2020: O risco vai compensar?

17 de junho de 2020

O mundo mudou?



Reflita um pouco nos diversos pensamentos que você teve durante essa pandemia. Talvez o excesso de tempo com você mesmo, despertou uma imaginação que pode fugir da realidade. Por outro lado, a ameaça da morte de forma invisível levou a um Universo fora da realidade.

Um artigo publicado pelo articulista, Barry Ritholtz coloca em questão diversos pontos que surgiram nesse momento. Questionando cada um deles, afirma que o mundo não está muito diferente do que era antes.

Suas experiências diárias de abrigo no local, são definitivamente diferentes daquilo que você pensava anteriormente como sua vida "normal". Mas o que você deve esperar experimentar após a pandemia será muito semelhante ao que era antes do bloqueio - talvez com mais higiene das mãos.

Isso será especialmente verdadeiro quando houver tratamento e vacina para o Covid-19. A maior mudança será a rápida aceleração de tendências que já estavam em vigor. O futuro está chegando, um pouco mais rápido do que o planejado anteriormente. Grandes eventos podem ter esse efeito.

Isso não impede as profecias da destruição. As expectativas radicais dos futuristas incluem: Morte das grandes cidades; Colapso de Faculdades e escolas públicas; Fim de lojas de varejo; e shoppings; não há mais lugar para escritórios;

Mudanças maciças estão chegando a: Transporte público / Trânsito; Música; Esportes; Concertos ao vivo; Moda; Teatro; e mesmo namoro online.

Ao emergir ao admirável mundo novo que o aguarda, você dificilmente reconhecerá o que vê! Nada será familiar neste mundo pós-pandemia. Para aqueles que acreditam que esperam mudanças inconcebíveis, ofereço-os à venda a um preço razoável, a ponte que liga Manhattan ao Brooklyn.

Meu ceticismo em relação a mudanças radicais se baseia em três premissas simples da natureza humana:

1. Reivindicações anteriores de "mudança" falharam. Os ataques terroristas de 11 de setembro e a crise financeira de 2008-09 - ambos os quais “mudariam tudo”, na maioria das vezes, reverteram a média eventualmente de volta à vida anterior. As grandes mudanças foram principalmente ajustes modestos.

2. Mudança incremental é mais provável. O que mudou foi o excesso de índices de alavancagem bancária, revertidos para onde estavam décadas antes. Hoje, as instituições financeiras maiores mantêm mais capital e possuem melhores ferramentas de gerenciamento de riscos. Até o projeto de lei da reforma de Dodd-Frank Wall Street acabou sendo adiado pelos lobistas, e muitas de suas principais disposições foram eliminadas ou reduzidas drasticamente.

3. Não temos imaginação para reconhecer mudanças genuínas. Construímos modelos internos a um grande custo pessoal. Mesmo quando confrontados com evidências opostas, ainda somos relutantes em alterar esses modelos. Quando coisas que realmente mudam tudo acontecem, ainda as ignoramos: o voo inaugural dos irmãos Wright em Kitty Hawk quase não foi percebido por ninguém. O voo humano motorizado é uma daquelas coisas que mudaram tudo - e passou completamente despercebido.

Após a pandemia, algumas tendências pré-existentes podem ser mais fáceis de detectar. Com 93% dos americanos se protegendo por meses, algumas tendências que não são novas serão estimuladas pelas circunstâncias. Considere estas previsões questionáveis:

A morte das cidades: áreas urbanas maiores e caras, como Nova York, São Francisco e Chicago, vêm sofrendo uma redução de 1% na população há anos. Alguns esperam que isso acelere, principalmente porque os residentes mais jovens, que não podem se dar ao luxo de viver em cidades caras, vão para outro lugar.

Mas não é mera coincidência que as cidades tenham sido a fonte dominante de crescimento econômico, criatividade cultural e energia comercial nos últimos cinco séculos. Essa tendência existe porque o capital social e intelectual das cidades é muito atraente. Quem passa a maior parte da semana em chamadas de Zoom sabe que isso não mudará tão cedo.

Colapso das faculdades: Os custos das mensalidades têm aumentado consistentemente mais rápido que a inflação há décadas. Há muito a ser dito sobre a experiência na faculdade, e é difícil ver os pais pagando US $ 70 mil por ano pela versão on-line menor disso. (Observe que faculdades e academias on-line existem há mais de uma década, a aceitação tem sido bastante lenta).

Um diploma universitário não é mais a garantia de maior renda vitalícia do que era antes. O movimento em direção a faculdades comunitárias gratuitas e o estresse econômico das escolas de nível inferior, ambos são anteriores à pandemia. Todas essas três tendências precedentes provavelmente continuarão ou até se acelerarão.

Não haverá mais escritórios? Considere a tecnologia que estamos usando hoje no bloqueio: vídeos do Facetime, compartilhamento de tela, chamadas pelo Skype, Google Hangouts, Zoom. Todos são anteriores ao Coronavírus por anos ou décadas. A tecnologia melhorou, principalmente devido ao aumento da escala e maior largura de banda. Fiquei surpreso ao saber como poucas pessoas sabiam que tudo isso era tecnologia pré-bloqueio, e não apenas agora.

A terceirização de trabalhadores para regiões econômicas mais baratas é eternamente antiga; O trabalho remoto também existe há quase tanto tempo. Você pode ver isso no modo como o desempenho diferenciado dos Fundos de Investimento Imobiliário (REITs) reflete a mudança na demanda imobiliária comercial e residencial por um bom tempo.

Fim das lojas de varejo (e shoppings): Na verdade, essa foi a tendência mais longa de todas. A Amazon tornou-se pública em 1997 e imediatamente começou a ganhar participação de mercado. O resto da internet logo se juntou e o comércio on-line tem crescido a uma taxa anual de 30%. Agora, os varejistas on-line representam cerca de 15% das vendas.

Lojas como Target, Walmart e Home Depot (finalmente) ficaram melhores em competir com a Amazon. Mas é mais do que apenas a maior loja on-line: os EUA tem um varejo excessivo há décadas. Os Estados Unidos ocupam muito espaço físico de varejo per capita desde os anos 90.

Subúrbio: O sonho americano de possuir sua própria casa, com um quintal e alguma natureza, nunca foi tão atraente quanto durante o bloqueio. Investimentos privados em espaço de aluguel próprio e casas unifamiliares farão bem. Parece ótimo quando, você está olhando para as mesmas quatro paredes dos apartamentos, seus elevadores e lobby, são uma zona de guerra viral. Uma vez que exista um tratamento e uma vacina, isso também passará.

Os seres humanos têm uma capacidade bem documentada de se adaptar ao bem e ao mal. É por isso que sua nova televisão grande acaba se tornando apenas “a TV” ou por que esse truck V-10 sofisticado, com tração nas quatro rodas, turbo duplo e motor intermediário acaba se tornando apenas “o carro”. Sem essa capacidade de adaptação, nós seríamos lesados pelo desespero e pela alegria.

Muita coisa vai mudar, mas a mudança já estava em andamento antes do Coronavírus. Assuma que essas tendências se acelerem. Só não finja que isso é algo novo!

Bastante interessante essas colocações, e de certa forma remete a uma reflexão sobre como será a vida pós Covid-19. Imagino que as pessoas não renunciarão aos prazeres da vida no limite de sua segurança. O que quero dizer é que; dificilmente iremos a um estádio de futebol antes que sejamos vacinados, ou se todas as pessoas que frequentem, já foram infectadas (considerando que não existe dupla infecção). Mas será que vamos deixar de viajar? Ou ir ao cinema? Jantar fora? Parece pouco provável que iremos abandonar esses prazeres, talvez os mais velhos fiquem com receio. Quem sabe?

Gostaria de trazer algumas informações que de certa forma dão alguma sustentação a esses argumentos. Para esse fim, vejamos alguns gráficos: Incialmente, a produção na China mais parece uma recuperação em V.


Em relação aos EUA, do lado esquerdo o índice de Surpresa do Citi indica uma recuperação acima do que os economistas esperavam; o da direita um acompanhamento da recuperação em diversos setores.


Só nos resta aguardar como será nossa vida no futuro, mas a cada dia que passa, e notando a reação das pessoas quando o distanciamento é relaxado, fico com a impressão de que a vida vai voltar ao normal com ressalvas. Faria uma participação dos serviços e produtos em 3 separações da seguinte forma:

     1)      Setores que se beneficiaram da pandemia: continuam em crescimento mais acelerado.
     2)      Setores com baixo grau de contágio: tendem a normalidade com a finalização do lockdown.
     3)      Setores com alto de grau de contágio: Voltariam de forma lenta, e com normalização somente depois da vacina.

No post deflação-é-bom, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “ Por enquanto continuo trabalhando com mais uma alta até o nível de ~ 110 mil, e ficaria mais receoso sobre esse objetivo, caso o Ibovespa recue a 90 mil. Tudo de certa forma possível de alteração, pois meu cenário é de que estamos numa correção, aonde tudo é possível” ...

Neste momento não se pode saber se a bolsa está pronta para romper o nível de 97.5 mil, que é um osso duro de roer, ou ainda se encontra na correção. Como marquei no gráfico a seguir, o objetivo estaria contido dentro do retângulo verde entre 106,5 mil e 110 mil.

Notem que quando as bolsas estão mais calmas no exterior, e mesmo o ruído interno continuando praticamente igual ao que prevalece nos últimos meses, a bolsa local, recuperou parte importante da queda. Isso mostra que os movimentos estão muito mais condicionados ao mercado internacional que as discussões sem fim sobre democracia etc. Não que eu não dê importância a esses assuntos, mas sim, que eles não fazem preço.

O SP500 fechou a 3.113, com queda de 0,36%; o USDBRL a R$ 5,2347, com queda de 0,15%; o EURUSD a 1,1241, com queda de 0,20%; e o ouro a um$ 1.726, sem alteração.

Fique ligado!

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