2020: O risco vai compensar?

4 de julho de 2019

A moleza acabou



Hoje vou tratar da poupança para o futuro e os cuidados que se tem que tomar na formação de seu portfólio. Até agora, era razoavelmente confortável ficar com seus investimentos em renda fixa, principalmente no Brasil onde as taxas de juros eram elevadas, e para dizer a verdade, ainda são.

Talvez ao analisar sua carteira no final destes últimos meses, você fica feliz ao notar que seu rendimento foi muito superior ao CDI. Tudo isso se você seguiu as recomendações do Mosca e evitou investimentos indexados ao CDI. Caso não tenha feito isso, sua situação é mais delicada, e as informações contidas aqui podem te auxiliar.

Vou dar uma notícia que pode não te agradar. Se esse excesso se deu na sua carteira de títulos, é melhor ir guardando o excedente, pois isso significa que seus investimentos foram marcados a preços de mercado, parâmetro que você tem que usar em seus cálculos. A má notícia e que, a maior parcela de seus ganhos já ocorreu.

Antes de mais nada, vamos usar uma fórmula simples de matemática financeira, que nos ajuda a calcular o portfólio necessário para garantir sua aposentadoria. Essa formula é P/i – onde P é o valor anual de seus gastos e i a taxa de juros real liquida. Essa formula leva em consideração um prazo infinito. Embora ninguém viva infinitamente, a diferença de valor necessário para garantir seu fluxo, considerado um prazo de 30 anos ou 100 anos é praticamente a mesma.

Vou fazer algumas hipóteses para simplificar os cálculos. Primeiro é necessário definir um padrão de gastos anuais. Para simplificar o raciocínio e futuros cálculos em cada caso, usei R$ 100.000. Em seguida um nível de inflação, que tem impacto maior nos investimentos com taxa pré-fixada, uma vez que, nos indexados à inflação, seu efeito é apenas marginal no cálculo do rendimento real. Para efeitos deste exercício utilizei 4% a.a. E por último, a alíquota de IR (*) de 15%, que se aplica aos investimentos superiores a 2 anos.

(*) - Existem algumas aplicações que são isentas de IR como: CRI, CRA, Debentures Incentivadas e Fundos Imobiliários.

O resultado se encontra na tabela a seguir, onde para cada nível de juros existe um portfólio necessário a fim de garantir sua aposentadoria. Na vida de uma pessoa existem dois períodos básicos, do ponto de vista de poupança, a primeira onde se acumula patrimônio, e a segunda onde se é consome. As boas práticas dizem que no primeiro período se deve assumir maior risco e no segundo menos. A razão é que um erro no início tem-se tempo para recuperar, o que pode não ser verdadeiro no segundo.



Gostaria de ressaltar alguns pontos muito importantes: A queda dos juros que vivenciamos nos últimos anos, causou um impacto importante em seu fluxo futuro, por exemplo, quando os juros eram 5%, era necessário um patrimônio de R$ R$ 2,7 milhões aproximadamente. Com os juros atuais por volta de 3,5%, para manter os mesmos gastos, é necessária uma carteira com R$ 3,5 milhões, um acréscimo de 37%. Notem também que, o efeito não é linear. Na última linha - “variação”, aponta o acréscimo para cada queda de 0,5% nos juros. A situação fica muito mais delicada daqui em diante.

Outra recomendação válida são os títulos que são isentos de IR. Existem hoje algumas ideias dentro do governo para retirar esses benefícios. Não se sabe quais títulos estariam incluídos nem se, em havendo mudança, a mesma ocorreria no estoque ou só nas novas emissões. Pelo sim, pelo não, vale a pena considerar essa opção.

Esse efeito será sentido pelas pessoas com o passar do tempo, e caso a Reforma da Previdência seja aprovada, a chance de queda dos juros ficará mais premente.

Depois dessa introdução, se chega a real intenção do post de hoje. É muito provável que, um fluxo de recursos sairá da renda fixa para investimentos mais arriscados, em busca de retornos mais elevados. O que vem à mente de imediato de qualquer investidor é a Bolsa de Valores. Mas não só ela, também imóveis, investimentos mais sofisticados como Private Equity, Fundos de crédito e outros. Acabou a moleza!

A situação é ainda mais difícil, pois os estrangeiros têm um problema ainda maior, seus rendimentos em renda fixa não existem. Para eles, os juros brasileiros são enormes, então, se pode esperar que daqui a pouco irão aterrissar por aqui, afinal, 3,5% de juros acima da inflação, é uma enormidade comparativamente.

Minha recomendação é para que vocês avaliem suas carteiras considerando esses cálculos e avaliem o que será necessário para enfrentar esse novo panorama. Uma assessoria independente é desejável. Assim como você, as outras pessoas com o passar do tempo irão notar essa “falta” de rendimento.

Acredito que essa migração para ativos de maior risco deve acontecer, impactando seus preços. O Mosca vai continuar cobrindo os vários mercados, use-o como momentos de entrada e saída, mas também, leve em consideração que seu portfolio não pode ter a mesma agilidade.

Uma das alternativas disponível aos brasileiros é investir nas bolsas do exterior. Um artigo publicado pela Bloomberg, faz uma análise das principais bolsas internacionais e a razão do porque a americana tem se saído muito melhor, esse será o tema de amanhã.

Muito se tem falado sobre a dívida interna brasileira, razão pela qual o governo luta com unhas e dentes pela aprovação da reforma da Previdência. Mas será nossa dívida tão elevada assim? A ilustração a seguir, onde se mede a dívida sobre o PIB, não é tão preocupante, pois 55% é uma das mais baixas existentes hoje. O que preocupa é a aceleração que ocorreria caso nada fosse aprovada. Notem também que, nos últimos meses, se encontra bem-comportada, mesmo com a atividade econômica baixa. Isso é fruto do controle de gastos e a queda dos juros. Ainda bem que não temos o PT no governo, imaginem o estrago que estariam fazendo!




No post bitcoin-e-para-valer, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ... “Finalmente o euro rompeu a reta assinalada em cinza escolhendo um rumo para cima. O Mosca estava desconfiado que essa possibilidade poderia ocorrer, esta seria a razão de não se envolver num trade de venda. Com esse novo cenário vou propor um trade de compra do euro a € 1,1330 com um stoploss a € 1,120, cujo objetivo poderá ficar contido na área apontada abaixo entre € 1,18/ € 1,195” ...


Mas será que rompeu mesmo ou é um false break, haja visto o recuo ocorrido desde então – last kiss? Não sei responder, pois depois de rompido a reta anotada no gráfico em cinza, sua cotação voltou ao marasmo dos últimos meses. Para que nosso trade tenha chance de sucesso, é necessário que o nível de 1,145 seja ultrapassado. Antes disso, tudo é possível.

Como frisei anteriormente, esse é um trade de curto prazo, pois depois da recuperação esperada, um novo movimento de queda deverá levar a moeda única ao objetivo que tracei no final do ano passado, ao redor de 1,08/1,06.

Certamente a animação não se encontra nesse mercado, no momento as bolsas estão polarizando mais atenção. Em todo caso, a aposta é pequena e diversifica os trades.

O SP500 ficou fechado no dia de hoje; o USDBRL fechou a R$ 3,8002, com queda de 0,67%; o EURUSD a 1,1283, sem variação; o ouro a U$ 1.416, com queda de 0,18%.

Fique ligado!

2 comentários:

  1. Fala Mosca!

    Seus artigos são realmente simples e objetivos. Fáceis de ler!

    Você teria o artigo da Bloomberg para compartilhar?

    Abs!

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  2. Carlos,

    Eu vou comentar esse artigo no post de amanhã.
    Talvez você tenha se interessado pensado que ele versa sobre aplicações de brasileiros no exterior.
    Pode ser que deixei isso subentendido.
    Na verdade, esse material compara o retorno da bolsa americana com outras bolsas de países desenvolvidos, e mesmo emergentes, mas não especificamente coma a brasileira.
    Leia amanhã, e se mesmo assim quiser te envio o link.
    Obrigado pelas suas observações.

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