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A narrativa e a realidade #IBOVESPA

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  Se você pegar dez relatórios de bancos sobre o mercado de câmbio, pode apostar que nove irão recomendar a venda de dólar. Alguns sugerem comprar euro, outros até moedas emergentes. Os argumentos são variados, afinal, cada instituição precisa justificar sua posição. Mas a realidade tem mostrado algo bem diferente, como destacam Ed Yardeni e Robin Brooks nos materiais publicados. A grande questão é: como o mercado conseguiu levar as cotações do dólar para baixo, conforme relatado em artigos da Bloomberg? A resposta está nos mercados de derivativos, onde dois movimentos principais têm sustentado essa dinâmica. De um lado, clientes europeus com posições nos EUA, mas sem cobertura no euro, recorreram ao hedge por meio de swaps cambiais. De outro, especuladores ampliaram agressivamente suas apostas no mercado futuro, montando posições de grande porte vendidas no dólar. Esse arranjo, contudo, depende de um elo frágil: a efetiva compra da moeda. No caso do euro, se não houver demanda...

Contenha o medo #S&P 500

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  O mercado de ações é, por essência, um gerador de desconforto. O medo de comprar na máxima ou vender na mínima não é apenas uma sensação, é uma armadilha recorrente para a maioria dos investidores. O problema não está na existência das quedas, mas na incapacidade de lidar com elas racionalmente. O estudo anexo mostra isso de forma cristalina: embora as correções façam parte da dinâmica natural dos mercados, a recuperação quase sempre acontece — e frequentemente é mais rápida do que se imagina. Entre os dados mais relevantes, o levantamento mostra que cerca de 90% das perdas são recuperadas em até dois anos. E em 70% dos casos, essa volta acontece em menos de 12 meses. Isso significa que a angústia provocada por uma queda acentuada raramente se justifica em termos racionais. O investidor que não abandona sua posição no pânico tende a ser recompensado com a normalização dos preços. Mas se a estatística conforta, a realidade emocional nem sempre corresponde. Muitos se perguntam: ...

Ficando com o mico #USDBRL

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  Tenho chamado atenção de que os resultados das pequenas e médias empresas americanas seguem estagnados, em contraste com os ganhos crescentes das grandes corporações. A intuição inicial era de que se tratava de um fenômeno estrutural ligado à própria natureza desse segmento: menor acesso a crédito, margens mais comprimidas, dificuldades em competir globalmente. O gráfico abaixo já mostrava esse descolamento claro no desempenho. No entanto, um estudo recente elaborado pela Marquette Associates sugere que há uma explicação adicional e até mais convincente para a mediocridade dos índices de small e mid caps: a interferência do private equity. As boas empresas — justamente aquelas com potencial de crescer de forma consistente — vêm sendo retiradas da bolsa através de aquisições. O investidor que permanece exposto a esse universo acaba “ficando com o mico”, ou seja, com o que sobra após os melhores ativos terem sido levados para fora do mercado público. O raciocínio é direto. Quan...

Com a faca e o queijo na mão #nasdaq100 #NVDA

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No xadrez geopolítico e econômico atual, poucos momentos expõem de forma tão clara a assimetria de forças como o que estamos vivendo entre Estados Unidos e China. Quem está com a faca e o queijo na mão são os americanos. Venho alertando, em diversos posts no Mosca, sobre a fragilidade crescente da economia chinesa — e os dados recentes não deixam dúvidas.  A produção industrial subiu apenas 5,7% em julho, abaixo das expectativas, enquanto as vendas no varejo desaceleraram para 3,7%. O investimento em ativos fixos também decepcionou, reforçando a percepção de que as engrenagens da segunda maior economia do mundo estão girando com folga demais. No mercado corporativo, gigantes como JD.com e Geely reportaram quedas expressivas nos lucros, sufocados por uma guerra de preços que corrói margens e alimenta a chamada “involução” — competição interna excessiva que destrói valor em vez de criá-lo. Esse movimento não é pontual: ele reflete um ambiente de negócios cada vez mais hostil, sem p...

O bom menino #EURUSD

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  Quando vi Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, com seu visual “correto”, lembrei imediatamente da figura do bom menino — aquele que obedece sem contestar. A impressão se confirmou na entrevista à Bloomberg, quando defendeu uma queda de juros de no mínimo 150 pontos-base. De onde ele tirou esse número? Como na velha música, “o bom menino não faz xixi na cama” — mas, se atendido, este pode provocar um estrago de respeito. A afirmação de que “qualquer modelo” indicaria uma taxa 1,5% a 1,75% mais baixa é, no mínimo, um salto lógico perigoso. Basta olhar para a famosa Taylor Rule, ou para a adaptação de Gregory Mankiw, para ver conclusões opostas. Historicamente, nunca houve uma taxa de fed funds tão baixa em um cenário com núcleo de inflação acima de 3%. O comentário de Bessent não é apenas economicamente questionável, mas politicamente revelador: Donald Trump quer juros menores e mais controle sobre o Fed. A independência da autoridade monetária, desde o fim do padrão-our...

O menino pentelho #IBOVESPA

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Na infância, sempre havia aquele colega que se metia em tudo e brigava quando não obtinha o que queria. Trump é a versão adulta desse personagem. No lugar do pátio da escola, ele usa o microfone presidencial. Ontem, mirou no setor privado e ‘sugeriu’ que a Goldman Sachs trocasse seu economista-chefe por alertar que tarifas elevam preços. Isso não é debate técnico; é tentativa de intimidação. E vem no rastro de outros ataques a executivos e ao próprio corpo técnico do governo. Quando a política tenta domesticar a análise, o resultado é previsível: ruído no curto prazo, custo mais alto no longo. O dado do CPI de julho trouxe combustível para a pressão por cortes agressivos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, defendeu publicamente um corte inicial de 50 pontos-base em setembro e uma queda total de 150–175 pontos nos próximos meses. É compreensível que o emissor da dívida prefira juros menores; o custo de financiamento cai. Mas política monetária existe para preservar a estabilidade...

A China manda recado ao Trump #SP500

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Menos de 24 horas após Washington oficializar a “contribuição” de 15% sobre todas as vendas dos chips H20 da Nvidia para a China, Pequim respondeu com precisão cirúrgica: orientou suas empresas a priorizar fornecedores domésticos em detrimento dos norte-americanos. Traduzindo para o linguajar de mercado, mandou enfiar os chips americanos num lugar pouco nobre. Não se trata de um banimento formal, mas o recado é claro — e, como bem descreve a Bloomberg, o H20 já nasce com um selo de “fora de modelo”, com especificações que o tornam obsoleto para as aplicações de fronteira. A medida expõe uma fragilidade estrutural na aposta de Donald Trump: ele abriu mão de parte da vantagem tecnológica dos EUA em troca de receita imediata e algum espaço diplomático. Só que, ao mesmo tempo, reforçou o ímpeto chinês em acelerar a substituição de componentes críticos. A história mostra que a China é capaz de transformar restrições em catalisadores industriais — e este parece ser mais um caso. A verdadeira...