2020: O risco vai compensar?

12 de julho de 2019

Amadurecimento precoce



Os desafios do mundo moderno não estão limitados aos novos negócios que surgem, mas também suas consequências. Tenho presenciado algumas apresentações de startups propiciadas pelos bancos. Fico impressionado com a competência desses jovens ao se aventurar no mundo dos negócios, sem muito conhecimento de vida, vão em frente.

A experiência é algo que não se aprende nem existe maneira de encurta-la. São principalmente através dos insucessos que crescemos e adquirimos maturidade para enfrentar novos desafios. Essa evolução tem uma sequência e isso está sendo desafiado nos tempos atuais.

Certa vez minha filha estava estagiando na Unilever, desejo de qualquer estudante prestes a se formar. Eu estava feliz da vida com sua conquista. Passados 4 meses, recebo um daqueles WhatsApp dos filhos, que começam com “pai”. Não sei vocês, mas quando recebo uma mensagem que começa desta maneira, vem algum problema em seguida. Nesta ocasião ela me disse que estava querendo sair da Unilever, e sabia que iria me opor.

Fiquei frustrado. Como assim, não teve tempo de conhecer nada. Marcamos um almoço para eu tentar argumentar que não era uma boa ideia. Num determinado momento da conversa disse a ela que, se não estava gostando do que fazia, as oportunidades em outras áreas são enormes numa empresa desse tamanho. Foi quando ela me respondeu “ Já conheço tudo da empresa”. Conhece tudo em 4 meses? Deixei que ela tomasse seu rumo, o que acabou acontecendo, pois foi contratada uma semana depois em outra empresa.

Um artigo do Wall Street Journal relata sobre as consequências do sucesso prematuro dos jovens que se aventuram em novos negócios e culmina com a abertura de capital – IPO.

Este ano está se definindo como um recorde para os IPOs de startups. Tornar-se público é um momento cinematográfico para seus fundadores, CEOs e funcionários iniciais, que podem transformar anos de trabalho duro em imensa riqueza. Mas fora da câmera, o mundo dos startups tem um lado negro. Sob o verniz de festas extravagantes e avaliações multibilionárias, muitos fundadores e executivos estão se esforçando para construir negócios pioneiros enquanto lutam com questões como ansiedade, dependência de drogas, insônia, depressão e compulsão alimentar.

O estresse, é claro, faz parte de qualquer papel de liderança, e os líderes de startup geralmente têm mais recursos do que a maioria para lidar com os problemas de saúde mental. Mas também está ficando claro que a criatividade leva muitos fundadores de startups a dar saltos ousados geralmente com consequências danosas.


Os empreendedores são 50% mais propensos a relatar ter uma condição mental de saúde, e descreveram taxas significativamente mais elevadas de depressão, transtorno de déficit de atenção, abuso de substâncias e transtorno bipolar, do que um grupo de controle, de acordo com um estudo de 2016 da Universidade da Califórnia.

"Todo o caminho para levantar fundos, até encontrar o seu principal investidor, você se sente um merda porque todos os outros investidores com quem você fala estão dizendo o quanto o seu negócio é uma merda", disse Kimbal Musk.

Enquanto muitos empresários encontram maneiras de lidar com a pressão, alguns se tornam cada vez mais destrutivos.

As tendências hiperenergéticas de Brandon Truaxe o ajudaram a construir uma marca de beleza cult com centenas de funcionários. Truaxe dirigiu grande parte do próprio Deciem Inc., com sede em Toronto, dormindo pouco e usando efedrina e cafeína, disse Riyadh Swedaan, seu namorado de 11 anos.

Conforme a empresa crescia, a pressão aumentava. Swedaan disse que Truaxe começou a usar metafetamina cristal no começo de 2018, levando a um comportamento cada vez mais errático. Em outubro, a investidora da Deciem, Estée Lauder, entrou com uma ação legal, alegando que o Sr. Truaxe havia feito centenas de “mensagens perturbadoras” nas contas da mídia social de Deciem, incluindo ameaças. Alugou um avião particular e uma nova sede sem consultar o conselho da Deciem.

O processo levou o Sr. Truaxe a ser removido da empresa. Ele foi hospitalizado três vezes no ano passado como resultado de alucinações causadas pelo uso pesado de drogas. Swedaan, culpou as drogas pela espiral descendente de Truaxe.

Em janeiro, o Sr. Truaxe morreu tragicamente depois de cair de seu condomínio no 32º andar.

Uma questão frequentemente citada nos círculos de tecnologia é que muitos startups falham por causa de problemas com pessoas, não com questões de negócios. Em um estudo de 2016, 92% dos mais de 13.000 investidores de capital de risco, pesquisados ​​pelo National Bureau of Economic Research, identificaram a equipe de gestão como o fator mais importante nos fracassos de startups.

Uma razão comum para a angústia, é que os fundadores e os executivos de startup tendem a deduzir grande parte de seu senso de autoestima do sucesso de sua empresa.

Os fundadores geralmente têm mais influência sobre as trajetórias criativas e estratégicas de suas empresas, do que os líderes de empresas estabelecidas. Como resultado, suas lutas podem ter consequências empresariais desmedidas. Em 2017, grandes patrocinadores da Uber Technologies, exigiram a expulsão do fundador Travis Kalanick, após uma série de escândalos.

Esses casos comentados nesse artigo fornecem a dimensão dos problemas vividos por esses jovens expostos ao mundo dos negócios praticamente sem experiência. Além do dirigente, seu corpo executivo também é composto por funcionários com características semelhantes.

É muito difícil criar um juízo de valor, nem tão pouco calcular a sua perenidade. Uma estatística apontada pela empresa de consultoria McKinsey estima que somente de 3% a 5% irão sobreviver, deixando 95% com os custos do insucesso. O que posso sim dizer é que, não existe uma maneira de encurtar a experiência humana, sendo assim, daqui a 20 ou 30 anos saberemos qual foi o resultado desse amadurecimento precoce.

No post america-first, fiz os seguintes comentário sobre os juros de 10 anos: ... “Ainda é muito cedo para poder dizer que, os juros atingiram uma mínima, é necessário que o intervalo destacado acima entre 2,15% - 2,2% seja ultrapassado” ...


Aqui do Mosca eu não teria como saber os dados de emprego publicados na semana passada, nem tampouco o que o Presidente do Fed, Jerome Powell, falaria em sua aparição no Congresso. Mas a análise técnica me indicou que o nível ao redor de 2% era bastante importante e que não valeria apena manter uma posição.

Hoje pela manhã a taxa atingiu 2,15% entrando na região apontada como importante para saber se essa alta vai dar frutos, ou é uma pequena recuperação para cair em seguida. Acredito ser mais o segundo caso.




Em função deste prognostico vou propor um trade para queda de juros, entrando a 2,18% e com stoploss a 2,28%. O objetivo situa-se 1,9% podendo estender até 1,6%.

Eu mesmo fico surpreso em orientar os leitores a entrar num trade de juros, em níveis tão baixos, quando no início deste ano, tinha uma posição contrária a essa. Isso só é possível ao não se apegar as opiniões de maneira dogmática, sem receio de ser considerado superficial, ou mesmo o desconforto de encontrar alguém na rua e te xingar porque seguiu seus conselhos. Como costumo dizer, minha opinião vale por 24 horas, se quiser saber daí em diante, siga o Mosca.

Tudo isso só poderia acontecer com uso da análise técnica, através dela e por princípio, são os preços que formam a sua opinião e não ao contrário. Sendo assim, estou aberto para qualquer lado, pois o stoploss é a salvaguarda que dá confiança para não comprometer seu patrimônio.



O SP500 fechou a 3.013, com alta de 0,46%; o USDBRL a R$ 3,7368, com queda de 0,47%; o EURUSD a 1,1270, com alta de 0,15%; e o ouro a U$ 1.414, com alta de 0,77%.

Fique ligado!

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