O Investidor precisa de qual sorte? #IBOVESPA
O grande risco dessa atitude é achar que se vai acertar sempre: acorda de manhã, pega o telefone e sai dando ordens convicto de que o mercado vai finalmente reconhecer a própria genialidade. A realidade vai ensinando que esse caminho leva a sair do jogo rapidinho — e nem se fale em dobrar a aposta porque o mercado é 'burro' e não enxerga o que você vê tão claramente.
Hoje consigo separar os negócios que foram puramente sorte daqueles que foram mais elaborados. Tenho uma história pessoal que ilustra isso melhor do que qualquer teoria.
O mercado de câmbio tem uma característica interessante quando se foge das moedas principais — euro, iene ou libra. Certa vez, dei uma ordem no par dólar australiano contra dólar canadense. Minha ideia original era comprar o primeiro e vender o segundo. Só que na hora de passar a ordem, inverti — e não percebi. Passados alguns dias, o negócio original estava indo mal e resolvi checar o extrato. Qual não foi minha surpresa: estava ganhando. A primeira reação foi achar que o extrato estava errado. Quando olhei com mais cuidado, vi que a posição era exatamente o contrário do que havia planejado. O que fiz imediatamente? Zerei. Afinal, aquilo foi pura sorte — e se o mercado virasse no sentido que eu queria originalmente, ficaria muito bravo comigo mesmo por ter ficado na posição errada.
Barry Ritholtz, gestor americano com três décadas no mercado e criador do podcast 'Masters in Business', entrevistou 650 convidados ao longo de 12 anos — bilionários, gestores de fundos, laureados com o Nobel. A primeira vez que um bilionário lhe disse que boa parte do seu sucesso foi sorte, Ritholtz descartou como falsa modéstia. Após o quinto, o décimo relato semelhante de pessoas completamente diferentes, não havia mais como ignorar.
A resposta mais esclarecedora veio de Howard Marks, presidente da Oaktree Capital e reconhecido pelos seus memorandos sobre mercados. Quando Ritholtz o pressionou — 'Mas e a inteligência, o esforço, a perseverança?' — Marks respondeu sem hesitar: 'Todo mundo na minha turma do MBA na Universidade de Chicago era muito inteligente e muito dedicado. Mas inteligência e trabalho duro são apenas o preço de entrada. Nem todos têm a sorte sorrindo para eles.' Mesa de apostas, não vantagem competitiva.
Os aforismos populares sobre sorte não resistem a uma análise mais rigorosa. 'A sorte é onde a preparação encontra a oportunidade' pressupõe que a oportunidade chegará até você — o que não é garantido. 'Você cria sua própria sorte' é uma contradição em termos: por definição, sorte é algo fora do seu controle. Se você controla, não é sorte.
O escritor britânico Ed Smith defende que a sorte tem sido sistematicamente subestimada justamente porque reconhecê-la é desconfortável. Vivemos numa cultura que precisa acreditar que esforço e talento explicam tudo — porque a alternativa, aceitar que o acaso tem peso enorme, retira a ilusão de controle que nos mantém funcionando. Smith argumenta que a recusa em admitir a sorte não é humildade falsa nem verdadeira: é um mecanismo de defesa psicológica.
Ritholtz, com a franqueza que o caracteriza, listou o que na sua visão realmente contribui para 'ter sorte' ao longo de uma carreira. Selecionei os que mais ressoam com a minha própria experiência de cinco décadas no mercado:
Curiosidade genuína: interesse por muitas coisas, inclusive aquelas sem relação direta com o trabalho. No mercado, quem só lê relatórios financeiros enxerga menos do que quem também lê história, comportamento humano e ciência.
Maestria: encontrar algo de que se gosta de verdade e dominar profundamente. A excelência num campo tende a transbordar para outros. No meu caso, a análise técnica pela teoria de Elliott Wave consumiu décadas de estudo — e esse aprofundamento mudou completamente minha forma de ler o mercado.
Estar preparado: oportunidades únicas aparecem com mais frequência do que se imagina. O problema é que a maioria das pessoas não está pronta quando elas chegam. A sorte bate na porta — mas se você não estiver em casa, ela vai embora.
Cate Hall, escritora americana, propõe um conceito complementar: aumentar a superfície de contato com o mundo. Fazer mais coisas, conversar com mais pessoas, experimentar mais — não porque isso garanta sorte, mas porque multiplica as chances de ela aparecer. É como o jardineiro que não pode forçar as plantas a crescer, mas pode propiciar as condições para que floresçam. Quem tenta mais tem mais tentativas — e mais tentativas significa mais chances de um resultado inesperadamente bom.
No mercado, a probabilidade de acertar por pura sorte é de 50/50 na melhor das hipóteses — e piora consideravelmente quando se vai contra a maré. O preparo, o estudo e a disciplina são o ingresso para entrar na arena. A sorte é o bilhete premiado. Sem o ingresso você nem entra; mas entrar não garante o prêmio. Reconhecer isso não diminui ninguém — pelo contrário, é o que separa o profissional maduro do apostador convicto.
Análise Técnica
No post "o-plano-b-é-o-plano-a" fiz os seguintes comentários sobre o IBOVESPA:
"Tudo indica que a onda A laranja ainda não terminou. Tudo indica que entre 162,8 mil e 160,7 mil isso deva ocorrer e, na sequência, um movimento de alta irá se suceder — até onde? Ainda de forma aproximada, entre 185 mil e 190 mil."
Os leitores sabem que não gosto de atuar usando gráficos de janelas curtas, pois pode ser apenas um movimento de curto prazo, o que não é o objetivo do Mosca.
O S&P 500 fechou a 7.420, com queda de 1,21%; o USDBRL a R$ 5,1255, com alta de 0,42%; o EURUSD a € 1,1494, com queda de 1,00%; e o ouro a U$ 4.242, com queda de 2,03%.
Fique ligado!
Acho que o FED melou o trade mosca, pra atrapalhar o ibovespa todo santo ajuda.
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