Putin não quer a paz - quer tempo #nasdaq100 #NVDA

 


Em agosto de 2025, Putin desembarcou no Alasca. Era sua primeira visita a solo americano em uma década e foi recebido com honras de Estado. Trump o chamou de "vizinho" — Alaska e Rússia são, de fato, separados por um estreito — e declarou que as conversas haviam sido "um dez". O objetivo declarado era traçar um plano conjunto de paz para a Ucrânia. O encontro terminou sem acordo, sem cessar-fogo, sem prazo. Putin sorria. Trump prometia que a paz viria "em breve". E assim a cúpula se encerrou como chegou: com muito simbolismo e nenhuma substância.

Não foi a primeira vez. Em fevereiro de 2025, Trump havia recebido o presidente ucraniano Zelensky no Salão Oval para discutir apoio americano e um acordo de minerais. O que se seguiu foi uma das cenas mais constrangedoras da diplomacia contemporânea: Trump e o vice-presidente JD Vance cercaram Zelensky verbalmente, interromperam suas falas e o acusaram publicamente de ingratidão. O acordo não foi assinado. Zelensky saiu sem resultado e com a dignidade no limite. Foi a primeira vez na história americana que um presidente em exercício atacou abertamente um chefe de Estado visitante diante das câmeras. Putin, do outro lado do planeta, deve ter assistido com satisfação.

Enquanto isso, Trump alimentava o sonho do Nobel da Paz. Sua porta-voz declarou que ele havia "negociado em média um acordo de paz por mês" desde a posse. Até Hillary Clinton, sua adversária histórica, disse que o indicaria ao prêmio — com a ressalva de que a Ucrânia não poderia ceder territórios. Trump respondeu que era "muito gentil da parte dela". A auto-imagem presidencial, como de costume, superava os fatos em larga margem.

O problema é que Putin não precisa de paz. Precisa de tempo. E a guerra do Irã lhe entregou exatamente isso — de bandeja. O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, disparou os preços globais do petróleo em mais de 50% em março de 2026, o maior salto mensal já registrado. O Brent chegou a superar US$ 114 o barril. E o petróleo russo — o Urals — foi duplamente beneficiado: além da alta geral, o desconto que carregava em relação ao Brent praticamente desapareceu, graças às isenções de sanções americanas que reduziram o estigma de comprar petróleo russo. A arrecadação russa sobre atividades petrolíferas saltou de US$ 4 bilhões em março para US$ 10 bilhões em abril — o nível mais alto em dois anos. A guerra no Oriente Médio está, na prática, financiando a guerra na Ucrânia.



A responsabilidade não recai apenas sobre Washington. A chamada frota-sombra — navios que transportam petróleo russo em violação às sanções ocidentais — responde por cerca de dois terços das exportações russas pelos portos do Báltico. Grande parte desses tanqueiros foi vendida a Moscou por armadores gregos. O 20º pacote de sanções da União Europeia era a oportunidade de atacar esse canal. Não aconteceu. Grécia, Chipre e Malta bloquearam qualquer avanço. Os navios continuam navegando pelo Báltico com impunidade. Parte das sanções europeias, para ser direto, é teatro.



E então Putin dá mais um passo. Na madrugada desta sexta-feira, um drone russo armado cruzou a fronteira com a Ucrânia e se chocou contra um prédio residencial em Galati, na Romênia — membro da aliança atlântica. O telhado pegou fogo. Houve feridos. Semanas antes, drones russos haviam sobrevoado a Lituânia a partir da Bielorrússia, forçando o governo a se recolher a bunkers. A Rússia ameaçou bombardear alvos na Letônia. Analistas interpretam essas incursões como uma estratégia deliberada: semear dúvida sobre a capacidade da aliança de proteger seus membros e desincentivar o apoio militar à Ucrânia. Com perdas crescentes no campo de batalha e economia deteriorada, o Kremlin testa até onde pode ir.


É nesse contexto que Putin investe US$ 26 bilhões em longevidade. Sua filha Maria Vorontsova supervisiona programas de genética financiados pelo Estado. O físico Mikhail Kovalchuk, diretor do Instituto Kurchatov, tornou-se o arquiteto intelectual do projeto: bioimpressão de tecido vivo, mini-porcos geneticamente modificados para cultivar órgãos humanos, terapia gênica antivelhecimento. Kovalchuk disse em entrevistas que prolongar a vida de Putin é uma questão de Estado — sua saída jogaria a Rússia em crise. O gerontologista Vladimir Khavinson, condecorado pessoalmente por Putin, argumenta que os seres humanos foram feitos para viver 120 anos, citando as Escrituras.

A história russa já viu esse filme. Nos anos 1920, Alexander Bogdanov fez experimentos com transfusões rejuvenescedoras e morreu aos 55 anos como consequência dos próprios tratamentos. Uma década depois, o médico Bogomolets organizou a primeira conferência mundial sobre longevidade e conquistou o elogio de Stalin ao prometer que humanos viveriam até os 150. Morreu aos 65. A expectativa de vida média do homem russo hoje é de 68 anos.

O que Putin pretende fazer com uma vida alongada, ninguém sabe ao certo. Mas se a trajetória dos últimos anos serve de indicação — absorver a Ucrânia, intimidar o Báltico, testar a aliança atlântica —, os próximos passos não são difíceis de imaginar. A Europa age com complacência que beira a cumplicidade. E para quem acredita que a cordialidade com Lula ou qualquer outro líder latino-americano seria um escudo: psicopatas não têm amigos, têm utilidade momentânea.


Análise Técnica

No post "tem-vaga-mas-não-e-para-você" fiz os seguintes comentários sobre a nasdaq100:

"O gráfico a seguir mostra a sua potência. Para que o leitor entenda o que quer comunicar, veja a diferença entre o ângulo das áreas destacadas: a alta da onda (1) vermelha se deu com um ângulo de 60°, subiu 58% em 200 dias, enquanto a área destacada com o retângulo laranja tem um ângulo de 75°, subiu 30% em 37 dias — isso denota que estamos numa onda (3) vermelha"

Fui questionado por meu amigo a razão de não ter posição na bolsa; veja minha resposta:

"Pode ser uma recomendação a ser seguida no seu portfólio, mas não aqui no Mosca. O que me preocupava era que esse movimento pudesse estabelecer o fim de uma onda de menor porte: como ela subiu 30%, uma retração de 1/3 significaria uma queda de 10%, o que prejudicaria o retorno das minhas sugestões"



Ondas 3 são muito potentes e de difícil administração. Como comentei acima, num portfólio não se deve mexer, mas em posições mais curtas é desafiador. Por exemplo, observando o gráfico abaixo, como assumir que a sequência de ondas em azul terminou como indicado? Se isso ocorreu, uma onda 1 de maior grau terminou e se espera uma correção da onda 2. Mas sendo assim foge significativamente dos padrões esperados, tanto em termos de retração como de tempo.

Com essas premissas sou obrigado a assumir uma de duas hipóteses:

— a onda 2 vermelha não terminou, ou;

— a onda 5 azul não terminou.

— Assumir que a onda 3 vermelha está em andamento não me parece prudente.



Em relação à Nvidia comentei:

"Interessante como a configuração da Nvidia está diferente da Nasdaq100: enquanto a primeira ainda está nas mínimas dessa correção, a segunda está perto das máximas. A explicação pode ser o motivo destacado mais adiante. Vamos acompanhar os próximos dias o desenrolar desta "briga"."



Essa semana comentei sobre a explosão da Micron e sua preferência atual pelos investidores, o que deixou a Nvidia em segundo plano. Essa diferença fica evidente ao observar o gráfico da Nasdaq100 — nem precisa colocar o da Micron, que seria ainda mais gritante — e o da Nvidia. Observando a última numa janela menor de 2 horas, não existe a formação de 5 ondas, o que me faz concluir que a retração ainda não terminou. Intrigante o que está ocorrendo, e não se esqueça de que essa empresa representa cerca de 14% da Nasdaq100.



— David, está na hora de trocar a Nvidia pela Micron nas suas análises! Hahaha.

Sem comentários!

Os leitores sabem da minha preferência por ETF em vez de fundos de ações com gestão ativa. Este ano pode estar certo de que será ainda mais gritante a diferença, dado a alta nas cotações de empresas menores. Mas será somente nestes ETF?



A indústria de ETF se desenvolveu de forma abrangente no mercado americano. Hoje inúmeras classes e ativos estão disponíveis aos investidores, incluindo a renda fixa, e mesmo dentro dessa categoria existem subcategorias como mostra o gráfico acima. Mas o resultado é sempre o mesmo: os fundos ativos não conseguem ter desempenho igual aos seus pares de ETF.



O S&P 500 fechou a 7.580, com alta de 0,22%; o USDBRL a R$ 5,0578, com alta de 0,12%; o EURUSD a € 1,1663, com alta de 0,11%; e o ouro a U$ 4.543, com alta de 1,06%.

Fique ligado!

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