2020: O risco vai compensar?

25 de junho de 2020

Queríamos acreditar



Não preciso perguntar aos leitores se estão de saco cheio, tenho certeza de que é assim que estamos nos sentindo. Privados de fazer qualquer atividade fora de casa, sobra as de dentro de casa que não são muitas. Nestes 3 últimos meses fomos expostos a inúmeros gráficos e teorias: achatamento da curva, formas de propagação do vírus, estatísticas de toda ordem para determinar quando voltariam as atividades, e assim por diante. Mas uma na qual ficamos fixados, era quando a vida retornaria ao normal, ou como dizem por aí, ao “novo normal”. E está data parecia estar chegando.

Ficamos assistindo os países da Ásia e depois da Europa voltarem a esse novo normal e mantínhamos a esperança de que esse dia chegaria aqui também. As bolsas de valores no exterior, com altas desde março, apontavam nessa direção. Queríamos acreditar!

Mas a realidade não está acontecendo conforme o desejado, e um pouco de racionalidade explica o motivo. Será que nos iludimos que ao seguir o distanciamento, junto com as restrições impostas pelos governantes, ficava garantido que o vírus seria totalmente erradicado? Ou alguns milhares/ milhões de vírus estão por aí esperando um novo momento de entrar em ação. Basta uma aglomeração para que se multiplique a contaminação, desencadeando um processo em progressão geométrica, aterrorizando novamente a população.

Somente uma vacina poderá trazer o sossego de volta. Tão importante como a vacina será uma medicação que comprovadamente combata o Covid.

Mas também não parece que retornaremos à situação de março, quando as fabricas e serviços do mundo permaneceram fechadas, a espera que o vírus desaparecesse. As pessoas e governos aprenderam como reagir a esses focos, que parece estará entre nós por um tempo.

Estamos fadados a ficar trancados? Acredito que não, porém a atitude dos jovens será diferente dos idosos. Vejo aqui em casa que, a primeira liberação autorizada, a sua vida de bares e restaurantes tenderá a retornar, enquanto nós idosos, cada passo nesse sentido, será estudado.

Como tenho frisado nos posts, vou manter minha conduta de reagir conforme a evolução dos fatos, pois o caminho ainda é muito incerto. Confesso que as vezes imaginamos que isso terminará logo, não por um fato, mas por desejo. Queremos acreditar!

Tenho observado diversos indicadores que apontam para recuperações melhores que as esperadas pelos economistas. Para dar conta desse ponto, o índice de surpresas publicado pelo Citibank, nos EUA, mais parece uma recuperação em raiz quadrada (√). A da Europa se encontra abaixo do lado direito, e ainda deixa dúvidas. Mas o que se pode esperar desse Continente cujo produto com grande peso é o turismo?


Os dados de manufatura nos EUA apontam na mesma direção, a de uma recuperação forte. No gráfico a seguir, que condensa duas pesquisas (New York e Philadelphia & Richmond) para o índice composto e o de novas ordens, ambos se encontram no nível anterior à crise. A exceção tem se mostrado no emprego que não exibe tanto vigor.


Isso se pode notar também nos pedidos de seguro desemprego que mantem um nível elevado comparado ao que se poderia esperar nesse momento de abertura da economia. O número de trabalhadores que buscam benefícios sem emprego ficou constante em 1,5 milhão, historicamente alto. Com a lenta recuperação do mercado de emprego enfrentando novas infecções, poderiam impedir o retorno das pessoas ao trabalho.

Os pedidos de subsídio de desemprego diminuíram lentamente de um pico de quase 7 milhões no final de março, mas também permanecem bem acima dos níveis pré-pandêmicos. Enquanto isso, o total de benefícios, conhecido como reivindicações contínuas, foi de 19,5 milhões na semana encerrada em 13 de junho, também se estabilizando perto dos 20 milhões, historicamente altos vistos nas semanas anteriores.


Embora os números tenham dado sinais de que o mercado de trabalho está se recuperando lentamente, economistas dizem que um aumento recente nos casos de coronavírus, pode afetar os esforços para reabrir a economia, e levar as pessoas ao trabalho.

Os estados onde o coronavírus está se espalhando mais, enfrentam uma desaceleração da atividade econômica, de acordo com a Jefferies. Alguns estados, como Arizona, Texas e Utah, estão vendo contrações em atividade, acrescentou a Jefferies.

A tendência de sinistros reflete mudanças em outros segmentos da economia, indicando que as condições estão melhorando, mas que há muito o que recuperar. Por exemplo, os gastos no varejo aumentaram bastante no mês passado, mas permaneceram bem abaixo dos níveis observados antes da pandemia melhorar a economia dos EUA.

Alguns formuladores de políticas apontaram um forte crescimento do emprego em maio, como evidência de que o governo federal não precisa conceder US $ 600/semanais extras em benefícios de desemprego, que devem expirar no final do próximo mês. Esses US $ 600, somados aos benefícios fornecidos pelos estados, foram incluídos em um pacote federal de estímulo para ajudar os trabalhadores demitidos a enfrentar a crise.

Por outro lado, o Escritório de Orçamento do Congresso projetou estender os US $ 600 extras em benefícios até janeiro próximo, o que levaria a um declínio no emprego durante o restante deste ano e todo o próximo.

Se houver uma ameaça de queda da atividade por conta de uma possível segunda onda, parece claro que o governo americano irá estender os benefícios até o próximo ano, ou quem sabe, até a vacina estar disponível. Agora acreditar que o governo sustentando boa parte da população sem produzir nada, não terá efeito nas suas finanças, parece ser uma visão ingênua.

No post o-ECB-libera-13-paus, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “Do ponto de vista técnico, um alta superior a U$ 1. 770 poderia indicar a continuação do movimento de alta, por outro lado, uma queda abaixo de U$ 1.650 poderia abrir a oportunidade de uma posição comprada, só não saberia dizer ainda em qual nível” ...

Nesta última semana o ouro ganhou certo impulso, subindo U$ 40, mas sem muita convicção, pois teria tudo para dar um salto rumo a novas máximas. Parece continuar ainda indeciso, conforme o gráfico abaixo aponta. Por outro lado, não apresentou nada convincente na queda, está contido dentro de um triângulo ascendente.

Eu imagino que vários leitores gostariam de ouvir do Mosca uma sugestão de compra do ouro. Percebo que esse assunto é muito ventilado nos relatórios, quase existindo um consenso que o ouro deveria ter uma performance positiva. Mas infelizmente o gráfico não mostra desta forma, pelo menos ainda. Não saberia dar os parâmetros para esse fim, principalmente qual seria o stoploss.

A experiencia me diz que na dúvida não se dever fazer nada, vou aguardar maior claridade para sugerir algo.

O SP500 fechou a 3.083, com alta de 1,09%; o USDBRL a R$ 5,3316, com queda de 0,27%; o EURUSD a 1,223, com queda de 0,22%; e o ouro a U$ 1.763, com alta de 0,14%.

Fique ligado!

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