2020: O risco vai compensar?

5 de junho de 2020

Estarrecido!



Realmente, a pandemia está desafiando as previsões de forma estupenda. Na mesma velocidade que o vírus se espalha infectando no atacado quem ficou exposto, os dados econômicos surpreenderam de forma rápida para baixo e para cima. A publicação dos dados de emprego hoje deixou o mercado estarrecido, pois ao invés de eliminar 8,0 milhões de empregos foram criados 2,5 milhões. Ninguém, absolutamente ninguém, previa um número positivo, quiçá dessa magnitude.

O emprego aumentou acentuadamente nas indústrias, incluindo lazer e hospitalidade, construção, serviços de educação, saúde e varejo, de acordo com o Departamento do Trabalho. "Essas melhorias no mercado de trabalho refletiram uma retomada limitada da atividade econômica que foi reduzida em março e abril devido à pandemia de coronavírus (COVID-19) e aos esforços para contê-la".

A taxa de desemprego caiu de 14,7% no mês anterior, que foi a mais alta dos registros datados de 1948. Uma medida mais ampla do desemprego - que inclui trabalhadores em meio período e aqueles que desistiram de procurar emprego - caiu para 22,2% a partir de 22,8% a mês antes.

A economia havia perdido 22,1 milhões de empregos combinados em março e abril, quando estados e localidades ordenaram que muitas empresas fossem fechadas para combater a propagação do vírus. Em maio, com algumas áreas começando a reabrir, determinadas empresas recontrataram trabalhadores.

"O retorno começou mais cedo do que o esperado, mas não se empolga demais com esse mês de dados", disse Nick Bunker, economista do site de contratação Indeed. "Não está claro como isso será duradouro."

Embora o relatório confirmasse claramente a mensagem política de Trump de uma recuperação em forma de V, o choque foi que, o aumento de empregos ocorreu antes do fim dos bloqueios. Além da confusão, as reivindicações de desemprego em andamento aumentaram após o período da pesquisa de abril e depois recuaram no final de maio, mas mesmo aqui, o aumento foi de mais de 3 milhões nas reivindicações em andamento.

Uma explicação para essa divergência bizarra veio da SouthBay Research, que observou que, anteriormente havia apontado problemas com os números de Reivindicações de Desemprego, apontando para o salto de 37 milhões em reivindicações cumulativas. Isso levou Southbay a propor as três opções a seguir sobre o que está acontecendo:

Opção 1: os empregadores adicionaram 9 milhões de empregos de 13 de abril a 12 de maio. De alguma forma, a ligeira reabertura parcial em alguns estados no início de maio levou a uma onda de contratações sem precedentes
Opção 2: Os dados do BLS estão ... errados!
Opção nº 3: os dados da reivindicação de desemprego são terrivelmente falhos.
A SouthBay conclui que "o relatório de hoje confirma o que já sabíamos: que as empresas voltaram a contratar. A surpresa é que voltassem antes que o bloqueio terminasse".

O gráfico a seguir, eu tenho vergonha de publicar. Não tem valor nenhum depois do que ocorreu nos últimos meses. Que conclusão ou informação que se pode subtrair? A única é que, o Covid-19, como se diz em linguagem coloquial, bagunçou o coreto!


O dado de emprego deste mês foi ótimo, mas o número de desempregados em diversas categorias foi tão elevado, que o resultado de hoje faz parecer insignificante. O que esse número também não mostra é que a maior parte dos empregados sem qualificação continua sem empregos, assunto que levantei no post ameaça-sub-adjacente, É importante relativizar o dado de hoje.


Eu comentei durante esse tempo que havia assumido uma postura pragmática quanto as previsões, e que dessa forma reagiria conforme o desenrolar das informações. Isso se mostrou correto. Nessa linha de raciocínio, publiquei no post plano-beta, uma visão diferente do que se esperava, provocando o leitor num cenário aonde a economia se recuperaria muito mais forte do que se notava nos relatórios de economistas. É verdade que, imaginei isso ser possível somente quando uma vacina fosse aplicável.

Bem, para não cair na farra e assumir que o Covid-19 é coisa do passado, bastando fazer um paste copy do que ocorria em fevereiro, sugiro muita cautela, pois poderá vir notícias ruins mais adiante, ninguém sabe! O que parece podemos assumir é que, a volatilidade dos dados vai continuar por um bom tempo, e continuo a manter a postura pragmática. Em relação aos ativos, deixa o mercado nos dizer o que quer fazer!

Acredito que uma grande parte dos leitores não tem conhecimento de análise técnica e esse é um dilema para o Mosca. Imagino como deve ser difícil assumir minhas previsões dos mercados de forma cega, dá muito receio. Se ela ainda é contra suas convicções, devem ficar com raiva, e natural do ser humano. Já senti tudo isso antes e posso garantir que com o passar do tempo vai se acostumando. O melhor dessa técnica é assumir o stoploss como via de regra, sempre, sem exceção. Isso garante a exclusão da emoção principalmente quando os mercados vão em direção contraria. Não é simples!

Hoje como de costume, vou comentar sobre o mercado de juros. No post cuidado-com-juros-sedutores, fiz os seguintes comentários: ... “Desde março os juros estão contidos dentro de um intervalo entre 0,75% e 0,60%, com pequenas oscilações em ambos os sentidos” ... ... “Minha perspectiva não mudou, embora esta demora, foge aos padrões esperados. No gráfico acima estabeleci alguns patamares que deveriam ser observados, caso o movimento de baixa ainda ocorrerá. O primeiro definido como alerta amarelo, entre 0,80% e 0,90%, seria o “máximo” aceito, embora não é suficiente para abortar o prognostico” ... ... “ Embora a maior parte dos analistas trabalhe com um cenário deflacionário, o que deveria acarretar taxas mais baixas, sendo um fator para que os juros permaneçam baixos (além das compras feitas pelo Fed). Entretanto, se a recuperação da economia for mais forte, os juros tenderiam a pressionar” ...

O texto acima ficou longo, mas eu quis republicar para comentar alguns pontos. Esse post foi publicado há 2 semanas, pois na última sexta-feira, não tinha nada a acrescentar. Se você notarem minhas palavras, percebe que eu estava desconfiado sobre o a queda dos juros. Frisei acima dois pontos que denotam isso. As vezes a análise técnica te indica os parâmetros, porém, você como analista fica desconfiado. Notem que não sugiro nenhuma operação nesse mercado desde março, quando zeramos um trade apostando na queda de juros. Eu acreditava que daí em diante não tinha um bom risco retorno.

Bem, esta semana os juros subiram todos os dias, e agora estão acima (.925%) da região apontada no gráfico acima em amarelo. Muita gente deve ter sido stopada nessa pequena alta. Mas não dá para entrar agora apostando na alta, pode ser um respiro para que os juros voltem a cair, preciso de mais evidências nos próximos dias.

 
Vou fazer algo que não costumo fazer, uma projeção antes que ocorra o rompimento. Mas meu objetivo neste caso é instrutivo e provocativo. Supondo que o nível de 1,3% seja rompido, se pode esperar atingir os níveis entre 1,4% e 2,10%, assumindo uma correção do movimento de queda. Quero ressaltar que acima de 1,4%, os juros entram dentro do “caixote” que perdurou por 8 anos – limite entre 1,4% e 3,0%.

- David, gostei dessa, está melhorando! Hahaha ... A pergunta que não quer calar, e se passar de 2,1%?
Mesmo sendo irônico, obrigado! Como estamos aqui em conjecturas, posso viajar na maionese como se diz. Respondendo, se passar de 2,1% e dependo do shape, alguma coisa estranha acontecerá na economia, com toda liquidez que o Fed injetou, provavelmente a economia estaria muito mais forte que se previa. Sendo assim, a autoridade monetária ficaria muito preocupada, pois terá que subir os juros e retirar a liquidez, se não quiser ter um problema enorme para financiar sua dívida dali em diante. Provavelmente, a inflação já não estará tão comportada. Vou parar por aqui, pois poderia traçar um cenário horrível. Vamos por o pé no chão e observar o que o mercado diz. Let’s the market speak!

O SP500 fechou a 3.193, com alta de 2,62%; o USDBRL a R$ 4,9585, com queda de 3,14%; o EURUSD a 1,1284, com queda de 0,46%; e o ouro a U$ 1.685, com queda de 1,48%.

Fique ligado!

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