O mercado correu para a porta de saída #Nasdaq100 #NVDA
Ontem foi um daqueles dias que ficam gravados na memória de quem acompanha os mercados. As quedas aconteceram sem interrupção, da abertura ao fechamento. O S&P 500 recuou 4,4%, o pior pregão desde o choque das tarifas de abril de 2025. O Nasdaq Composto caiu 5,5% e entrou oficialmente em correção, enquanto o índice de semicondutores despencou 12%.
Os números absolutos impressionam ainda mais. O Nasdaq 100 perdeu 6,4%, seu pior dia desde março de 2020, e o Nasdaq Composto viu evaporar cerca de US$ 2,5 trilhões em valor de mercado, a maior perda da sua história. As Sete Magníficas, sozinhas, perderam US$ 1 trilhão, e a Nvidia, símbolo maior da IA, passou a acumular queda em 2026. Nenhum setor do S&P 500 escapou.
Acredito que inúmeras ordens de limite de perda foram acionadas, uma atrás da outra, alimentando a própria queda. Os operadores de opções correram para cobrir posições logo cedo, e os fundos sistemáticos entraram em seguida, acelerando o movimento. O fundo de semicondutores alavancado três vezes desabou 39% num único dia, e os investidores individuais protagonizaram a maior venda líquida desde a pandemia. Dias assim assustam, pois dão a impressão de que a queda não terá limites.
Os hedge funds aproveitaram para vender suas posições ou abrir posições vendidas, e muitos já chegaram machucados. Outubro registrou a maior desmontagem de posições entre os fundos de seleção de ações em mais de uma década, segundo o Morgan Stanley, e mais de 40% deles estavam no zero a zero ou no prejuízo no ano. A Walleye teve o pior mês desde março de 2020 e vai devolver parte do capital aos cotistas. Na mesa do Goldman Sachs, o resumo foi direto: "nossos telefones estão explodindo".
Venho alertando que o mercado estava impaciente. Comentei isso especificamente nos posts "Gritaram fogo" e "O mercado está perdendo a paciência". Como sempre, faltava apenas um fator para detonar o movimento, e ele veio das urnas. Os democratas passaram a dominar a Câmara e o Senado, além de vencer governos estaduais justamente onde mais podem impactar a IA.
O caso emblemático é o Texas, que responde por cerca de 25% dos centros de dados planejados no país. Gina Hinojosa, a primeira democrata eleita governadora desde 1990, prometeu suspender novas aprovações. Geórgia e Ohio também terão governadores democratas pela primeira vez em décadas, ambos com propostas de pausa ou de regras mais rígidas. Pelas estimativas do Goldman Sachs, cerca de 45% da capacidade planejada está em estados onde os eleitos fizeram campanha por restrições. Não é capricho de político: segundo a pesquisa de boca de urna da NBC, 76% dos eleitores se opõem a novos centros de dados em suas comunidades.
["Top 10 States Have Over 70% of US Data Center Pipeline", do artigo "US Data-Center Backlash May Lower Odds of AI Investment Bust" (Bloomberg)]
Donald Trump não perdeu a oportunidade e culpou os democratas pela queda da bolsa: "Seus planos de aposentadoria caíram. Lembrem-se, não foram os republicanos, foram os 'Democrats' (o apleido ofensivo chama os Democratas de estúpidos). Neste caso específico, foi realmente a vitória democrata que assustou os investidores. Mas o fato real é que ele arrumou tanta discordância com tanta gente que acabou recebendo um basta da população. Ele próprio admitiu que o preço alto dos combustíveis, provocado pela guerra no Irã, pesou na derrota. Na verdade, o culpado-mor é ele, por ter relevado tudo e todos.
Agora vem a parte que o mercado, no calor do pânico, deixou de lado. Os projetos em andamento serão honrados. Logo após o fechamento, Hinojosa declarou que todos os centros de dados já licenciados no Texas poderão concluir suas obras, o que cobre praticamente todo 2027 e boa parte de 2028. A dúvida fica para o que deve ocorrer a partir de então.
Sendo assim, a reação talvez fosse necessária para botar um freio na competição entre as empresas. Isso é ruim? Não me parece, pois esse era justamente o grande receio do mercado: um excesso de investimento que terminaria em bolha. O investimento em equipamentos e programas de computação deu à economia americana o maior impulso já registrado, superando até o pico da era pontocom, e os gastos com construção de centros de dados quase dobraram em doze meses, para perto de US$ 100 bilhões anualizados.
Não estou sozinho nessa leitura. Brett Ryan, do Deutsche Bank, avalia que as restrições "quase impedem que se infle uma bolha grande demais" e servem de "boa desculpa para matar projetos que já pareciam frágeis". Aichi Amemiya, da Nomura, fala em um "freio natural", capaz de evitar o estouro. Cada gigante tenta construir uma posição de monopólio, e essa corrida, feita por todos ao mesmo tempo, tende a produzir muito mais capacidade do que a economia precisa.
Por outro lado, os governadores não fecharam a porta para a construção dos centros de dados. Querem apenas regras melhores para proteger a população da alta nos preços da energia e da água, além da cobrança de impostos e de voz para as comunidades. Isso encarece o negócio, mas não o inviabiliza.
Ed Yardeni segue a mesma linha. Para ele, a reação política é mais uma restrição ao investimento em IA, ao lado dos gargalos financeiros e físicos. Mas trata-se de lombadas, não de barreiras, e Wall Street estaria precificando estas últimas, o que considera exagerado. A demanda por capacidade de computação continuará crescendo à medida que a IA se dissemina, e os centros de dados serão construídos, ainda que num ritmo mais lento. Na sua visão, as lombadas evitam justamente que o ciclo corra rápido demais e se espatife na próxima curva.
Por isso, Yardeni enxerga a queda de ontem como oportunidade de compra. Os indicadores de sentimento já mostram pessimismo acima da média, e, do ponto de vista contrário, ataques de pânico costumam ser altistas. Ele mantém a meta de 7.900 pontos para o S&P 500 no fim do ano.
Mas o estrago foi feito. Do ponto de vista técnico, um movimento de correção está em andamento. Como comentei em diversos posts, ele poderia ser pequeno ou maior, e agora, sem dúvida, será no mínimo este último. Mais sobre o assunto na Análise Técnica.
Análise Técnica
No post "roubo-seguro", fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq 100:
"O mercado ameaçou uma melhora durante a semana, mas os resultados das Big Techs, que começaram a ser anunciados na última quarta-feira, decepcionaram os investidores" ... "os objetivos destacados nos retângulos verde e azul. Nada a fazer, o que tem sido a opção mais prudente".
a) a bolsa estanca a queda em 26,2 mil ou 25,3 mil, e o jogo continua conforme a opção que estou usando. Abre-se a possibilidade de novas altas. Detalhe: a onda ii laranja pode ficar um tempo entre (b) e (c) vermelho.
b) a bolsa vai abaixo do nível acima, mas não viola o stop loss em 22.841; o jogo pode continuar daí em diante também, embora o movimento não seja by the books.
c) a bolsa viola o stop loss e, nesse caso, a onda 1 laranja é eliminada e vou ter que reorganizar a onda 1 azul. Vamos ver nos próximos dias o que o mercado nos indica.
Por engano, acabei postando errado o gráfico atualizado da Nvidia e não tenho como recuperar a imagem. Peço desculpas; em todo caso, isso não muda a análise. No gráfico semanal, pode-se notar a semelhança entre ela e a Nasdaq 100, apenas com a diferença de que a onda 1 azul está prestes a ser eliminada caso o nível de US$ 164,27 seja violado; nesse caso, teria que rever a onda (1) vermelha.
Olhe a ilustração publicada hoje na minha rede social.
Na quarta-feira fiz uma sugestão de compra para o S&P 500 que acabou sendo estopada ontem com um pequeno prejuízo. Vou comentar em mais detalhes na próxima semana onde foi meu erro.





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