In Warsh We Trust #OURO #GOLD #EURUSD

 


Nas últimas 48 horas tive dois exemplos opostos sobre o que é confiança. De um lado, o STF espalhou desconfiança generalizada pela parcela da população minimamente esclarecida — se alguém precisar de Justiça neste país, é melhor não contar com ela. Do outro lado do Equador, fiquei genuinamente impressionado com Kevin Warsh. Pairava sobre ele a dúvida de que não teria estômago monetarista à frente do Fed. Pois deu um sinal inequívoco na direção contrária.

Aprendemos, com o tempo, a identificar em quem podemos confiar. De forma simples: quando alguém age, solicitado ou não, sem levar em conta restrição pessoal alguma — sem interesse próprio, sem esconder fato relevante, sem medo de ser honesto — essa pessoa se torna confiável. Não é fácil. Mas é a única forma de construir esse tipo de reputação, e Warsh entregou isso na quarta-feira.

O Fed subiu os juros em 0,25 ponto, levando a faixa básica para 3,75%–4%, em decisão unânime — 12 a 0. Não é pouca coisa: era o primeiro aperto desde 2023 e veio às vésperas de eleições de meio de mandato, sob pressão pública e reiterada de Trump por juros a 1%. Warsh optou pelo caminho contrário ao que o próprio patrão queria ouvir.

Li o comunicado com atenção, e duas coisas me chamaram a atenção que não vi nenhum analista destacar. Primeiro, no parágrafo sobre incerteza, o Fed não fala só de pressões inflacionárias — também reconhece fator deflacionário, ao citar que "o crescimento da produtividade é forte". Segundo, reforçou o objetivo dos 2% mesmo reconhecendo que a inflação segue elevada. Ou seja: não é populismo monetário disfarçado de rigor, é rigor mesmo, com nuance.


"Federal Funds rate target" — do artigo "Fed Delivers First Rate Hike" do Wall Street Journal de 16.09.2026"


Sobre o "dot plot" — que até pouco tempo era bússola de mercado — vejo um instrumento perdendo relevância a cada reunião. Na verdade, nunca serviu para muito além de fotografar a opinião dos membros naquele instante. E como Warsh está mudando o próprio funcionamento da reunião, essa foto pode virar outra em 24 horas, se os dados assim o exigirem. Os "dots" de setembro subiram frente a junho — média para o fim do ano subiu 25 pontos-base, e a de 2027 subiu meio ponto percentual — mas tratar isso como promessa gravada em pedra é ler mal o novo Fed.

Quanto a Trump: ele reclamou publicamente, pediu juros a 1% nas redes sociais, mas não atacou Warsh pelo nome. Nos comentários a jornalistas, sugeriu que seu presidente do Fed seria refém de um comitê hostil — "pode muito bem votar com a diretoria, porque não vai fazer diferença. A diretoria é muito hostil, muito política". Engoliu o sapo culpando o coletivo, poupando o indicado. E aqui está o ponto que mais me agrada: a partir de ontem, dólar e Treasuries ficaram mais confiáveis, porque agora existe alguém no comando dobrando a aposta nos próprios objetivos, doa a quem doer.

Quem chegou à mesma conclusão por um caminho totalmente diferente foi Ed Yardeni. Ele listou cinco pontos objetivos da reunião: decisão unânime; inflação continua sendo a preocupação predominante do Fed, sem retorno pleno à meta antes de 2029; a economia está mais forte do que o próprio Fed imaginava em junho; a barra para uma nova alta está baixa, com mediana já apontando outro aumento neste ano; e Warsh, mesmo recusando dar "forward guidance", deixou sua função de reação absolutamente clara. Yardeni não escreve sobre confiança — escreve sobre dados. Mas terminou descrevendo exatamente o que eu vejo: um Fed que age de acordo com o que diz, sustentado por varejo em alta, PIB do terceiro trimestre revisado para cima e mercado de trabalho pleno. Quando um analista frio de números chega à mesma conclusão que eu, formada por instinto e experiência, isso reforça a tese.


"Dot Plot: FOMC Fed Funds Rate Forecasts versus Implied FFR based on 30-day futures" — do artigo "Fed's Hawks Circling Over Hot US Economy" (Yardeni Research)]


Vários dos artigos que recebi tratam do mesmo tema por ângulos distintos, e o de Robin Brooks merece destaque. Ele fez o que poucos analistas fazem: um mea-culpa público, reconhecendo que esperava um "hike dovish" e recebeu um "hike hawkish" — dólar em alta, ouro em queda, bolsa flat a negativa, o quadrante oposto ao que previra. Ainda assim, não creio que ele mude de tese; vai continuar defendendo o "debasement trade". Tudo bem — o mea-culpa em si já é raro o suficiente para render crédito.


"How Will Markets Trade the Fed?" — do artigo "I Was Wrong About Kevin Warsh" (Robin J. Brooks / Shadow Price Macro)]


Existe ainda outro fator que me agrada em Warsh, talvez de forma um pouco enviesada: me identifico com sua postura pragmática e direta. Sou mais ácido que ele, admito, mas o princípio da confiança não é ferido pela forma — é ferido pelo conteúdo. E o mercado percebeu isso: mesmo com o S&P 500 fechando em leve queda de 0,45% ontem, os futuros já sinalizavam abertura em alta superior a 1% nesta manhã. O Nasdaq, aliás, fechou praticamente estável — sinal de que o mercado não vê no ciclo de aperto ameaça relevante ao boom da inteligência artificial.

Se Trump não fosse tão orgulhoso, proporia a imagem de Warsh estampada na nota de US$ 100, no lugar da sua, mantendo o "In Warsh We Trust". Afinal, pouca gente decente anda com dinheiro vivo no bolso hoje em dia. Vamos acompanhar esse percurso — o tempo vai confirmar, ou não, essa percepção. Por enquanto, começou muito bem.


Análise Técnica

No post "o-mercado-de-bonds-ainda-nao-está-gordo" fiz os seguintes comentários sobre o ouro:

"Não vejo, no curto prazo, nenhuma ação a ser tomada. A onda B vermelha ainda não parece completa, e tentar ganhar um troco comprando para vender entre US$ 4.550 (+4,5%) e US$ 4.600 (+5,5%) não me parece atrativo."



Minha postura se mostrou prudente: caso tivesse sugerido um trade, teríamos sido estopados — nada grave, mas uma perda. Honestamente, estou em dúvida sobre o desenrolar desta correção. Meu cenário principal, sem muita convicção, é que a correção se aconteça na forma Complexa w – x – y vermelho; nessa situação, ocorreria ainda uma alta seguida de uma queda. Mas pode ser que a correção já tenha terminado e já estejamos no movimento de alta — indiquei no gráfico com a sequência em a – b – c azul.

No curto prazo, parece mais provável ocorrer alta — a dúvida é se será definitiva ou temporária. O problema é que ondas Complexas normalmente se subdividem em subondas a – b – c, como destacado na onda (w) vermelha.

— Xi, David, está muito complicado, diz se é para comprar ou para vender?

Para vender não é; para comprar, acompanhe o Mosca. Como disse, estou em dúvida.



Em relação ao euro, comentei:

"A reação do euro está sendo bem mais modesta que a do ouro" ... "Vale a mesma observação feita para o ouro: só depois de completada a correção A – B – C em laranja poderei sugerir um trade de compra."



Eu "puxei" a onda B laranja mais para a esquerda, assumindo que foi completada. Como podem verificar aqui, fico mais propenso a acreditar que o ciclo de baixa já tenha terminado. Vou usar a premissa que sempre uso: mercados que a princípio têm correlação não precisam reagir da mesma forma, pois isso só pode me atrapalhar. Mas não é líquido e certo que a alta tenha começado — ainda é cedo, pois não vejo 5 ondas no intervalo mais curto. Acompanhe o Mosca.



O S&P 500 fechou a 7.637. com alta de 1,14%; o USDBRL a R$ 5,1383, com queda de 0,27%; o EURUSD a € 1,1479, com alta de 0,13%; e o ouro a U$ 4.346, com alta de 1,92%.

Fique ligado!

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