Febre especulativa #IBOVESPA
Nos últimos anos o mercado passou a tratar retornos extremos como se fossem normais. Ganhos de 20%, 50% ou até 100% ao ano deixaram de ser exceção estatística para se tornarem expectativa implícita de sucesso. Gary Mishuris lembra que, historicamente, os retornos reais sempre foram muito mais modestos: ações entregaram algo próximo de inflação mais 6,5% no longo prazo, títulos públicos pouco acima da inflação e caixa praticamente apenas preservou poder de compra. Esse padrão não é limitação do sistema financeiro, mas sua natureza. Quando investidores extrapolam períodos excepcionais como regra permanente, a percepção de risco se distorce. Estratégias passam a ser construídas não para atravessar ciclos, mas para capturar movimentos rápidos. A disciplina cede lugar à narrativa e o processo de investimento passa a ser medido por resultados de curto prazo, não por consistência. Mishuris destaca que o foco deveria estar no processo — tempo dedicado à análise, critérios elevados de...