Correndo atrás do prejuízo #USDBRL
Há um momento peculiar nos mercados em que uma tese de investimento deixa de ser debatida e passa a ser simplesmente repetida. Não porque os argumentos sejam irrefutáveis, mas porque questionar a narrativa dominante começa a custar caro demais — em reputação, em performance relativa e, cada vez mais, em convívio social. Estamos nesse momento agora. Diversificar virou heresia.
O mecanismo é simples e implacável. Quando uma única temática — no caso, a inteligência artificial — concentra os melhores retornos do ciclo, qualquer portfólio que se desvie dela paga o preço imediato do desempenho relativo inferior. Gestores são cobrados trimestre a trimestre. Assessores precisam justificar o que não sobe junto com o índice. E o investidor individual, ao comparar sua carteira diversificada com o vizinho que colocou tudo em três nomes de semicondutores, sente que cometeu um erro grave de julgamento. Não cometeu. Mas a psicologia do mercado não opera por lógica financeira; opera por dor e por inveja.
Nada pressiona mais um gestor do que a performance do concorrente. Qualquer que seja o motivo da diferença, a pressão dos clientes é enorme — e essa é a grande questão dos fundos e portfólios ativos, que por princípio precisam superar seu benchmark. Em momentos como o atual, quando algumas ações explodem de preço, a chance de ficar para trás é enorme. Normalmente são justamente essas ações que lideram a performance e que não se enquadram nos parâmetros de P/L adotados pelo gestor.
No caso dos hedge funds, a situação é ainda mais delicada. Como dizia meu sócio Emir Capez: “se o mercado sobe e seu fundo cai, o cliente vai achar que você está roubando — afinal, como é isso possível?” Nas reuniões internas entre a área comercial e os gestores, vêm as ameaças: o cliente vai sacar tudo se a performance não melhorar. A pressão cresce até que o gestor joga a toalha e compra contra a vontade — e é exatamente isso que parece estar acontecendo agora, como revelam os desvios de posicionamento apontados pelos dados institucionais.
Os números confirmam a extensão do fenômeno. A alocação de investidores institucionais em ações hoje supera a alocação em renda fixa em 28 pontos percentuais — máxima em quinze anos. Mas essa exposição não está distribuída: está concentrada. As dez maiores empresas do índice americano, oito delas ligadas ao setor de tecnologia, respondem por uma fração desproporcional da capitalização total. Os índices, que deveriam representar o mercado amplo, viraram essencialmente um bilhete de loteria em poucos nomes.
A história é genérosa em exemplos. Em cada ciclo de concentração extrema — das empresas de tecnologia em 2000, dos bancos em 2007, das commodities em 2011 — havia uma narrativa convincente para justificar por que ‘dessa vez é diferente’. Não era. O que muda é o ativo. O mecanismo de compressão e liberação do excesso é sempre o mesmo.
Há uma conclusão prática que esse cenário sugere, e que prefiro dizer com clareza: se um investidor busca exposição a um determinado benchmark, ao invés de buscar um gestor ativo que promete superar esse indicador — e que historicamente obtém uma taxa de sucesso consistentemente inferior — talvez valha deixar o próprio índice trabalhar por ele. Os dados não são ambíguos.
Análise Técnica
No post “dois-brasis” fiz os seguintes comentários sobre o dólar:
“Não existe de perto nenhum pânico no dólar, pelo contrário, pode até cair como menciono acima. No curto prazo vamos observar se ultrapassa R$ 5,2373, o que completaria 5 ondas. Se ocorrer, depois decidimos o que fazer.”
Em relação ao dólar, está se mantendo estável e subindo lentamente. Embora tenha passado o nível destacado acima, ainda não formou 5 ondas de maneira clara. O provedor de sinal do meu sistema está distorcendo as oscilações do real; porém, como minha análise tenho que efetuar nele, estou acompanhando também por outra fonte para não ficar tão “sujo” o gráfico.
Fique ligado!
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