O vírus da IA não tem vacina #nasdaq100 #NVDA
Há três anos, ao
me deparar com um estudo da Goldman Sachs que projetava uma queda de emprego
equivalente a um terço dos trabalhadores nos próximos dez anos, fiquei
genuinamente preocupado com o futuro do trabalho. Mais a frente, desenvolvi o
conceito da “Carteirinha” — a ideia de que quem se engajasse profundamente com
a inteligência artificial saíria vencedor na nova ordem econômica; os demais, a
reboque. Imaginei inicialmente o impacto sobre as empresas, depois sobre as
pessoas. O tempo passou, e a realidade veio confirmar, com crescente
intensidade, o que já desconfiava.
A inteligência artificial avança como um vírus silencioso: começa nos países desenvolvidos, acomete os setores mais qualificados e, gradualmente, contamina toda a cadeia produtiva global. Nos Estados Unidos, esse processo já se tornou visível e irreversível. O Wall Street Journal sintetizou o fenômeno com precisão: empresas como Snap, Block e Amazon adotaram o que o mercado batizou de “mega-demissões” como novo modelo de ajuste de força de trabalho. A Snap cortou 16% de seus funcionários; a Block, espantosos 40%; a Amazon eliminou cerca de 30.000 postos em poucos meses. O modelo se espalha pelos escritórios executivos como uma nova doutrina de gestão.
Há um paradoxo desconcertante em curso: a economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 4,3% no terceiro trimestre de 2025, enquanto o desemprego escalou para 4,6% — o nível mais alto em quatro anos. O crescimento veio, mas os empregos não acompanharam. As empresas tecnológicas, especialmente as imersas na corrida da inteligência artificial, apresentam lucros recordes e, simultaneamente, anunciam demissões em massa. A Meta planeja gastar até US$ 135 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial em 2026 e, ao mesmo tempo, prepara cortes profundos de pessoal. Quando a notícia veio a público, as ações da empresa subiram quase 3%. O mercado enviou um recado inequívoco: gasto massivo em tecnologia é bem-vindo, desde que acompanhado de “gestão de custos” — eufemismo para a eliminação do sustento de milhares de famílias.
O caso da Mercor, startup de São Francisco financiada por capital de risco, ilustra a face mais perversa dessa transformação. Cofundada por jovens que jamais tiveram um emprego convencional, a empresa recruta profissionais experientes justamente para treinar os modelos de inteligência artificial destinados a substituí-los. A assistente social Tasha Kozak, que durante meses acompanhou uma família em situação de extrema vulnerabilidade em Tampa — crianças com notas em queda, mãe exausta, família vivendo num carro —, pode um dia ver seu trabalho encapsulado num algoritmo. Há algo profundamente perturbador nessa lógica: o ser humano treina a sua própria substituição.
No Brasil, esse processo ainda não se faz sentir com a mesma intensidade. Mas seria ingenuidade acreditar que estamos imunes. A tendência global chegará, e aqui o impacto será potencialmente mais agudo: a inteligência artificial atinge com maior força justamente os trabalhos rotineiros e de baixa qualificação, exatamente o perfil dominante no mercado de trabalho nacional. Não por acaso, hoje metade da população economicamente ativa já depende de alguma transferência governamental — e essa proporção tende a crescer.
Já faz cinco anos que a Covid-19 forçou o mundo a se trancar em casa. Naquele momento dramático, a humanidade encontrou uma saída: em tempo recorde, vacinas foram desenvolvidas e permitiram a retomada da vida normal. Com a inteligência artificial, o paralelo é tentador, mas a diferença é fundamental. Não existe vacina contra esse vírus. Não há antídoto que recrie, em volume suficiente, os postos de trabalho que serão eliminados — especialmente para uma geração jovem que ainda está entrando no mercado. A ideia do economista John Maynard Keynes, de pagar pessoas para cavar buracos e depois tampar, pode soar absurda, mas representa, metaforicamente, o desafio que os governos enfrentarão para manter a coesão social numa economia onde o trabalho humano perde espaço de forma estrutural e acelerada.
A questão que se coloca não é se a inteligência artificial irá transformar o mercado de trabalho — isso já está em curso. A questão é se as sociedades serão capazes de construir respostas à altura da velocidade dessa transformação. Por ora, o vírus avança. E a vacina ainda não foi inventada.
Análise Técnica
No
post “o-que-fazer-com-os-juros” aventei dois cenários para a Nasdaq 100, sendo
que um deles prevaleceu:
“a) A correção
terminou – Neste caso, temos a considerar o seguinte: o término da onda (2)
vermelha, conforme indicado no gráfico somente a título de ilustração; a
sequência de correção A – B – C em azul foi “by the books”, um ponto a favor.
Por último, é necessário superar a área destacada em verde entre 25.428 –
26.182” ...
“A Teoria de
Elliott Wave é fantástica em situações como essa, de dúvida; basta seguir os
parâmetros e verificar o que o mercado quer fazer para que você se posicione.
Os fundamentalistas estão todos apontando que o acordo de cessar-fogo é frágil,
mas o mercado, por enquanto, enxerga de outra forma. Se ainda é apenas a
liquidação das posições vendidas, como comentei no post “alta-por-osmose”, ou
uma nova sequência de altas, saberemos em breve.”
Porém,
esse leitor me fez repensar se todas essas evidências não seriam suficientes
para arriscar uma compra. A Nasdaq 100 ultrapassou a barreira que mencionei
acima, de 26.182, e, na minha contagem, estaríamos entrando na onda (3)
vermelha — a mais potente. Resolvi entrar na abertura de hoje a 26.333, com
stop loss em 25.845. Agradeço esse leitor que me “cutucou”.
O
primeiro objetivo seria 36.122, uma alta nada desprezível de 36%. E, veja, é a
mínima — lógico que não será amanhã, pois essa onda deve durar um bom tempo. O
modelo aponta até julho de 2027. Vamos um passo de cada vez.
“O caso da
Nvidia é muito semelhante ao comentado acima sobre a Nasdaq 100, com algumas
diferenças: a mínima atingida foi de US$ 164, ficando bem acima das mínimas
esperadas, conforme os níveis destacados no retângulo em rosa. A área destacada
em verde está mais distante dos preços atuais. A recuperação até agora está no
meio do caminho, enquanto a Nasdaq 100 avançou mais.”
Hoje peguei pesado no assunto de empregos, mas não poderia ser diferente. Com essa ameaça batendo à porta dos mais jovens, é uma preocupação legítima. Mas será que não será criado nenhum emprego novo? Quais os setores mais afetados?
No primeiro gráfico acima, a função de engenheiro de software está em alta demanda — é para lá que se deve ir. Já em relação aos setores mais afetados, bem como à importância dos salários nas receitas, deve-se evitar o topo à direita e ficar mais confortável na parte inferior à esquerda. Como se pode ver, quem se adaptar terá sua recompensa. Em mudanças estruturais, agir para se adequar é fundamental.
Fique
ligado!
Comentários
Postar um comentário