de uma mudança de rumo econômica. Mesmo assim, a Europa já está em descendente a mais tempo que esse prazo. Estranho!


Em relação ao mercado de trabalho, na próxima sexta-feira será publicado os dados de emprego nos EUA, e como de costume, hoje foi publicado o ADP, um indicador do que se pode esperar do dado oficial. A perspectiva era de um aumento de 145 mil e o resultado foi de 135 mil, um pequeno desvio.

O que podemos concluir desses dados? No momento, ainda não é possível assumir que estamos a caminho de uma recessão, pois pode ser que esses dados estão influenciados pela brusca desaceleração do fluxo de comercio entre os países. Por outro lado, independente desse argumento ser valido, existe um efeito real nas economias mundiais que poderá ou não ser recuperado. Sendo assim, pode ser apenas o fantasma da recessão ou a sombra dela!

No post de-mal-pior, fiz os seguintes comentários sobre o SP 500: ... “nestes últimos dias, a bolsa está contida num intervalo bastante restrito entre 2.980 – 3.020, próximo de 1%, não sabendo que caminho tomar. Como a figura abaixo mostra, talvez esteja se formando um triângulo” ... ... “Mas como os leitores podem observar, estamos dentro de uma correção e as possibilidades nesses casos se multiplicam, razão pela qual, não se pode fixar somente numa hipótese, é importante se manter aberto para evitar ficar refém de uma ideia” ...

Com os movimentos de ontem e hoje, fica quase eliminado a opção de que a correção tivesse terminado, e estaríamos entrando num novo ciclo de alta. O que se pode afirmar com certeza é que essa correção é muito complexa com diversos cenários possíveis. Como consequência, o nosso trade de compra foi estopado.

Para que o movimento de alta mantenha seu curso, existem alguns níveis que precisam conter essa onda de queda. O primeiro se encontra agora sob teste a 2.890 (1), na figura abaixo um possível triângulo poderia estar se formando. Caso não suporte, o próximo se localizaria em 2.820 (2). Abaixo desse ponto, a tese de alta vai ficar mais fraca mais ainda válida se o nível de 2.728 (3) não for rompido.

Nada além disso pode ser adiantado agora, as perspectivas assumidas antes foram anuladas sendo necessário uma observação dos próximos dias.

O SP500 fechou a 2.887, com queda de 1,79%; o USDBRL a R$ 4,1347, com queda de 0,56%; o euro a 1,0959, com alta de 0,26%; e o ouro a U$ 1.499, com alta de 1,42%.

Fique ligado!

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