Um presidente precisa ser pragmático #OURO #GOLD #EURUSD
Há momentos em que a história cobra coerência. Outros, mais raros, cobram pragmatismo puro. O Brasil vive hoje essa segunda situação. Em um mundo que se reorganiza rapidamente — com disputas geopolíticas explícitas, cadeias produtivas sendo redesenhadas e capital cada vez mais seletivo — insistir em decisões movidas por ideologia é um luxo que países médios simplesmente não podem se dar.
Um
artigo recente da Bloomberg deixa isso claro ao apontar o Brasil como o grande
perdedor da reconfiguração geopolítica da América Latina. Não se trata de
provocação gratuita nem de opinião isolada. Trata-se de uma constatação dura: o
país que, por dimensão econômica, população e histórico diplomático, deveria
liderar a região, hoje assiste aos acontecimentos do banco de reservas,
reagindo com notas oficiais cautelosas enquanto outros atores definem os rumos
do jogo.
O Mosca
vem alertando há tempos para um erro estrutural: a escolha equivocada de
parceiros estratégicos. Movido por um idealismo ingênuo, o governo brasileiro
optou por alinhar-se a regimes e projetos que não resistiriam ao teste da
realidade. Venezuela, Irã, Rússia e uma China cada vez mais pragmática — mas
jamais ideológica — formaram um conjunto frágil, sustentado mais por discurso
do que por interesses concretos.
O caso
da Venezuela é emblemático. O Brasil tinha todas as condições de exercer
liderança regional, pressionar por soluções institucionais e conter o avanço
autoritário. Preferiu relativizar abusos, minimizar denúncias e apostar na
retórica da soberania. O resultado foi a irrelevância. Quando os Estados Unidos
decidiram agir, o fizeram sem consultar Brasília, expondo de forma cristalina a
perda de influência brasileira em sua própria fronteira.
Enquanto
isso, no plano doméstico, o país vive uma contradição perigosa. Os números de
atividade sugerem resiliência, mas o motor não é crescimento saudável — é gasto
público. Déficits crescentes sustentam uma expansão artificial, que
inevitavelmente cobra seu preço na forma de juros mais altos e desaceleração à
frente.
O
contraste é gritante. De um lado, um cenário externo que favorece países
exportadores de commodities e participantes relevantes das cadeias produtivas
globais. De outro, uma bolsa que registrou uma das maiores saídas de capital
estrangeiro do último ano. Não é o mundo que está contra o Brasil. É o Brasil
que insiste em andar contra o mundo.
Tudo
isso nos leva ao ponto central: a diferença entre idealismo e pragmatismo. Um
presidente não governa para provar coerência ideológica; governa para maximizar
o interesse nacional. O pragmatismo não é ausência de valores, é hierarquização
deles.
Não sou
entusiasta de Donald Trump. Muitas de suas propostas econômicas são
equivocadas, especialmente sua pressão direta por juros artificialmente baixos.
Mas há um traço inegável em sua atuação: pragmatismo. Quando percebeu que a
escalada do confronto com a China produzia mais custo do que benefício, mudou
de postura. Sem drama. Sem discurso moralizante. Apenas cálculo.
O
contraste com o Brasil é desconfortável. Lula é um líder de retórica poderosa,
mas parece incapaz de abandonar narrativas que já não dialogam com a realidade.
Em um mundo cada vez mais transacional, insistir em discursos do passado é uma
forma elegante de se tornar irrelevante.
O Brasil ainda tem capital humano, recursos
naturais e posição geográfica privilegiada. Mas liderança não se proclama; se
constrói. E, neste momento histórico, liderança exige menos ideologia e muito
mais pragmatismo.
Análise
Técnica
No post
“Os primeiros da fila”, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: “O ouro
está próximo de romper o nível apontado no gráfico em US$ 4.391, o que
aumentaria as chances de novas altas”.
Dito e feito. O ouro continuou em sua trajetória de alta, dando a impressão de que o céu seria o limite, o que levou o Mosca a ajustar sua contagem.
—
“Xiiii, David, já perdi a conta de quantas vezes você alterou a contagem. Se eu
tivesse entrado na sua e vendido, teria perdido as calças.”
Em
relação à primeira observação, não que seja algo comum, mas em mercados
direcionais de alta (ou de baixa), esse tipo de situação ocorre, especialmente
em commodities, onde é recorrente a formação de ondas 5 estendidas. Não
considero isso um erro. Quanto à segunda observação, em nenhum momento sugeri
venda. E, mesmo que tivesse sugerido, haveria um stop compatível, justamente
para evitar a perda das calças.
Minha posição atual pode ser resumida nos
seguintes pontos:
A) até o momento, não há qualquer sinal de reversão;
B) do ponto de vista técnico, estamos próximos do final de uma sequência de
ondas 5, pertencente a uma onda maior 3 (laranja), o que exige cautela
redobrada;
C) todos os torcedores de futebol — corintianos, palmeirenses, flamenguistas
etc. — já sabem que comprar ouro é “boa ideia”; o tema virou assunto periódico
até no Jornal Nacional;
D) por último, mas não menos importante, o céu nunca foi o limite ao longo da
minha vida profissional de mais de 45 anos — e não será agora.
Como
objetivo técnico, caso o ouro ignore completamente esses argumentos e continue
subindo, o próximo alvo estaria em torno de US$ 5.150. No longo prazo, meu
cenário-base segue sendo de alta. No entanto, como o gráfico abaixo indica, ao
final dessa sequência o ouro deveria corrigir para algo próximo de US$ 3.200 na
onda 4 laranja, o que, a partir dos níveis atuais, representaria uma
queda da ordem de 30%.
Em relação ao euro, comentei o seguinte: “Quero enfatizar que não necessariamente o preço irá trilhar o triângulo demarcado no gráfico, pois, ao invés de retrair para completar a onda E (laranja), pode ultrapassar o nível atual e buscar as metas destacadas no retângulo. Caso supere € 1,1921, a hipótese do triângulo fica descartada, passando a ser mais provável uma movimentação em direção aos objetivos assinalados.”
Desde a última publicação, o euro vem escorregando, mantendo válida a hipótese do triângulo. O nível com maior probabilidade de reversão encontra-se próximo a € 1,1597. O Mosca é comprador nesse patamar ou nas proximidades? Não. Prefiro aguardar a formação clara de cinco ondas de alta antes de qualquer posicionamento. Por último, para a validade do triângulo não pode cair abaixo de € 1,1465.
O S&P 500 fechou a 6.939, com alta de 0,19%; o USDBRL a R$ 5,3706, com queda de 0,50%; o EURUSD a € 1,1605, com queda de 0,34%; e o ouro a U$ 4.605, com queda de 0,45%. Fique ligado!
EUA não pagam nossas contas e Trump não tem amigos. Basta ver os dois grandes parceiros, México e Canadá...
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