2020: O risco vai compensar?

2 de julho de 2019

O Fed está com o dedo no gatilho



Mesmo com o alivio temporário ocasionado pela trégua entre os EUA e a China, na opinião do Mosca e boa parte dos analistas, os estragos desse embate continuam a pesar sobre os dados econômicos.

O Fed acompanha de perto essas informações a fim de decidir seus próximos passos no Comitê de política monetária. As publicações nesse começo de mês não são muito animadoras. Preparei a seguir, informações do PMI da Indústria de alguns países - EUA, Europa, UK e Suíça, nessa sequência.



Um apanhando global elaborado pelo JPMorgan também aponta resultados negativos e de certa forma preocupante, dado o longo período que se encontra em retração.




Se a decisão se baseasse somente nos dados passados o Fed e seus pares deveriam estar preparando medidas de estimulo para a economia, entenda-se baixar os juros, afinal essa é a arma que sobra no momento.

Mas alguns indicadores, ou projeções, apontam no sentido contrário. Se as evidencias passadas podem ser ainda usadas, haja visto diversas distorções que ocorrem atualmente, a baixa de juros tem um efeito direto no PMI, com uma defasagem de 18 meses, como se pode ver a seguir.



A inflação medida pelo PCE, indicador usado pelo Fed para analisar os preços, embora apresentem dados anuais ainda abaixo do objetivo traçado de 2% a.a., numa métrica mais curta – semestral e trimestral, apontam para uma aceleração. É verdade que, esse critério não é uma indicação em si que geraria alguma preocupação, porém aponta para uma mudança de tendência de queda.



A perspectiva para o PIB dos EUA neste trimestre, voltou aos níveis iniciais segundo o GDP Now. Essa retração foi devida aos resultados econômicos observados nas últimas semanas. É bem provável uma publicação do PIB ao redor de 1,5%, uma vez que, nesse período, existe uma congruência entre os economistas e esta fonte de dados.




O Fed além do PIB usa uma outra medida para avaliar a economia. O rendimento interno bruto (GDI), e o PIB são conceitualmente equivalentes em termos de contabilidade econômica nacional. No entanto, o PIB é calculado com base nas contas de despesas, enquanto o GDI é baseado nos rendimentos gerados a partir do PIB produtivo. Com o tempo, de acordo com o BEA, "GDI e PIB fornecem um quadro geral similar da atividade econômica". Para dados anuais, a correlação entre GDI e PIB é de 0,97, de acordo com os cálculos da BEA.

No gráfico a seguir, o GDI que se comporta de forma semelhante ao PIB, aponta para um nível de 3,2% enquanto o PIB para 1,7%. Será que essa será mais uma distorção entre as inúmeras?


O presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin, comentou na última semana que, a incerteza sobre a política comercial pode enfraquecer o sentimento empresarial e frear o investimento, gerando novos riscos para uma economia americana estável.

Barkin disse que era cedo demais para dizer se a fraqueza econômica global obrigaria o banco central a cortar as taxas de juros em sua próxima reunião, de 30 a 31 de julho. "Ainda permanecemos em um lugar muito bom", disse ele. "Acho que as emoções ficaram bem na frente dos dados em termos de onde nós estamos na economia."

Se os gastos dos consumidores continuarem fortes e os investimentos das empresas forem estáveis, "isso não é um mundo estressante, e isso pode muito bem ser o que estamos vemos", disse ele. "Por outro lado, se você vê as empresas começarem a cortar, e, portanto, as pessoas perdem seus empregos e, portanto, o consumo começa a diminuir, isso é outro mundo".

A lógica dos empresários deveria apontar para a elevação dos investimentos, em função de uma economia forte, e os consumidores gastando. Porém se nota que eles se encontram nervosos.

Barkin disse que está prestando muita atenção em como o sentimento negativo pode repercutir na economia. "Minha perspectiva, em termos de hoje versus amanhã - hoje ainda parece bem, mas acho que essas coisas de confiança pesam no amanhã".

Diz estar menos preocupado com a recente suavidade da inflação, que excluindo as categorias voláteis de alimentos e energia ficou em 1,6% em maio. O fato da inflação estar um pouco abaixo de 2% não seria, por si só, motivo para reduzir as taxas de juros. "Na medida em que a atividade econômica começa a cair abaixo da tendência, é aí que eu realmente me concentro”.

Essa entrevista publicada no Wall Street Journal mostra a indefinição que reina dentro do Fed, o que não é surpresa, haja visto o resultado da última reunião. Mas o mercado não tem tanta dúvida, sua aposta é nitidamente no sentido que a economia já desacelerou e que, portanto, o Fed deve cortar os juros imediatamente.

Condensando tudo, acredito que o Fed vai jogar o jogo do mercado e baixar os juros na próxima reunião, no final deste mês. O risco de não fazer é muito elevado. Se errar, e a inflação subir por exemplo, vai deixar andar com esse nível mais elevado, e torcer para que seja temporário.

No post de-que-lado-estão-os-investidores, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “alguns níveis sejam suplantados, o primeiro seria acima de U$ 1,590, o que colocaria uma chance maior de que a alta é mais provável que continue. Acima de U$ 1.730, depositaria uma probabilidade de 70% de isso acontecer, e acima de U$ 1.920, ficaria confirmado” ...


Dos níveis atingidos pelo ouro houve uma retração nos últimos dias e principalmente ontem, onde chegou próximo a U$ 1.380.

A análise considerando intervalos distintos semanal e diário, se chega a conclusões distintas da profundidade da correção atual. Vou apresentar ambas hipóteses:

1.       Incompleta – Nesse caso, a formação ainda estaria incompleta e faltaria uma alta até o nível de U$ 1.450. Em seguida começaria uma correção mais prolongada. Nesta situação, minha recomendação de compra estaria em U$ 1.380 com um stoploss a U$ 1.360.


2.       Completa – Nesta hipótese a onda 3 de maior grau teria terminado quando o ouro atingiu U$ 1.440, e agora uma onda 4 corretiva estaria em andamento, que após completada, levaria o ouro a novas altas. Nesse caso, seria prematuro uma estimativa de objetivo, mas eu levaria em consideração os parâmetros indicados no post referido acima.


De uma forma resumida, desenhei o que poderia ser essa correção que perduraria por semanas. O retângulo apontado – U$ 1.380/U$ 1.350, deveria ser a área de contenção onde poderia acontecer a reversão.

- David, você não sabe o que propor e joga a responsabilidade aos leitores! Ainda vai ser demitido!
Tem todo direto! Hahaha .... Eu imagino que para um leitor sem conhecimento de análise técnica, o post hoje é complicado, mas eu realmente tenho dúvida.

Vamos supor que embarcamos na opção “ Incompleta”, nesse caso a entrada proposta seria a U$ 1.380, com stoploss a U$ 1.365, para um target de U$ 1.450; já no caso “completa”, a sugestão seria a U$ 1.350, com um stoploss a U$ 1.290, e um objetivo a ser melhor definido a frente.

O Mosca por enquanto não se sente confortável em propor o trade. Em todo caso, se alguém quiser arriscar no primeiro caso, os parâmetros estão acima definidos.

O SP500 fechou a 2.973, com alta de 0,29%; o USDBRL a R$ 3,8538, com alta de 0,36%; o EURUSD a 1,1285, sem alteração; e o ouro a U$ 1.414, com alta de 2,18%.

Fique ligado!

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