O mercado sempre quer mais #EURUSD a #GOLD #OURO
O mercado é, por essência, insaciável. É da sua
natureza pedir mais, sempre mais, como uma criança que, ao experimentar o gosto
do poder, não conhece limites. A sucessão de eventos recentes envolvendo a
Nvidia ilustra perfeitamente essa dinâmica. Uma empresa que, há apenas alguns
anos, era uma fabricante de placas de vídeo para gamers agora se tornou a
locomotiva de toda uma narrativa de transformação tecnológica. E, mesmo assim,
quando entrega lucros históricos e resultados acima do esperado, o mercado responde
com frieza.
Essa postura não é nova para mim. Em 1994, no
auge da hiperinflação brasileira, atuei no lançamento do primeiro fundo de
ações pós-Plano Real com um grupo de colegas de mercado, na Linear
Investimentos. Os juros estavam ainda acima de 40% ao mês, e qualquer um que
ousasse aplicar em ações era visto como um temerário. O fundo subiu mais de 30%
em seu primeiro mês. Mas no segundo mês, quando caiu 2%, parte dos cotistas
resgatou tudo, decepcionados. Era como se o sucesso anterior tivesse criado a
obrigação de continuar sempre vencendo, sem espaço para oscilação.
Nos últimos dias, a empresa divulgou lucro
trimestral recorde de US$ 13,5 bilhões. A receita cresceu 170% em relação ao
mesmo período do ano passado. E, mesmo assim, o mercado reagiu de forma morna.
As ações caíram momentaneamente, apenas para depois retomar o fôlego. O
argumento? Esperavam-se números ainda mais estratosféricos. A "lógica da
decepção na bonança" impera — uma contradição que apenas um ambiente movido a
expectativas irracionais pode sustentar.
O CFO da Nvidia foi enfático: enquanto não
houver clareza sobre tarifas e condições formais, a empresa não poderá repassar
seus produtos à China com os novos impostos de 15% exigidos por Trump. Ou seja,
além da pressão natural de crescimento, há o fantasma da guerra comercial.
Mesmo assim, os analistas se apressaram em elevar os preços-alvo para a ação.
Isso mostra que o mercado já não opera com base no presente, mas numa espécie
de fantasia aditiva. Cada trimestre precisa superar o anterior, não importa a base
de comparação.
O artigo de John Authers, publicado pela Bloomberg, é um lembrete sóbrio de que, quando os ciclos estão esticados ao limite, qualquer hesitação vira escândalo. Ele destaca que há uma dissonância perigosa entre a expectativa e a realidade: enquanto o entusiasmo com a IA sustenta valuations altíssimos, há uma negligência quanto aos riscos de desaceleração e concentração de lucros em poucos nomes. Em outras palavras, o mercado está se equilibrando na corda bamba da confiança extrema.
Para mim, isso tudo remete a uma época em que
os gestores precisavam convencer os clientes de que lucros são cíclicos, e não
exponenciais. Mas como explicar isso hoje, com TikTok, fóruns de Reddit e
influenciadores financeiros empurrando a ilusão do lucro contínuo? Nvidia virou
o ícone dessa era, mas também o alerta. O gráfico a seguir mostra a
concentração de performance da Nvidia, reforçando o ponto de Authers:
Ao observar os dados, noto que há uma tendência de "acelerar no limite da curva", como se o mercado estivesse testando o quanto pode exigir antes de sair da pista. A última rodada de resultados da Nvidia é excelente — mas não perfeita. E como vivemos a era da perfeição inflada, qualquer coisa aquém dessa utopia é recebida com frustração.
Enquanto isso, gigantes do varejo como Walmart
e Costco seguem entregando resultados sólidos, mas sem o mesmo glamour. No
entanto, seus múltiplos de preço estão igualmente inflados. Isso mostra que o
comportamento de manada não se restringe à tecnologia — ele se espalha por todo
o mercado, criando uma bolha de expectativas que só se sustenta até a realidade
bater à porta.
O investidor que me acompanha no Mosca sabe que tenho tentado separar ruído de tendência. E quando vejo essa obsessão por números crescentes, lembro de uma frase que repeti diversas vezes ao longo da minha carreira: “não é a velocidade que mata, é a parada repentina.” O mercado quer mais, mas talvez precise de menos. Menos fantasia, menos euforia, menos ilusão de crescimento perpétuo. Porque quando o ciclo virar — e ele vai virar — será esse excesso que cobrará a conta. Mas por enquanto a Nvidia nada de braçada!
Análise Técnica
No post “o-bom-menino”, fiz os seguintes comentários sobre o euro:
“ainda existe a possibilidade de o cenário de queda mais extenso ocorrer,
mas esta opção está na linha do pênalti, seria necessário que o euro voltasse a
cair — caso contrário, a alta deveria se estender por mais tempo”
Duas semanas depois, não há muito a acrescentar. A moeda única até recuou, mas o movimento ainda é tímido demais para validar uma retomada da tendência de baixa. A possibilidade de queda permanece viva, mas cada vez mais no fio da navalha. A decisão deve ficar para depois da minha volta. Se subir, deve encontrar resistência nos € 1,20; se cair e completar a onda (1) vermelha, aí sim uma oportunidade de venda poderá surgir na correção da onda (2).
Incluo nesta edição o ouro. No post “agora-é-para-valer”, comentei:
“Estamos prontos para comprar? Talvez sim, mas seria arriscado. Não existe outro argumento além da hipótese descrita na onda (4) vermelha. Além disso, o ouro passou os últimos quatro meses dentro de uma faixa de preços demarcada pelo retângulo, situada entre US$ 3.250 e US$ 3.450, encontrando-se agora no meio dessa banda. Para eliminar algumas hipóteses, é necessário que o preço ultrapasse US$ 3.447. Até lá, a melhor decisão é aguardar”
Passada uma semana, continuo com o pé no freio. O gráfico de curto prazo mostra um círculo laranja que inspira pouca confiança. Se ultrapassar os US$ 3.447, poderá acelerar até ~US$ 3.600 — o que significaria um ganho de cerca de 6%. Mas como estarei fora, seria difícil administrar essa posição. Caso contrário, um recuo expressivo pode se materializar.
O S&P 500 fechou a 6.501, com alta de 0,32%; o USDBRL a R$ 5,4060, com queda de 0,22%; o EURUSD a € 1,1682, com alta de 0,37%; e o ouro a U$ 3.420, com alta de 0,68%.
Fique ligado!
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