O entrerro apressado da América #USDBRL
O Mosca volta às suas
atividades normais e se depara com a notícia de uma ação criminal contra Jay
Powell, presidente do Federal Reserve. A leitura imediata é menos jurídica e
mais política. O timing chama atenção: o episódio surge justamente quando Powell
reforça publicamente sua disposição de cumprir o mandato até o fim, citando de
forma explícita — talvez pela primeira vez — a intenção do presidente de
influenciar a condução da política monetária. Tudo indica uma tentativa de
irritá‑lo, constrangê‑lo e, sobretudo, desestimulá‑lo a permanecer no Fed após
o término do mandato. O problema é que esse tipo de manobra não desgasta apenas
uma pessoa, mas coloca ruído sobre um dos pilares centrais da credibilidade
americana: a independência do banco central. É um movimento de baixo retorno
político e custo potencial elevado, especialmente num momento em que, como
mostra o relatório da Goldman Sachs comentado a seguir, a superioridade
estrutural dos Estados Unidos repousa justamente na força de suas instituições.
O enterro
apressado da América
Ao longo das últimas décadas, a ideia de um declínio estrutural dos
Estados Unidos reaparece ciclicamente nos mercados. Em geral, surge em momentos
de elevada incerteza política, transição tecnológica ou tensão geopolítica. O
debate atual não foge a esse padrão. Questões como aumento do déficit fiscal,
disputas comerciais, volatilidade do dólar, avanço da inteligência artificial e
questionamentos institucionais voltaram a alimentar dúvidas sobre a posição
relativa da economia americana no cenário global.
O Mosca entende que esse debate merece ser tratado com seriedade, sem
exageros nem simplificações. O relatório do Investment Strategy Group do
Goldman Sachs para 2026 contribui justamente nesse sentido: ao deslocar a
discussão da esfera narrativa para uma análise estrutural dos fundamentos que
sustentam a preeminência econômica dos Estados Unidos.
O primeiro desses fundamentos é a escala econômica. Os Estados Unidos
permanecem como a maior economia do mundo em termos nominais, respondendo por
aproximadamente um quarto do produto global. Mais relevante do que o tamanho
absoluto é o efeito dinâmico dessa escala. Mesmo em ritmos moderados de
crescimento, a economia americana adiciona, em poucos anos, um volume de
produção comparável ao PIB de grandes países desenvolvidos. Isso cria margem
para absorver choques, corrigir excessos e sustentar ciclos prolongados de
investimento.
Essa escala se reflete também na riqueza per capita. Entre as grandes
economias, os Estados Unidos apresentam o maior PIB por habitante, o que amplia
a capacidade de investimento em educação, inovação, infraestrutura e defesa.
Trata-se de um diferencial importante quando se observa a capacidade de
resposta do país a crises recentes, como a pandemia, e sua rapidez em retomar a
trajetória de crescimento.
Outro pilar central é o sistema financeiro. Os Estados Unidos concentram os mercados de capitais mais profundos, líquidos e diversificados do mundo. A soma dos mercados acionário e de renda fixa americanos representa mais da metade da capitalização financeira global. Essa profundidade não apenas reduz o custo de capital para empresas e governos, como também torna o país o principal destino de fluxos globais de poupança.
No campo institucional, o relatório faz uma distinção relevante entre
tensão política e fragilidade estrutural. Há, sem dúvida, maior polarização e
expansão do poder executivo, fenômeno que não é exclusivo dos Estados Unidos.
Ainda assim, o sistema de freios e contrapesos permanece operante. O
Judiciário, o Legislativo e os mecanismos eleitorais continuam funcionando,
preservando o arcabouço institucional que sustenta a previsibilidade econômica
e jurídica.
O capital humano constitui outro diferencial estrutural. Os Estados
Unidos lideram entre as grandes economias em anos médios de escolaridade e
mantêm elevada proporção da população em idade ativa com ensino superior
completo. Além disso, continuam sendo um polo de atração de talentos
internacionais, beneficiando-se de um ambiente que valoriza empreendedorismo,
mobilidade social e inovação.
Esse capital humano alimenta diretamente a capacidade de inovação. O
país é, de longe, o maior investidor global em pesquisa e desenvolvimento, com
liderança consistente em tecnologias críticas como inteligência artificial,
biotecnologia, semicondutores, espaço e computação avançada. A inteligência
artificial, em particular, deve ser entendida menos como um fator isolado e
mais como parte de um ecossistema tecnológico amplo, que historicamente se
desenvolveu com maior intensidade nos Estados Unidos.
O reflexo disso aparece nos indicadores de produtividade. A
produtividade do trabalho americana, tanto por hora quanto por trabalhador,
permanece superior à das principais economias desenvolvidas. A combinação de
maior produtividade com maior carga horária sustenta níveis elevados de geração
de valor, margens corporativas mais robustas e crescimento mais previsível dos
resultados empresariais.
Do ponto de vista dos lucros corporativos, as empresas americanas seguem
apresentando crescimento superior ao das economias desenvolvidas e, em muitos
casos, com menor volatilidade do que mercados emergentes. Mesmo quando outras
regiões crescem mais rapidamente, esse crescimento costuma vir acompanhado de
maior instabilidade macroeconômica, inflação ou riscos cambiais.
Por fim, há o componente intangível da capacidade de reinvenção. Ao
longo do último século, os Estados Unidos atravessaram guerras, crises
financeiras, choques políticos e transformações tecnológicas profundas. Em
todos esses episódios, a economia demonstrou resiliência e capacidade de
adaptação. Esse histórico não garante imunidade a erros futuros, mas sugere
cautela antes de se declarar o fim de sua relevância econômica.
O Mosca não ignora os desafios fiscais, geopolíticos e sociais
enfrentados pelos Estados Unidos. No entanto, ao observar os fundamentos —
escala, capital humano, inovação, produtividade, profundidade financeira e
instituições —, não encontra evidências suficientes para justificar uma mudança
estrutural na avaliação do país como principal destino de investimento global.
Em mercados, narrativas tendem a oscilar com mais rapidez do que estruturas. Até aqui, as estruturas americanas seguem sólidas.
Análise Técnica
No post “O dólar não
virou pó” fiz os seguintes comentários sobre o dólar: “Por enquanto, não há
resolução quanto à direção que o dólar pretende seguir. Destaquei a região em
que ele se encontra contido, pois parece estar formando um triângulo, padrão
que ocorre com bastante frequência em ondas 4”.
Tenho que usar o livro texto e sugerir um trade de compra. Qual a razão? Eu destaquei no retângulo abaixo as 5 ondas formadas para cima e o nível de R$ 5,33 como a extensão “máxima” para a retração. Máxima porque é onde se esperaria ocorrer a reversão. Existe segurança desse trade? Não, mas mesmo não tendo completado 5 ondas para cima é de se supor que um novo movimento de alta deveria ocorrer.
- Feliz 2026! Eu estava tranquilo aqui na piscina e você apontou uma mega reversão, afinal está esperando que o dólar vai para casa dos R$ 7,00. Vamos meter ficha!
De onde você tirou que a mega reversão, como
classifica, terminou? Eu estou dizendo que um movimento de alta pode acontecer,
agora se é a mega reversão ou não só o tempo irá dizer. O dólar ainda tem muito
trabalho pela frente, fique aí no sol e acompanhe o Mosca, sem exagero.
O S&P 500 fechou a
6.977, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 5,3758, sem variação; o EURUSD a €
1,1667, com alta de 0,27%; e o ouro a U$ 4.595, com alta de 1,93%.
Fique ligado!
Olá mosca tudo bem? Feliz ano novo!
ResponderExcluirSua aposta é que agora a reversão vem?
Esse USD está caranguejo há quase 1 ano, tá na hora de termos uma definição já.
Abraços.
Eu nem foco nos EUA,minha visão é mais global: PIB global de US$ 100 tri pra dívida de US$ 300 tri
ResponderExcluirE isso tudo com o aumento de gastos militares,inverno demográfico e fim das cadeias de produção globalizadas
Vamos assistir ao colapso das moedas fiduciárias,dólar inclusive
O ouro já começou a precificar este futuro