Você pode esperar 100 anos? #nasdaq100 #NVDA
Para efeito de comparação, o mesmo dólar em títulos corporativos (Baa) teria rendido US$ 504, e em títulos do Tesouro americano de 10 anos, apenas US$ 77 — mal e mal cobrindo a inflação: medida pelo CPI, a inflação acumulada no período foi de 1.808%, o que significa que US$ 1 de 1925 precisaria valer cerca de US$ 19 hoje só para manter o poder de compra. Em outras palavras, quem ficou em bonds do governo obteve um retorno real de pouco mais de 1% ao ano, enquanto a bolsa entregou algo próximo de 7% ao ano acima da inflação.
O que salta aos olhos nessa conta é que, no longuíssimo prazo, até 1 ponto percentual ao ano faz uma diferença brutal. Pensem nisso da próxima vez que virem a taxa de administração de um fundo. É a razão pela qual insisto tanto em evitar esse veículo: a maioria não bate o próprio benchmark, e cada ponto cobrado é um ponto que deixa de compor ao longo de décadas. Cobrar 1% ao ano sobre um capital que poderia crescer a 7% real por cem anos não é um detalhe — é meio caminho do resultado final.
Mas há uma segunda camada nessa história, e é aqui que o retorno de 14 mil vezes fica ainda mais interessante — e mais desconfortável. Esses US$ 14.066 não vieram de um desempenho uniforme e bem distribuído entre as empresas do índice. Um estudo com quase um século de dados de ações americanas mostrou que a maioria das ações individuais sequer superou o retorno de um título do Tesouro de curtíssimo prazo ao longo de toda a sua existência, e que a ação mediana produziu retorno negativo. A conta inteira do S&P 500 foi puxada por uma fatia mínima de vencedores: hoje se estima que cerca de 2% das empresas responderam por aproximadamente 90% de toda a riqueza líquida criada pelo mercado acima do retorno de caixa. Um punhado de nomes — Apple, Microsoft, NVIDIA, Alphabet, Amazon e ExxonMobil — sozinhos adicionaram algo em torno de US$ 17 trilhões em valor.
O ponto mais provocador é que essa concentração não é um defeito do mercado, é o próprio mecanismo funcionando. Um índice ponderado por valor de mercado nunca vende uma empresa só porque ela cresceu demais — ele deixa o vencedor correr. Tentar podar essas posições, seja via fundo de peso igual, seja via gestão ativa que troca de cavalo no meio do caminho, historicamente corta o retorno pela raiz. E o preço de segurar esses vencedores não é pequeno: as próprias seis gigantes citadas acima sofreram, em algum momento de sua história, uma queda média de 80% do topo à mínima — nível de drawdown comparável ao da ação mediana do mercado. Quem quis os US$ 14.066 teve que atravessar quedas de 80% em nomes que hoje parecem óbvios, mas que no meio do caminho não pareciam vencedores nenhum.
Não é à toa que o gestor ativo mediano, olhando décadas, não bate o índice — e isso vale tanto para quem administra fundos de pensão em Boston quanto para quem escolhe ações aqui. Tentar escolher hoje qual vai ser o próximo nome dessa lista tem uma característica perigosa: os papéis que mais parecem "o próximo grande vencedor" costumam já estar caros, precificados por quem também está tentando adivinhar o futuro. A vantagem histórica não esteve em prever, esteve em manter.
Esses números fazem parte de um relatório recente da Meketa Investment Group, consultoria americana fundada em 1978, sediada em Massachusetts, que assessora fundos de pensão, endowments e fundações — hoje orienta algo perto de US$ 2 trilhões em ativos institucionais. É gente que vive de recomendar alocação de portfólio para quem não pode errar, e o estudo trata exatamente do que chamam de "cauda direita": a pequena fração de empresas responsável por praticamente toda a riqueza que a bolsa cria ao longo do tempo.
A segunda lição prática é que investir em lugares com desenvolvimento de longo prazo se paga. E aqui repito outra insistência antiga: esqueçam a bolsa brasileira. Não preciso nem justificar — no ambiente institucional em que vivemos, é difícil imaginar uma empresa isolada tendo sucesso duradouro, e mais difícil ainda um portfólio inteiro de ações sustentar isso por décadas, e menos ainda produzir os próprios "vencedores" que fariam esse tipo de conta valer a pena.
Aqui no Brasil, longo prazo tem outro significado. Estamos acostumados a pensar em ciclos curtos — por aqui, "longo prazo" muitas vezes é um mês. Mas quando o assunto é investimento de verdade, e não especulação, é preciso se desassociar dessa ideia. Cem anos de S&P 500 não cabem na lógica de quem troca de posição a cada boletim do Copom.
Eu, particularmente, já estou surfando a última fase — vou até onde der. Mas a pergunta que fica não é sobre mim, é sobre meus filhos e netos. Já estou abrindo uma poupança para o meu neto, mas coloquei uma condição: só faço se meu genro também abrir uma conta para investir no S&P 500. Não adianta eu plantar a árvore se a geração seguinte não aprender a regá-la.
Convencido? Basta esperar cem anos.
Brincadeira à parte, vocês sabem que não gosto de olhar pelo retrovisor — a história pode não se repetir da mesma forma. Mas fica a constatação: assumir risco no longo prazo, em ativos concretos, em lugares seguros e bem administrados, tende a se pagar. O tempo é o único ingrediente que ninguém consegue comprar de volta.
Análise Técnica
No post "o-preço-que-voce-não-vê" fiz os seguintes comentários sobre a Nasdaq100:
"Em relação à Nasdaq100, mantenho as mesmas observações expressas no gráfico, e também aguardo cinco ondas para sugerir um trade de compra."
Em relação à Nasdaq100, continua sem que uma sugestão de trade surgisse. Fiz um pequeno ajuste na onda II azul e no limite de queda que, embora o anterior tenha sido tocado, teve o fechamento acima de 28.875. Estamos aguardando — será que vou ter que esperar setembro terminar?
"A Nvidia teria que passar US$ 236,54, mas não passou — acabou recuando durante a semana, o que originou uma reordenação da onda ii laranja. Da mesma forma que a Nasdaq100, aguardo a formação de cinco ondas."
O leitor pode dizer que o retorno obtido por esse investidor é muito inferior ao de seus pares, e o que eu contesto é que esse retorno se estendeu por mais de 50 anos, e isso faz toda a diferença. Por último, desassocie-se da ideia de que vai dar a grande tacada, ou de que "sou melhor", como meu saudoso sócio Ibrahim Eris comentou: "invisto no meu fundo porque acredito mais em mim." A Linear foi posta fora do jogo na crise da Ásia, em 1997, por estar extremamente posicionada — até corretamente —, mas uma situação exógena aconteceu.
Na segunda-feira não haverá publicação do post voltando normalmente na terça-feira.
O S&P 500 fechou a 7.650, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 5,1447, com alta de 0,30%; o EURUSD a € 1,1448, com alta de 0,10%; e o ouro a U$ 4.377, com alta de 0,83%.
Fique ligado!
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