O Charlatão #Bitcoin #Microstrategy #nasdaq100 # NVDA

 

A diferença entre inveja e admiração, como definiu minha saudosa analista, é que o primeiro tenta minar as qualidades do invejado buscando trazê-lo para seu nível, e o segundo busca se aprimorar para chegar nele. Acho essa definição perfeita. Se você olha para um profissional e quer que ele se estoure, provavelmente está sentindo inveja; ao contrário, se o admira e quer “copiar” seu sucesso, é o caso oposto. Todos os leitores sabem minha opinião sobre Michael Saylor, o CEO da MicroStrategy – que mudou o nome de sua empresa para Strategy, afinal, ele acha que de micro não tem nada. Como eu não o admiro, será que tenho inveja dele? Pela minha definição, parece que sim, mas na verdade fico perplexo como ele pode enganar tanta gente inteligente.

Comentei diversas vezes aqui o esquema usado e posso resumir dizendo que sua estratégia é alavancar ao máximo a compra de bitcoins. Acredito que, na sua crença, como o bitcoin vai valer sei lá um milhão de dólares, ficará bilionário junto com seus acionistas. Hoje já detêm 3% do total das criptomoedas. Comentei também repetidamente que a sobrevivência da criptomoeda é a entrada de novos compradores todos os dias, como não tem rendimento nenhum, essa regra é fundamental para competir com os outros ativos. No caso dele – Michael Saylor –, nem a estabilidade de preços é suficiente, pois como está alavancado pagando juros muito elevados, precisa que suba de preço. Existe mais um grande problema: como o preço de suas ações estão vinculados ao preço do bitcoin, e tem ágio, os detentores de suas ações podem ver a cotação cair mesmo que não aconteça queda do bitcoin. Em outras palavras, tudo tem que dar muito certo para ele ser bem-sucedido.

Fico pensando se, quando ele vai dormir à noite, sem algum receio ou remorso do gigantesco esquema Ponzi que implantou. Como é um sujeito narcisista, não deve sentir nada disso; ao contrário, deve imaginar que seus acionistas lhe devem muito. Para mim, um charlatão! E os fatos recentes só reforçam essa visão. O experimento de Saylor com o bitcoin enfrenta agora uma revolta do mercado, questionando a sustentabilidade do modelo de tesouraria corporativa que ele pioneirou. As ações da Strategy Inc., outrora MicroStrategy, caíram 15% neste mês, apagando grande parte do prêmio que a empresa desfrutava sobre suas reservas de bitcoin. Esse prêmio, conhecido como múltiplo do valor patrimonial líquido ajustado, despencou para 1,57, mesmo em meio a um boom no mercado de criptoativos.

No centro da preocupação estão as táticas de financiamento da empresa. A nova ação preferencial, anunciada como o principal veículo para compras futuras de bitcoin, atraiu demanda morna. Uma venda recente captou apenas 47 milhões de dólares, bem abaixo das ambições de Saylor para captações grandiosas. Para compensar o déficit, a companhia voltou a emitir ações ordinárias, apesar de promessas anteriores de limitar a diluição. Essa reversão abalou os investidores, que viram nisso uma quebra de confiança. Em julho, a empresa se comprometeu a não emitir ações abaixo de um múltiplo de 2,5, com exceções estreitas. Duas semanas depois, afrouxou a orientação e, em 25 de agosto, vendeu quase 900 mil novas ações.

Online, Saylor descartou as críticas, postando uma imagem gerada por inteligência artificial de si mesmo passando por um urso gigante, com a legenda “Ignore os ursos”. Seus apoiadores argumentam que manter flexibilidade pode beneficiar a companhia caso ela entre no índice S&P 500 ou se o bitcoin exploda novamente. Mas o mercado resiste: emitir ações abaixo do valor patrimonial líquido ajustado arrisca um ciclo negativo, enfraquecendo a capacidade de comprar mais bitcoin e erodindo a confiança, o que derruba ainda mais o prêmio.


Os riscos se estendem além de uma empresa. O playbook de Saylor – captar dívida e capital, comprar bitcoin, observar o mercado atribuir um prêmio, repetir – inspirou uma onda de firmas de tesouraria que, coletivamente, detêm mais de 108 bilhões de dólares, ou 4,7% da oferta de bitcoin. Se o prêmio da Strategy colapsar, a confiança no modelo pode se desfazer. Analistas como Jake Ostrovskis, da Wintermute, veem a queda como reação natural à competição e a alternativas para exposição a ativos digitais. Além disso, quase um terço das companhias listadas com bitcoin no balanço agora negociam abaixo do valor de suas reservas, segundo a Capriole Investments. Firmas menores são vulneráveis, com liquidez limitada tornando emissões de ações dolorosas e dependência de notas conversíveis trazendo ônus de juros e riscos de vencimento.

A Strategy planeja aposentar todas as notas conversíveis nos próximos quatro anos e migrar para ações preferenciais, cujo principal nunca vence. Mas a maioria de seus pares menores, sem escala ou credibilidade, não pode replicar isso. “O que acontece se o bitcoin cair 50%?”, questiona Charles Edwards, da Capriole. O entusiasmo por companhias de tesouraria murchará, os múltiplos se comprimirão e centenas de empresas questionarão sua estratégia. O campo ficou lotado: influenciadores e figuras politicamente conectadas lançam veículos cripto via fusões reversas, muitos sem a liquidez da Strategy e menos duráveis em downturns.

Outra ameaça surge dos fundos negociados em bolsa de bitcoin à vista, que oferecem exposição sem riscos de governança corporativa, alavancagem ou diluição. Investidores são movidos por momentum, como nota Campbell Harvey, da Duke University: quando o preço sobe, compram; quando cai ou fica estável, o entusiasmo diminui. Atenção se volta para outros ativos como ether e solana, com tesourarias dedicadas superando 19 bilhões de dólares. O bitcoin recuou de picos recentes, mas permanece apoiado por alocações institucionais. Muitas firmas novas compraram acima de 100 mil dólares e carecem de negócios subjacentes para sustentá-las se o mercado virar. “Não há nada por trás do bitcoin além do sentimento”, diz Hilary Allen, da American University.

No fim, o caso de Saylor ilustra como esquemas alavancados em ativos voláteis como bitcoin podem seduzir, mas desabar sob escrutínio. Como Mosca, vejo nisso um alerta: o charlatanismo prospera onde o otimismo cego ignora mecânicas fundamentais. O mercado, afinal, pune ilusões com realidade implacável.


Análise Técnica

 Como de costume, realizo os comentários sobre o bitcoin ao mencioná-lo no texto principal. Na última atualização, no post “razão-emoção-e-o-vicio-do-bitcoin”, expus as seguintes observações: “As cinco ondas foram completadas, e o Bitcoin agora caminha para o objetivo traçado no retângulo, entre US$ 120 mil (alta de 9%) e US$ 129,8 mil (alta de 16%). Caso esse nível seja superado, o próximo alvo seria próximo de US$ 160 mil”.


Duas observações merecem destaque: essa postagem ocorreu no final de maio, quando o bitcoin atingiu a marca de US$ 120 mil e estagnou nesse patamar; ademais, daqui em diante, minhas projeções tornam-se mais limitadas devido ao uso do MetaStock. Como se observa no gráfico a seguir, é possível que a máxima tenha sido alcançada, direcionando para um período de queda, embora os preços ainda não confirmem essa tendência, sugerindo prováveis novas altas.


No post “bons-tempos-do-telefone”, comentei sobre o Nasdaq 100: “Como já desconfiava, a onda (4) vermelha parece estar se formando como um Flat Irregular. Essa onda deve terminar (ou já terminou) em algum ponto dentro do retângulo que projetei”.


Tudo indica que a onda (4) vermelha concluiu seu ciclo – restando apenas a hipótese de um false break ou uma estrutura mais complexa. Considerando a trajetória em curso, o Nasdaq 100 deve atingir o objetivo de 26.000 (+10%) a 26.500 (+11%) nos próximos meses (espero retornar antes disso). Agora, só falta negociar com Trump – já que corintianos ou russos nada têm a ver com o mercado – para que ele se mantenha discreto por algum tempo. Alguém poderia inventar um campeonato mundial de golfe, convidando-o como honra? Que tal? Hahaha.


Em relação à Nvidia, observei: “Assim como o Nasdaq 100, a Super Star também apresenta uma correção semelhante. Tanto no índice quanto nesta ação, será necessário completar as cinco ondas antes de qualquer entrada. A correção pode se estender mais do que se espera. Atenção: a Nvidia divulga seus resultados trimestrais na próxima semana”.


O gráfico da Nvidia sugere um cenário distinto do Nasdaq 100, onde a onda (4) laranja aparenta ainda estar em formação, o que pode questionar minha afirmação anterior. O primeiro objetivo situa-se ao redor de US$ 168. Destaquei no gráfico dois níveis críticos a serem monitorados no curto prazo.


Recentemente, recebi um gráfico do tipo “paste copy” comparando a evolução passada do índice Nasdaq Composite (ligeiramente diferente do que acompanho) com a atual.


Vocês sabem que desaprovo essas comparações, pois, se acertarem, o analista ganha fama; se errarem, cai no esquecimento. Para nós, que arriscamos investimentos reais, qual a utilidade? Se posicionado em compra, oferece certo conforto; se neutro, induz a pensar em uma iminente queda brusca. Em resumo, não serve para nada!


Estou viajando sem posição comprada no S&P 500 e resolvi zerar na abertura, não que eu tivesse visto alguma ameaça mais, mas não gosto de viajar com posições. Espero que nada relevante ocorra nesse período para justificar uma postagem, mas, se houver, publicarei.

Até breve!

O S&P 500 fechou a 6.460, com queda de 0,64%; o USDBRL a R$ 5,4261, com alta de 0,23%; o EURUSD a € 1,1698, com alta de 0,13%; e o ouro a U$ 3.448, com alta de 0,91%.

Fique ligado!

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