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Os primeiros da fila #OURO #GOLD #EURUSD #BITCOIN

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O movimento recente do Bitcoin — uma alta rápida de 3% em poucos minutos, seguida de um curto período de estabilidade e, logo depois, uma queda praticamente simétrica — não exige explicações mirabolantes nem teorias conspiratórias. Ele é, antes de tudo, um retrato fiel do comportamento humano sob estresse, exatamente como Charlie Munger descreveu ao longo de décadas ao estudar os erros recorrentes de julgamento. O gráfico chama atenção porque é abrupto, mas o fenômeno por trás dele é antigo e amplamente conhecido.     O post que acompanha esse gráfico se limita a fazer a pergunta óbvia — “o que está acontecendo aqui?” — mas não entrega a resposta. E não entrega porque, na prática, não houve um motivo objetivo. Nenhuma mudança estrutural, nenhum dado novo, nenhuma notícia capaz de justificar um movimento dessa magnitude em tão pouco tempo. O que houve foi comportamento. A primeira engrenagem desse processo é a super-resposta a recompensas e punições. Movimentos rápido...

O desmanche do RH #IBOVESPA

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O mercado de trabalho americano deixou de ser um indicador confiável de direção econômica e passou a ser um retrato de desconforto estrutural. Não há colapso explícito, mas tampouco existe dinamismo real. O que se vê é uma economia funcionando em marcha reduzida, com dados cada vez menos esclarecedores e decisões cada vez mais difíceis. Quando o principal termômetro perde precisão, o risco deixa de ser conjuntural e passa a ser de diagnóstico. A taxa de desemprego nos Estados Unidos atingiu 4,6%, o maior nível em mais de quatro anos, mesmo com criação líquida de vagas. Essa contradição não é estatística: é sintomática. O mercado de trabalho não está apenas esfriando; ele está se desorganizando. As contratações acontecem de forma fragmentada, concentradas em nichos específicos, enquanto setores inteiros entram em estado de espera.     Essa concentração não é aleatória. Saúde, educação e serviços sociais seguem contratando porque dependem essencialmente de presença hum...

"Buy the Dips" funciona? #S&P 500

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  A obsessão por acertar o ponto exato de entrada no mercado continua firme. A cada correção um pouco mais forte, reaparece a velha pergunta: agora é a hora? O investidor olha o preço, olha o gráfico, olha o noticiário e tenta convencer a si mesmo de que, desta vez, o fundo está logo ali. Essa tentativa recorrente de ser mais esperto do que o mercado raramente termina bem. O Mosca insiste há anos em um ponto simples, mas incômodo: portfólio não se constrói com análise técnica de curto prazo. Se fosse assim, ninguém teria paz. Comprar, vender, recomprar, reduzir, aumentar — tudo em função de oscilações que, no fim, pouco dizem sobre o ciclo maior. A análise técnica existe para calibrar risco, não para comandar decisões estruturais. Quando ela vira volante, o resultado costuma ser excesso de giro e erro em sequência. A dúvida aparece logo no início: como entrar no mercado? Tudo de uma vez? Aos poucos? Esperando cair? Ou seguindo uma rotina automática de aportes? Nos últimos anos,...

O dólar ainda não virou pó #USDBRL

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  Estamos chegando ao final do ano e os investidores, como de costume, já começam a operar com a cabeça no calendário seguinte. Os resultados estão praticamente dados, as posições foram reduzidas e o mercado entra naquele modo híbrido entre balanço e aposta. Na próxima semana faço minhas previsões de mais longo prazo, mas esse é um assunto que fica guardado por ora. Antes disso, vale olhar com calma para uma narrativa que ganhou força ao longo do ano: a de que o dólar estaria condenado. Não falo aqui do dólar contra o real, mas do dólar contra ele mesmo — o “ dólar-dólar ”, como dizia o pai de um leitor. Criou-se um consenso curioso de que a moeda americana deveria perder valor. Para alguns, de forma gradual e civilizada; para outros, de maneira quase terminal, com direito a manchetes decretando que o dólar iria “virar pó”. Com tanta pressão concentrada na mesma direção, a moeda acabou cedendo algo próximo de 10% no ano, o que foi suficiente para transformar correção em profecia....

SexTech #nasdaq100 #NVDA

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  A partir de hoje, toda sexta-feira será a SexTech, um espaço fixo para analisar a semana do setor que mais concentra poder econômico, político e energético do planeta: a tecnologia. Usei esse título provocativo porque é assim que funciona no Mosca — um nome que prende a atenção e um conteúdo que exige do leitor reflexão, não acomodação. E a primeira edição já começa com um conjunto de dados que revela a pressão crescente sobre a infraestrutura que sustenta a inteligência artificial. O elemento mais marcante da semana é o avanço dos centros de dados. As projeções mais recentes mostram que o espaço físico dedicado ao processamento deve crescer mais de 30% ao ano até 2027, movido pela demanda de modelos avançados. É um crescimento incompatível com o ritmo natural das redes elétricas. Nos EUA, estimativas apontam que o consumo associado à IA pode ultrapassar 8% de toda a eletricidade nacional ainda nesta década. Países como Irlanda já estão próximos de 20%. O termo “nuvem” nunca fo...

O voto de desconfiança #OURO #GOLD #EURUSD

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  Quando o Fed anunciou ontem mais um corte de 25 pontos-base, o mercado reagiu como se fosse o início de uma nova fase de estímulos. Mas, quando a poeira baixa e você olha o dot plot — aquele mapa de projeções que todos fingem interpretar com precisão — o que aparece não é um voto de confiança. É justamente o contrário: um voto de desconfiança, silencioso, mas retumbante. A queda da taxa foi aprovada, mas não porque todos acreditavam nela. Os artigos de hoje deixam explícito que muita gente votou “sim” apenas para não se indispor com Powell, mas registrou nas projeções que não concordava. No FOMC, ninguém quer ser lembrado como o chato que trava consenso… então carimbam o corte com a mão, mas arrancam o couro com a caneta. Se você olha para 2025, as projeções não batem com o corte aprovado. E, quando avança para 2026, 2027 e 2028, vira um festival de discordâncias. O intervalo para 2027 vai de 2,25% a 3,75%. Isso não é política monetária: é torcida organizada. E quando o centr...

Deu Ruim #IBOVESPA

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  Há expressões que os jovens criam e que precisam de tradução. Mas essa dispensa manual de instruções: deu ruim. E a escolha do título não poderia ser mais adequada para o ambiente que se formou no mercado de juros nos últimos dias. O que está acontecendo na curva americana tem cheiro de anomalia, aparência de alerta e consequências que ninguém quer verbalizar com todas as letras. Hoje o Fed anuncia mais uma redução de 25 pontos-base — isso já está dado. A questão real é o que vem depois. Economistas de todos os calibres convergem para a mesma projeção: os Fed Funds devem estar perto de 3% dentro de um ano. Até aí, nada demais. O problema é que a curva de juros está contando uma história diferente. E, convenhamos, a curva quase sempre sabe mais do que comunicados e discursos cuidadosamente calibrados. Comecemos pelo fato mais gritante: a taxa de 2 anos recua enquanto a de 10 anos atinge as máximas do ano, ampliando o diferencial para quase 100 pontos, algo que não víamos desde...