2020: O risco vai compensar?

26 de junho de 2020

Robin Hood



Robin Hood, é um personagem fictício heroico, que ficou conhecido por roubar a nobreza, ou simplesmente os ricos, para distribuir entre os camponeses mais pobres. Utilizava sua agilidade e habilidade de lidar com arco, para realizar tais feitos, além de conhecer muito bem a floresta, lugar para onde fugia, após seus saques. Esse foi o nome que uma corretora americana usou para atrair clientes cobrando zero de corretagem tornando-se muito popular na pandemia.

O desafio dos pequenos contra os grandes é contado em muitas histórias, da qual, boa parte deve ter passagens fantasiosas. Esse costume se transferiu para o mundo dos negócios, com um apelo inquestionável. Nesse quesito estamos assistindo o embate entre o banco Itaú e a XP, que bizarramente tem o primeiro como seu grande acionista. Com a queda das taxas de juros, e com uma rede bancária despreparada para atender seus clientes em produtos mais sofisticados, o fluxo de recursos está na direção dessas corretoras.

Sou cliente da XP a vários anos, e venho notando uma enorme perda de qualidade no atendimento, além de que, em algumas situações, fiquei em dúvida sobre sua conduta. Dificilmente vai conseguir atender clientes mais sofisticados daqui em diante, nem tampouco o Itaú. Tenho a impressão de que está embriagada pelo sucesso, nessas situações a queda é inevitável.

O Mosca tem comentado sobre a divergência entre a performance do mercado de bolsa americano em confronto com os dados econômicos. Para justificar essa disparidade os analistas estão apontando para os clientes das corretoras cujo apelo é semelhante ao da Robin Hood, citando esses clientes como os responsáveis. Dado a popularidade dessa corretora, esses clientes ganharam até um apelido Robinholders, mesmo não sendo executado nessa corretora.

O perfil desse investidor tem sido o de buscar alternativas de investimento “baratas”, tais como opções e empresas que estão com graves problemas e suas ações estão desvalorizadas em termo de valor unitário. No mercado de opções o volume negociado subiu de forma intensa, como se pode ver a seguir.


Entretanto, essas empresas estão em situação dramática, e mesmo com o auxílio do Fed, é esperado um aumento significativo do número de falências, é assim em todas recessões e não poderia ser diferente nesta. Outro indicador que antecipa esse evento é a taxa de desemprego.


Mas não é só no mercado de opções que eles se encontram, vejam o que ocorreu ontem. A Hi-Crush (HCR), uma empresa que trabalha com peças de xisto no Texas, está trabalhando nos termos de um pedido de falência previamente combinado com os credores, informou a Reuters.

Espera-se que a HCR peça falência iminentemente, independentemente dos termos e condições de um depósito previamente combinado e acordado com seus detentores de dívida. Com os acordos de indenização já assinados, os credores não exercerão direitos relacionados a inadimplência sobre a empresa até 5 de julho.

Como os preços do petróleo foram corrigidos e ficaram negativos durante a pandemia, a administração não teve outra escolha senão reduzir a força de trabalho em 60% e fechar três unidades de produção, à medida que a demanda por petróleo diminuía. As ações da HCR caíram 29% no pré-mercado na sexta-feira, após a notícia da falência iminente.

Antes de anunciar oficialmente a insolvência – não haveria dúvidas de quem estava carregando ações da HCR. Bem, os Robinholders, é claro. Acrescente o HCR à longa lista de empresas falidas que esses investidores estão comprando. Também se notou que esses inexperientes operadores carregavam a GNC Holdings enquanto essa empresa solicitava proteção contra falência.


Acredito que esse grupo de pessoas com aparente pouca experiencia nos mercados, estão sendo levados pelo que eu denomino “quanto eu posso perder?”. Não sei se vocês já presenciaram uma situação descrita como uma grande oportunidade de investimento, cuja ação está negociada a por exemplo R$ 1,00. O raciocínio termina com essa frase.

Minha resposta é que pode perder 100%, pois se a ação vale R$ 1,00 ou R$ 1.000, tanto faz!

É ilusório a ideia que um ativo que custa R$ 1,00 é uma barganha, pois se chegou nesse preço existem motivos. E do seu ponto de vista o que importa é o total que se investe, e não quanto custa unitariamente uma ação, ou opção.

Esses investidores da Robin Hood podem estar usando seus parcos recursos buscando “dar uma tacada” e resolver sua aposentadoria. Se estão agindo da forma como se tem noticiado, é bem provável que fiquem a desejar. Somente por sorte, uma determinada posição poderá dar grande alegrias, pois parecem que não usam outro critério que não o preço baixo.

Como informativo, deveriam notar que a contra parte dessas operações, de forma genérica, são os especialistas no assunto; Hedge Funds e especuladores, que tem posições vendidas em nível histórico.

Para resumir, tudo suas apostas dependem de dois pontos: qual é a velocidade de recuperação e se haverá segunda onda de contaminação. Isso para as opções, no caso de ações de empresas especificas, além disso, essas empresas dependem de algum milagre. Façam suas apostas.


Vou ficar mais uma semana sem comentar sobre os juros de 10 anos. Conforme explicitado no post campo-minado: ... “o que precisa acontecer e que o juro se desvencilhe da região apontada acima em amarelo entre 0,60% e 0,80%. Mas também não se pode descartar que fique mofando nesse intervalo por um tempo” ... Enquanto estiver dentro deste intervalo, é de pouca utilidade qualquer comentário. Hoje a taxa se encontra em 0,64% a.a.

Como temos uma posição no euro, vejamos o que afirmei no post buffett-ficou-obsoleto: ... “ Uma ordem de trade contra o movimento mais recente e dentro de uma correção, é sempre uma loteria. Como esses níveis levam em consideração as cotações mais prováveis, fica sujeito ocorrer preços inferiores a esses. Eu costumo adotar uma sistemática nestes casos: executo em tranches. Sendo assim, vou completar metade nos preços atuais e a outra metade a € 1,1100. O stoploss será a € 1,1000” ...

A primeira posição foi completada na semana passada a 1,1180, que depois de apresentar alguns dias de alta, atingindo 1,1340, vem recuando e se aproxima do preço de entrada que também é o stoploss ajustado. Vamos permanecer com a outra ordem nas mesmas condições pré estabelecidas, tanto em termos de tamanho como de stoploss.
O SP500 fechou a 3.009, com queda de 2,42%; o USDBRL a R$ 5,4840, com alta de 2,39%; o EURUSD a 1,1222, sem variação; e o ouro a U$ 1.770, com alta de 0,52%.

Fique ligado!

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