SexTech: IA 2.0 #nasdaq100 #NVDA
O Mosca acompanha o AI Adoption Tracker do Goldman Sachs desde o seu início porque ele foge do barulho típico dos relatórios temáticos e entrega algo raro: dados de adoção real, capex efetivo e impactos mensuráveis sobre produtividade. O título IA 2.0 nasce exatamente dessa constatação. Não se trata de uma nova tecnologia, nem de uma nova promessa, mas de uma mudança de estágio. A inteligência artificial deixou de ser novidade, saiu da fase da narrativa e passou a fazer parte do funcionamento cotidiano da economia. Ela já não impressiona pelo potencial; ela se impõe pela execução.
A atualização de
janeiro de 2026 reforça uma percepção que o Mosca vem defendendo há algum
tempo: a IA já ultrapassou o campo experimental e entrou definitivamente no
planejamento estratégico das empresas.
A taxa de adoção de IA
entre empresas nos Estados Unidos atingiu 17,7%, com mais de 22% das firmas
indicando que pretendem implementar a tecnologia nos próximos seis meses. Não é
mais teste, não é mais piloto — é difusão. O movimento observado ao longo de
2024 e 2025 afasta a ideia de que a IA esteja restrita a iniciativas isoladas
de inovação. Ela passa a ser tratada como infraestrutura produtiva, não mais
como diferencial competitivo opcional.
Esse avanço ajuda a
explicar por que o ciclo de investimentos segue firme. O relatório mostra que a
receita das empresas de semicondutores deve crescer mais de 40% até o fim de
2026, enquanto o gasto global com chips caminha para algo próximo a US$ 380 bilhões.
Não se trata apenas de crescimento de demanda, mas de uma reorganização
estrutural do capex corporativo. Empresas estão redesenhando suas cadeias de
valor para acomodar a IA como custo fixo recorrente.
O ponto central é que
o valor continua sendo capturado na base da cadeia. Semicondutores, servidores,
memória, infraestrutura de rede e energia seguem como os principais
beneficiários dessa fase do ciclo. A história da tecnologia é clara: os grandes
ganhos iniciais raramente estão nas aplicações finais, mas nos habilitadores.
Esse movimento também
aparece de forma objetiva nas contas nacionais dos Estados Unidos. Desde 2022,
o investimento em semicondutores, data centers e infraestrutura energética
acelera de maneira consistente. Não é discurso corporativo nem marketing tecnológico.
É capital comprometido com retorno esperado, o que reforça a leitura de que a
IA já faz parte do planejamento de médio e longo prazo das empresas.
Essa normalização da
IA traz efeitos que vão além do investimento. No campo da informação, o artigo
de Charles Ferguson ajuda a entender uma camada menos visível do processo.
Quando o custo marginal de produzir texto, áudio e vídeo tende a zero, o valor econômico
migra para quem controla a curadoria, a distribuição e a hierarquização do
conteúdo. A IA não compete apenas com criadores individuais, mas com o próprio
papel de mediação. O resultado é um processo de desintermediação e concentração
que afeta modelos tradicionais de mídia e redistribui poder econômico e
informacional.
No mercado de
trabalho, os dados do GS ajudam a separar fato de narrativa. Apesar do ruído
político e das manchetes mais alarmistas, o impacto agregado da IA sobre o
emprego ainda é limitado. Não há correlação estatística relevante entre adoção
de IA e desemprego no agregado. O ajuste, até aqui, ocorre mais por
reorganização de funções do que por destruição líquida de postos de trabalho.
O ponto realmente
central está na produtividade. Estudos acadêmicos citados no relatório apontam
ganhos médios próximos de 24%, enquanto relatos corporativos falam em números
acima de 30%. Setores com maior adoção já começam a apresentar melhora mensurável
de produtividade. Ainda são sinais iniciais, mas suficientemente consistentes
para conectar IA a crescimento potencial de lucros e do PIB.
Curiosamente, esses
ganhos ainda não aparecem de forma clara nas margens das empresas listadas. A
ausência de correlação robusta entre adoção de IA e expansão de margens sugere
que o mercado pode estar antecipando benefícios que ainda não se materializaram
plenamente nos balanços. Parte disso se explica pelo aumento simultâneo de
custos, tanto em capex quanto em despesas operacionais ligadas à implementação
desses sistemas.
Esse descompasso ajuda
a explicar um fenômeno abordado em artigo recente do Wall Street Journal sobre
o chamado financial nihilism entre as gerações mais jovens. Não se trata
de gosto pelo risco, mas da percepção de que o caminho tradicional perdeu
previsibilidade econômica. Educação cara, moradia inacessível e um mercado de
trabalho mais exigente reduzem a sensação de retorno garantido do esforço
incremental. A IA funciona como pano de fundo desse processo ao elevar a
produtividade exigida e reduzir margens de aprendizado, mesmo sem aparecer
diretamente nas estatísticas de desemprego.
Outro tema que começa
a surgir fora do radar principal é a computação quântica. Ainda distante da
aplicação ampla, ela representa um tipo diferente de risco tecnológico. Ao
contrário da IA, que melhora processos existentes, a quântica pode quebrar
pressupostos, especialmente em segurança e criptografia. Por isso, empresas e
governos já discutem transições para padrões pós-quânticos. Não é uma tese para
o curto prazo, mas um lembrete de que tecnologias podem amadurecer em silêncio
e exigir ajustes rápidos quando se tornam operacionais.
A conclusão é menos
confortável do que o consenso costuma admitir. A inteligência artificial não é
uma bolha no sentido clássico, mas também não é um cheque em branco. A IA 2.0
marca o momento em que a tecnologia deixa de ser novidade e passa a ser pano de
fundo. Os ganhos de produtividade começam a aparecer, o capital já foi alocado,
mas os efeitos colaterais — econômicos, informacionais e comportamentais —
ainda estão sendo digeridos. Para o investidor, o desafio deixa de ser
identificar quem “fala IA” e passa a ser identificar quem consegue transformar
adoção em lucro, eficiência e retorno sustentável sobre capital.
No fim, esses episódios de ruído político e volatilidade acabam funcionando
menos como gatilho de fuga e mais como oportunidade, já que investidores seguem
usando os choques de curto prazo para aumentar exposição à bolsa, apostando
que, passada a manchete, o mercado volta a fazer o que sempre fez — não por
acaso, muitos já ficam à espera do próximo movimento do Trump para comprar mais
barato.
Análise
Técnica
Eu resolvi alterar
novamente o título da sexta-feira: vai ser *SexTech*. Quem achar que o conteúdo
é mais “hot” pode, quem sabe, começar a se interessar pela tecnologia e acabar
se tornando mais um leitor.
No post “A Agonia dos
sem Carteirinha.”, fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq 100: “A
Nasdaq 100, por sua vez, continua patinando. O motivo é claro: o mercado está
desconfiado dos valuations e tem preferido comprar ações mais baratas” ...
“Observando o gráfico, fico em dúvida se a onda (4) em vermelho, já
terminou conforme representado. Enquanto o nível de 26.175 não for
ultrapassado, essa hipótese continua válida”.
Nada de esclarecedor ocorreu nesta semana. Com um dia a menos de negociação na segunda-feira, a dúvida mencionada acima — “onda (4) em vermelho, já terminou” — permanece. Aguardamos maiores definições nos próximos dias.
“Enquanto a Nasdaq
100 está mais próxima de romper suas máximas, a Nvidia ainda se encontra
distante dos US$ 212. Além dos valuations elevados, começou a surgir
concorrência relevante, como os chips do Google e o movimento estratégico da
OpenAI ao firmar acordo multibilionário com a Cerebras, reduzindo sua
dependência de fornecedores tradicionais”.
Os resultados da Nvidia só serão anunciados em fevereiro, e o mercado parece estar aguardando esses dados para decidir o que fazer. Por enquanto, a única boa notícia é que a queda do início do ano ocorreu em três ondas, conforme destacado no retângulo. Só isso tenho de novo. Aguardamos o rompimento para cima, de preferência.
Ficamos muito tempo sem acompanhar eventos políticos. De tempos em tempos, acontecia algo importante que impactava os mercados. O gráfico abaixo, elaborado pelo Deutsche Bank, mostra uma outra realidade.
Em outras palavras, o que por décadas foi conhecido como widowmaker começa a perder esse rótulo não porque o risco desapareceu, mas porque o regime mudou: com a inflação menos complacente, o Banco do Japão saindo do controle da curva e a disciplina fiscal deixando de ser pressuposta, a volatilidade tende a permanecer elevada e o mercado passa a exigir prêmio para financiá-la.
Estamos ajustando o stop loss da posição em Ibovespa para 170 mil.
O S&P 500 fechou a 6.915, sem variação; o USDBRL a R$ 5,2900, sem variação; o EURUSD a € 1,1829, com alta de 0,63%; e o ouro a U$ 4.983, com alta de 0,95%.
Fique ligado!
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