2020: O risco vai compensar?

24 de julho de 2019

Sir. BoJo



A Inglaterra tem um novo primeiro Ministro, Boris Johnson, que foi eleito em substituição da ex–primeira Ministra, Thereza May. Sua principal missão não será melhorar a vida dos cidadãos britânicos, mas administrar a separação do Reino Unido com o Bloco Europeu, pelo menos nos próximos meses.

Ainda muita dúvida permanece sobre essa questão, pois existem duas possibilidades principais e uma terceira menos provável. A primeira dupla é uma saída de forma negociada (soft Brexit) ou de forma unilateral, esta última com consequências danosas aos britânicos, e por último um novo plebiscito consultando a população sobre a saída ou não da União Europeia.

O mercado está colocando maior probabilidade no primeiro caso (soft Brexit), mas as outras duas não tem chances desprezíveis.

Acontece que. BoJo, nova abreviação do primeiro Ministro, não é uma figura muito bem quista pela população. Na última pesquisa elaborada, somente uma minoria gostou da sua indicação. Outro complicador para sua tarefa é o fato de não ter a maioria no parlamento, que se encontra bastante dividido.


O prazo é exíguo, a data final estabelecida, depois de algumas prorrogações, é 31 de outubro próximo. Considerando que o Parlamento entra em recesso nesta semana e volta somente no dia 03 de setembro, não restara muito espaço para manobra. Como mostra a figura abaixo, a grande maioria acredita que esse prazo não será cumprido.


É provável que o novo Primeiro Ministro irá solicitar uma nova prorrogação, mas os europeus estão irritados com a demora dos britânicos, e considerando que, foram eles que pediram a separação contra a vontade dos europeus, a flexibilidade é pequena. É importante frisar que o status quo leva ao pior cenário chamado de hard Brexit.

A chance de um novo plebiscito com esse governo parece bastante baixa. A população depois do referendum em 2016 vem alterando sua opinião sobre esse assunto. É verdade que com maior veemência entre os jovens que querem permanecer no euro quase em sua totalidade, enquanto os mais idosos estão no universo contrário. Como satisfazer gregos e troianos?


Os efeitos nos negócios já podem ser sentidos, as empresas estão enfrentando a perspectiva renovada de deixar o bloco sem um acordo. Desta vez, é ainda mais complicado.

As empresas já gastaram milhões de dólares estocando mercadorias e fazendo arranjos alternativos de transporte para se protegerem contra possíveis problemas na fronteira. Mas para alguns, a preparação para uma data de divórcio em outubro é mais desafiadora do que para a saída originalmente programada para março, em função da proximidade das festas natalinas, que representam 20% das vendas de todo o ano.

Os varejistas dizem que atenuar as consequências seria mais difícil porque os armazéns estarão lotados para o Natal, enquanto as farmacêuticas advertiram que outubro coincide com os preparativos para a temporada de gripe.

Um não-acordo Brexit está de volta à agenda, com o BoJo dizendo que, o Reino Unido deve estar disposto a deixar a UE sem um acordo que suavize a saída do país. Isso prejudicaria as relações comerciais da Grã-Bretanha com o bloco, levando a uma reintrodução de tarifas íngremes e novos cheques de fronteira.

Na indústria não é diferente, as ordens efetuadas as fabricas britânicas despencaram a níveis próximos ao que ocorreu em 2008. O efeito é dobrado, pois além da diminuição ocasionada pelo embate EUA x China, o receio de uma saída sem acordo fez com que os empresários buscassem soluções que seus negócios não fossem afetados.


Bojo, originalmente um jornalista, comediante de televisão e Prefeito de Londres, terá uma tarefa difícil e bem diferente de suas experiências profissionais anteriores. Sem um apoio majoritário em nenhuma parte, e com riscos importantes, caso opte por uma saída mais dura, seu objetivo será a de convencer os parlamentares que o menos ruim é um acordo negociado com a União Europeia. Por outro lado, caso seja bem-sucedido, terá as condições de recolocar a Grã-Bretanha rumo a um crescimento robusto, haja visto que as condições macroeconômicas são bem favoráveis.

No post quem-tem-medo-do-lobo-mal, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: “... “Na opção que o Mosca imagina para o SP500, alguns níveis não deveriam ser violados. Como anotei no gráfico abaixo, o primeiro ao redor de 2.915, nível que entramos no trade vigente” ...


Ao reler esse post imagino que o leitor deva estar bem confuso, pois coloquei algumas possibilidades de curto prazo, que podem deixar dúvidas no movimento de mais longo prazo. Vou tentar ser mais sucinto: o movimento de prazo mais longo é de alta. No curto prazo sugiram algumas dúvidas que fizeram com que eu abandonasse o trade de compra.

Nesse momento, o SP500 se encontra numa posição importante para definir o seu caminho, que pode ser resumido da seguinte forma:

1)      Se o SP500 ultrapassar o nível de 3.020, o movimento de alta ganha tração.
2)      O nível atual de 3.008 seria o “máximo” aceitável para a correção que eu tinha imaginado (gráfico abaixo).


Muito em breve saberemos qual trajetória a bolsa americana irá traçar. Nesses momentos o melhor a se fazer é não ter posições pois permite um julgamento mais isento.

Vocês já devem ter notado que em análise técnica sempre existe mais que um caminho. Se os princípios são seguidos de forma correta, em alguns momentos existirá uma opção que é mais provável, em outros, sem uma preferência explicita, mas sempre haverá um nível onde se deve abandonar a hipótese e um reestudo se torna necessário.

Cabe ao analista saber entrar no mercado quando uma opção tem um bom risco x retorno, caso contrário é melhor aguardar um melhor momento, ou buscar um outro mercado.

Amanhã não haverá publicação do Mosca, retornando normalmente na sexta-feira.

O SP500 3.019, com alta de 0,47%; o USDBRL a R$ 3,7690, com queda de 0,12%; o EURUSD a 1,1316, com queda de 0,13%; e o ouro a U$ 1.425, com alta de 0,59%.

Fique ligado!

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