2020: O risco vai compensar?

16 de junho de 2020

Quem quer dinheiro!



Um artigo publicado pelo Wall Street Journal, relatando sobre o volume de caixa detido pelos investidores, me deixou de certa forma perplexo. Imaginei que, com a alta dos ativos depois de março, parte dessa caixa já tinha sido consumido, mas ao contrário, continuou crescendo.

Lidando com a maior incerteza econômica em décadas e uma faixa de volatilidade impressionante no mercado de ações dos EUA, muitos investidores investiram em fundos de curto prazo. Os ativos dos fundos aumentaram recentemente para cerca de US $ 4,6 trilhões, o nível mais alto já registrado desde 1992.

Os ativos dos fundos do mercado monetário são uma medida, mas não a única, das reservas de caixa, e os investidores também investiram dinheiro em outros lugares. Outras medidas, como depósitos bancários, também estão em alta.

Analistas atribuem a fuga ao risco à pandemia de coronavírus, que provocou uma corrida de ações, títulos e commodities. Enquanto isso, os cheques de estímulo enviados a milhões de americanos como parte do pacote de resgate econômico ajudaram a aumentar o acervo.


É o mais recente sinal desconcertante dos mercados, pois muitos investidores já estão lutando para reconciliar a crise econômica decorrente da pandemia de coronavírus com a manifestação simultânea e impressionante que puxou os principais índices de ações dos EUA para mais de 35% das mínimas no final de março.

Poucos podem concordar com o que o volume gigante de dinheiro significa para os mercados. Muitos investidores, nervosos com a crise econômica, estão questionando se as ações subiram muito, muito rapidamente, e optaram pela segurança do dinheiro em vez de investir no mercado. Outros mantêm dinheiro à margem, prontos para implantar quando identificam uma oportunidade atraente de compra.

A ansiedade em torno da aceleração do mercado está em exibição recentemente, com o S&P 500 caindo 5,9% na quinta-feira - sua maior queda desde março - antes de balançar violentamente na sexta e segunda-feira. O índice subiu 37% desde o final de março e caiu apenas 5,1% no ano.

Os ativos dos fundos de Money market cresceram cerca de US $ 1 trilhão este ano, elevando os ativos desses fundos acima da alta anterior, de aproximadamente US $ 3,8 trilhões alcançados durante a última crise financeira.

Apesar do avanço, o posicionamento geral das ações entre os investidores permanece entre os níveis mais baixos da década passada, segundo dados do Deutsche Bank. Novos investidores individuais entraram no mercado de ações durante a recente liquidação, enquanto investidores institucionais apenas recentemente começaram a aumentar suas posições, disse uma equipe de estrategistas do Deutsche Bank.

John Cunnison, diretor de investimentos da empresa de investimentos Baker Boyer, disse que transferiu parte de seu portfólio para o caixa no início deste ano, quando a volatilidade começou a subir nos mercados - marcando a primeira vez em pelo menos uma década em que ele não estava totalmente investido em ações ou outros ativos.

Alguns observadores do mercado interpretam o posicionamento cauteloso de investidores como Cunnison como um sinal positivo de que o mercado de ações tem espaço para subir.

Outros dados de posicionamento mostram que os traders têm sido pessimistas em relação ao recente rali. À medida que as ações se recuperavam, os fundos alavancados, como os fundos de hedge, acumularam um posicionamento mais baixo nos futuros do S&P 500, desde 2016, de acordo com dados da Commodity Futures Trading Commission.

Essas observações estão em desacordo com outras informações que dão conta de um aumento espetacular no número de abertura de contas em corretoras para operar no mercado acionário, como se um vírus financeiro contagiasse as pessoas que se encontravam em casa pela quarentena. O gráfico a seguir dá conta do “contágio” a que se propuseram.


Mas esse grupo vai mais além, não bastasse a elevada posição que mantem no mercado de opções, resolveram comprar ações de empresas que estão à beira da falência como o quadro abaixo mostra. Parece que uma bolha está se formando comandada pelo vírus da ganância que assola as pessoas que não tem muito o que fazer.


Tudo isso não é novidade nos mercados financeiros, inúmeras bolhas ocorreram no passado e o final é triste para quem não sabe abandonar antes do tempo. Ocorre que na situação atual, essa onda não se dá pelo otimismo da economia nem tampouco de uma descoberta com elevado potencial de sucesso, mas sim pelo excesso de dinheiro que está circulando nos mercados financeiros, propiciado pelos bancos centrais.

U$ 4,6 trilhões estão estacionados num fundo que rende 0%. Fico pensando se a bolsa continuar a subir, se esses investidores ficarão inertes. Acho difícil, o mais provável é que sejam infectados pelos vírus da ganância. Situação sui generis que estamos vivendo.

Jerome Powell está ameaçando o lugar de Silvio Santos no seu programa Quem quer Dinheiro. Ou talvez, façam um acordo de parceria, as “Silvetes” ficariam felizes demais! Ao invés de R$ 50 dezenas de centenas de dólares! Hahaha ...

No post  tudo-de-novo, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “ Acontece que existe uma linha Maginot (*) nesse caminho de alta, esse nível é de 3.250. Sem entrar nas tecnicidades, caso esse nível seja ultrapassado, a bolsa deveria continuar subindo de forma quase ininterrupta. Caso contrário, uma correção tomaria pulso por algumas semanas levando o SP500 a um intervalo entre 2.850 a 2.600, para só depois voltar a subir” ...

Parece que não será agora que a bolsa americana vai buscar romper a máxima histórica. A linha Maginot acabou segurando o ímpeto dos comprados. Depois de atingir uma mínima de 2.965, uma recuperação tomou pulso abrindo a possibilidade para um trade na venda. No gráfico abaixo aponto essa oportunidade.

 
Quero deixar claro que esse é um trade de curto prazo, contra a tendência de alta de longo prazo. Esse é o cenário benigno que estou trabalhando, compatível com essa liquidez estupidamente elevada. Existe um outro que vislumbra quedas maiores, porém no momento não é o principal.

O trade está sujeito a uma condição, que o SP500 não negocie abaixo de 2.970 antes de ser completada a ordem. O objetivo terá que ser mais bem calculado a posteriori, porém deve ficar entre 2.840 a 2.720.

O SP500 fechou a 3.124, com alta de 1,90%; o USDBRL a R$ 5,2375, com alta de 1,58%; o EURUSD a 1,1263, com queda de 0,53%; e o ouro a U$ 1.726, sem variação.

Fique ligado!

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